segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Condene o falso ensino

Condene o falso ensino


Martin Lloyd Jones



Note a maneira pela qual o falso ensino é denunciado no Novo Testamento, e a linguagem empregada com relação aos falsos mestres.

Note a maneira pela qual o falso ensino é denunciado no Novo Testamento, e a linguagem empregada com relação aos falsos mestres. Observem, em particular, o modo como o nosso Senhor o faz. Pois todo o clima da opinião atual é completamente avesso a isso. Acho divertido notar, nas resenhas de livros, que um ponto quase sempre salientado é se o escritor foi inteiramente positivo ou não. Nunca devemos ser negativos; nunca devemos criticar outros conceitos. Isso é considerado como sub-cristão. O que importa é o espírito. Portanto, jamais devemos criticar, e muito menos denunciar qualquer coisa. Os conceitos totalmente divergentes devem ser considerados como "percepções" valiosas que apontam na direção da verdade.



O fato é que, naturalmente, em nosso errôneo entendimento do Novo Testamento e do seu ensino, estamos exaltando uma espécie de gentileza e polidez, que não há como encontrar ali, nem mesmo no Senhor Jesus Cristo. Vejam, por exemplo, o que Ele diz em Mateus 7:15-27. Diz Ele que há falsos mestres que Ele só pode comparar com "lobos vestidos de ovelhas". Não se pode imaginar castigo mais severo. Ele Se refere a homens que negam a verdade, mas dão a impressão de que a pregam. Ele nos põe de sobreaviso contra eles. São "falsos profetas", "falsos mestres", pessoas que alegam que Lhe pertencem e que dizem: Senhor, Senhor, não temos feito isto, isso e aquilo em Teu nome? Ele responde que eles são mentirosos e que no grande dia do juízo Ele lhes dirá: "Nunca vos conheci"! Jamais Lhe pertenceram. Não se pode imaginar ensino mais forte que esse.



Ou vejam o que Ele ensina em Mateus 24:24-26. Ali Ele emite uma advertência muito importante para os Seus seguidores e para todos os cristãos através dos séculos: "Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que eu vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: eis que ele está no deserto, não saiais: eis que ele está no interior da casa, não acrediteis". Aqui Ele nos adverte dos mestres falsos e enganosos. Mais uma vez, a linguagem é muito forte.



Em Efésios 4 vemos a mesma coisa. Aí está este grande apóstolo, cheio do espírito de amor e, lembremo-nos, "falando a verdade em amor" (VA); mas, como vimos, a linguagem que ele emprega é, "que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia nos enganam fraudulosamente...". Isso é falar "a verdade em amor". Inclui denunciar esses falsos mestres na Igreja e mostrar claramente que espécie de gente eles são e que espécie de coisas eles fazem. Ele os descreve como animais predatórios que ficam à espera para "enganar". Falar a verdade em amor inclui uma clara exposição do erro e de tudo o que possa ser nocivo aos "bebês em Cristo".



O apóstolo utiliza linguagem ainda mais,forte em seu discurso de despedida dos presbíteros da igreja de Éfeso: "Olhai pois por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão ao rebanho; e que dentre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si. Portanto, vigiai, lembrando-vos de que durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós" (Atos 20:28-31). Essa é a linguagem! "Lobos"! "Lobos cruéis"! Em 2 Coríntios 11:13-15 ele os chama de "falsos apóstolos" parecidos com o diabo, que "se transfigura em anjo de luz". Em Gaiatas 1:8 ele diz: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho... seja anátema", isto é, seja amaldiçoado.



Tudo isso vem sob o título, "falando a verdade em amor". Por que essa linguagem é abominada hoje, e é considerada como sub-cristã? Porque desapareceu a idéia da verdade como algo que se pode definir, e a estamos substituindo por uma flébil e sentimental idéia de unidade e comunhão. Em Filipenses 3:18-19 o apóstolo escreve: "Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas". Essas pessoas estavam na Igreja e se apresentavam como mestres da verdade do evangelho, mas o apóstolo não hesita em denunciá-las como "inimigos da cruz de Cristo". Por quê? Porque estavam negando esta doutrina essencial nalgum ponto.



Devemos falar a verdade em amor acerca dessas pessoas para que os "meninos" na fé sejam protegidos da sua nefanda influência. Os termos empregados com relação a tais pessoas são extraordiná¬rios em sua força e em sua variedade. Ele fala de "filosofias e vãs sutilezas"; "tradição dos homens" (Colossenses 2:8); "clamores vãos e profanos" (1 Timóteo 6:20); palavras que "roem como gangrena (câncer)" (2Timóteo 2:17). O apóstolo Pedro fala em termos igualmente fortes de "fontes sem água" (2 Pedro 2:17). São os que parecem ter algo, porém na realidade não têm nada. O que há em seu evangelho? Qual é o seu conteúdo? Insistem em tagarelar sobre o amor; entretanto, de que amor falam? Onde está a sua salvação? Qual o sentido dos termos que empregam?



Observem também a linguagem usada por Judas. Examinem a linguagem usada nas cartas às igrejas, em Apocalipse, capítulos 2 e 3.0 Novo Testamento fala de pessoas levadas a extraviar-se pela "operação do erro" e de pessoas que acreditam na "mentira" (2 Tessalonicenses 2:11). Nele os falsos profetas são classificados como "cães", como pessoas que ensinam e proferem "heresias de perdição", cujos caminhos são perniciosos, pessoas "mentirosas". Ele se refere ao falso ensino como gangrena, como câncer que corrói os órgãos vitais. Esse é o ensino do Novo Testamento. Tudo isso, no entanto, é abominado hoje em dia, e é considerado como sendo uma completa negação do espírito de amor e de comunhão, de fato uma negação do espírito de Cristo.



Noutras palavras, este ensino moderno sobre a unidade afastou--se tanto do Novo Testamento que qualquer elemento polêmico presente na pregação e no ensino da verdade lhe causa aversão. Como digo, é-nos dito que jamais devemos ser negativos, que sempre devemos ser positivos. O homem admirado é o que diz: não sou polemista, sou simplesmente um pregador do evangelho! Alguns evangelistas e outros crentes conservadores são elogiados por aqueles que são muito liberais em sua teologia porque não "atacam" o liberalismo e o modernismo. É isso que é objeto de admiração. E o elemento polêmico é tido como uma negação do espírito cristão. Nunca devemos criticar; sempre devemos ser bondosos e afáveis. Concordo que sempre devemos ser bondosos e afáveis, que sempre devemos "falar a verdade em amor". Contu¬do, sempre devemos "falar a verdade em amor". Devemos, como o faz o Novo Testamento, "batalhar pela fé". Devemos expor o erro e denunciá-lo, em vez de só querer agradar os homens. O Novo Testamento está repleto desse ensino, como já provei.



Foi isso que se fez no tempo da Reforma. É isso que se faz sempre nos tempos de avivamento e renovação, porque em tais ocasiões há um retorno ao Novo Testamento. O erro é desmasca¬rado, exposto e denunciado. Isso foi feito, igualmente, no tempo dos puritanos. Nestes dias em que a "gentileza", a "atitude amiga" e a "comunhão" são elevadas à posição suprema às custas da verdade, lembremos que a exortação dirigida aos mestres e aos crentes neotestamentários não foi que eles deviam estar prontos a concordar com qualquer coisa por amor da unidade e da comunhão. A exortação dirigida a eles em 1 Coríntios 16:13-14é: "Vigiai, estai firmes na fé: portai-vos varonilmente, e fortalecei-vos. Todas as vossas coisas sejam feitas com caridade (ou amor)". Devemos ser varonis, devemos ser fortes, devemos permanecer firmes na fé que temos. Devemos saber que temos um alicerce debaixo dos nossos pés, e devemos saber o que ele é. Não devemos cavalgar nuvens; não devemos ficar no ar; devemos "estar firmes" num fundamento sólido, reconhecível, definível. Somos exortados a "batalhar energicamente pela fé" (VA) (Judas 3).



Em 2 João se nos diz que não devemos receber em casa, nem "saudar" a um falso mestre, e que fazê-lo é "ter parte nas suas más obras" (versículos 10-11). Em 2 Tessalonicenses 2:15 o apóstolo utiliza estas palavras: "Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa". Tradições ensinadas verbalmente e por escrito! Algo definível, algo concreto, algo claro, algo que é inconfundível. Isso foi escrito a pessoas como os tessalonicenses, a cristãos novos na fé. E por essa fé temos que batalhar energicamente, com toda as nossa forças, com todo o nosso poder.



Em Ti to 3:10-11 o apóstolo resume tudo de novo numa declaração por demais importante: "Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o. Sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado". Não devemos ser "gentis" e "amistosos" com ele. Se ele persistir em ser um herege depois da primeira e da segunda admoestação, devemos rejeitá-lo. Ele é um perigo para a Igreja, e nós temos que excluí-lo. Esse é o claro e explícito ensino do Novo Testamento, em toda parte. Naturalmente, tudo isso é inteiramente inevitável, em vista da natureza da verdade concernente à salvação, e da natureza da unidade que impera na Igreja. Contudo, isso está muito longe do atual ensino popular que, não somente tolera a doutrina de homens que negam o claro ensino do Novo Testamento concernente à Pessoa e obra do nosso Senhor, mas até os exalta e os elogia como cristãos notáveis, dignos da emulação dos crentes novos.



Fonte - http://www.martynlloyd-jones.com

domingo, 12 de setembro de 2010

sábado, 4 de setembro de 2010

“O Centro determina a circunferência” W. Nee

“O Centro determina a circunferência” W. Nee


“Sempre que um líder em especial, ou uma doutrina específica, ou alguma experiência, ou um credo, ou uma organização torna-se um centro que atrai cristãos de diferentes lugares, então, visto que o centro de tal federação de igrejas não é Cristo, acontece que sua esfera, ou circunferência, será algo mais do que local. E sempre que a esfera divinamente designada da localidade é substituída por uma esfera de invenção humana, a aprovação divina não pode ali repousar. Os cristãos em tal esfera podem de fato amar ao Senhor, mas eles têm outro centro que não é Ele, e é mais que natural que o segundo

centro se torne o centro controlador. É contrário à natureza humana ressaltar o que temos em comum com outros; sempre enfatizamos o que é nosso em particular. Cristo é o centro comum de todas as igrejas, mas qualquer grupo de cristãos que tenha um líder, uma doutrina, uma experiência, um credo ou uma organização como seu centro de comunhão, descobrirá que esse centro se torna o

centro, e é esse o centro pelo qual eles determinam quem pertence a eles e quem não pertence. O centro sempre determina a circunferência, a esfera, e o segundo centro cria uma esfera que divide os que se ligam a ele dos que não se ligam.

Tudo o que se torna um centro unificador dos cristãos de vários lugares criará uma esfera que inclui todos os cristãos que se ligam a esse centro e exclui todos os que a ele não se ligam. (...)” (Nee, Watchman. A Vida Cristã Normal da Igreja. SP:Ed Árvore da Vida.2003. p.102).

domingo, 29 de agosto de 2010

Judaismo Messiânico

Judaismo Messiânico




Trata-se de uma ramificação do Judaísmo que segue as tradições religiosas hebraicas e a identidade arraigada na Torah, porém também acredita em Yeshua (Jesus) como o Messias esperado pela tradição profética judaica.



O Judaísmo tradicional ensina que a Tanach e o Talmud são a Palavra Eterna de D'us, que ao "Novo Testamento" (como é comumente chamado) falta esta autoridade, e que Yeshua não é o Messias. Já o Judaísmo Messiânico, em contraste, ensina que a Tanach e a Brit Hadashah (as Escrituras do Novo Testamento) são juntas a Palavra Eterna de D'us e que Yeshua é o Messias.



Mas temos que ter em mente que Yeshua era israelita e sua vida era norteada pela religiosidade e tradições hebraicas, e como tal, também cumpria o que as escrituras lhe prescrevia. Ou seja, ele observava as mesmas leis que eram aplicadas aos demais filhos de Israel: foi circuncidado, observava o shabat, participava das festividades, freqüentava o templo.



Não há contra-senso. Trata-se do mesmo Yeshua HaMashiach, que veio a terra como Ben Yossef (filho de José) e que voltará como Ben David, e reconstruirá a nação de Israel e restaurará o reino de David, trazendo desta forma a paz para todas as nações.



Já nos primeiros séculos, muitos judeus já aceitavam a crença em Yeshua como Mashiach e que este era o filho do Eterno. Acreditavam também, que os gentios que se convertessem deveriam aceitar as tradições religiosas judaicas, diferentemente de outros grupos que tinham uma visão de que Yeshua viera abolir a Torah. Este último posicionamento acabou tornando-se o oficial da cristandade.



Desta forma, tanto judeus como gentios convertidos seguiam os mandamentos da Torah. Muitos são céticos ao acreditar se este Judaísmo Messiânico era uma variação dos ensinos de Jesus ou se era a doutrina original de Yeshua. No entanto, se considerarmos o sucesso inicial do movimento de Yeshua dentro do Judaísmo, podemos crer que o ensino original não tenha sido muito diferente disto.



Desde o segundo século, a igreja ensina que o Cristianismo é uma religião separada e distinta do Judaísmo. Esta perspectiva promoveu a doutrina anti-bíblica segundo a qual as Escrituras Hebraicas foram substituídas historicamente pelo "Novo Testamento", que a igreja substituiu Israel como as pessoas do pacto de D'us, e que aqueles primeiros discípulos de Yeshua foram convertidos da religião judaica para uma nova religião chamada Cristianismo. Mas essa orientação não é compartilhada pelo Judaísmo Messiânico.



O Judaísmo Messiânico, em contrapartida, acredita que Yeshua não veio estabelecer uma nova religião, mas de fato cumprir uma antiga já existente (Mattityahu/Mateus 5:17): "Não pensem que vim abolir a Torá ou os Profetas. Não vim abolir, mas cumprir" e enfatiza o amor de D'us e a fidelidade para com os hebreus: "Digo, pois: porventura, rejeitou o Eterno o seu povo? De maneira nenhuma; porque também eu sou israelita, da descendência de Avraham (Abraão), da tribo de Binyamin (Benjamim)" (Romim/Romanos 11:1-2).



Finalmente, o Judaísmo Messiânico combate a idéia de que aquelas pessoas judias que seguem Yeshua se tornam convertidos a outra religião, mas de fato permanecem judeus (Kolassim/Colossenses 4:11): "E Yeshua, chamado Justo, os quais são da circuncisão".



O Judaísmo Messiânico não é um movimento completamente novo, mas antes a ressurreição de um movimento muito antigo. A identidade descrita sob o termo "Judaísmo Messiânico" era a identidade da comunidade de seguidores israelitas de Yeshua no primeiro e segundo séculos.



O moderno Judaísmo Messiânico tomou forma no século XIX e em 1886 foi fundada em Kishinev, atual República da Moldávia, a primeira Congregação Judaico-Messiânica Moderna, por Joseph Rabinowitz.



O Judaísmo Messiânico é a mais recente fase no desenvolvimento histórico do autêntico Judaísmo Bíblico. É a religião de Avraham, Moshê, David, e dos profetas, cumprida pela vinda de Yeshua HaMashiach.



Messianismo

Messias (hebraico משיח - Mashíach ou Hammasiah, "O consagrado"). Como já mencionado, refere-se, principalmente, à profecia da vinda de um humano descendente do Rei David, que iria reconstruir a nação de Israel e restaurar o reino de David, trazendo desta forma a paz ao mundo.



O Messias já era uma profecia predita desde os tempos dos Patriarcas, sendo Yeshua o Mashiach de Israel.



Os primeiros seguidores eram judeus que não abandonaram as suas tradições, ou seja, o seu Judaísmo, mas o praticavam plenamente e apenas acrescentaram a crença em Yeshua como Messias. Com a expansão dos ensinos de Yeshua diversos não-judeus também passaram a acreditar neste como o Mashiach.



Após a destruição de Jerusalém alguns seguidores de Yeshua romperam suas ligações com o Judaísmo e passaram a desenvolver diversos ensinamentos que acabaram originando as muitas seitas e ramificações da cristandade, com seus ritos e doutrinas pagãs e contrárias aos princípios da Torá.

O Que Espiritualmente Significa o Termo Nazireu?

O Que Espiritualmente Significa o Termo Nazireu?
Luiz Fontes
Publicação: 26/08/2010
"O Poder da vida de Consagração"
Vamos ler Juízes 13.4,5: “Apareceu o Anjo do SENHOR a esta mulher e lhe disse: Eis que és estéril e nunca tiveste filho; porém conceberás e darás à luz um filho. Agora, pois, guarda-te, não bebas vinho ou bebida forte, nem comas coisa imunda; porque eis que tu conceberás e darás à luz um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu consagrado a Deus desde o ventre de sua mãe; e ele começará a livrar a Israel do poder dos filisteus”.

Quero estudar sobre o nazireado baseado na história de Sansão. Nos textos acima vemos o princípio da consagração como algo fundamental para o serviço espiritual. Quando estudamos a vida de Sansão, vemos dois significados desta palavra:
1º.Essa palavra dá significado a toda a vida de Sansão.
2º.É uma chave para entendermos a vida de Sansão.


O SIGNIFICADO ESPIRITUAL DO NAZIREU

Em Números 6.1-8 descreve o que é um nazireu. O Nazireu é uma pessoa que havia feito um voto de ser separado para DEUS de modo especial. Durante o tempo de nazireado, essa pessoa deveria obedecer a algumas regras, às leis do nazireado.

Alguns princípios do nazireado

1º.Deveria abster-se do vinho e da bebida forte, bem como do fruto da videira e de outras coisas relacionadas com vinho, uva e videira.
2º.Sobre sua cabeça não deveria passar navalha. Ele deveria deixar seus cabelos crescerem livremente.
3º.Não deveria tocar o corpo de um morto, ele não deveria tocar o corpo de cadáveres.



Classes de pessoas em Israel que eram consagradas

Na história do povo de DEUS vemos que Ele separou a nação de Israel dentre todas as nações para ser uma nação consagrada a Ele, uma nação para sustentar Seu testemunho na terra. De forma específica Ele separou a tribo de Levi para o serviço no tabernáculo, e os sacerdotes para servir diante do povo.

Qual a necessidade de se ter um nazireu?

Agora, porque surge essa lei segundo a qual alguém que por livre e espontânea vontade decide consagrar-se ao SENHOR e se submete a essas regras? Para entendermos isso, precisamos entender um pouco do contexto do livro de Juízes na época em que Sansão nasceu.
Sansão viveu no tempo do sacerdócio de Eli. Nesse tempo Israel era um povo corrupto; o sacerdócio era adúltero, e o ministério estabelecido era cego em muitos sentidos. O sacerdote Eli representa o sistema religioso decadente preocupado com seus próprios interesses, havendo-se tornado permissivo pela vida cômoda, tendo apenas um ódio fingido pelo pecado. Eli se tornara lento e preguiçoso com respeito aos interesses profundos de DEUS.
Seus filhos Hofni e Finéias representam o ministério continuado pela tradição. Esses dois jovens sacerdotes nunca tiveram um encontro com DEUS. Nada sabiam sobre "ouvir o céu", nem sabiam da fome por DEUS, ou de uma paixão ardente por experimentar a glória e a presença de DEUS. O ministério ao SENHOR no tempo de Sansão era produto do ritualismo frio e morto.
Um sacerdote era alguém escolhido por DEUS, que deveria ministrar ao SENHOR. Os sacerdotes deveriam representar os homens diante de DEUS e representar DEUS diante dos homens. Na época que Sansão viveu o sacerdócio estava completamente arruinado e corrompido. Nesse tempo os sacerdotes perderam completamente o motivo pelo qual haviam sido chamados. Nesse tempo eles viviam apara eles mesmos.
O propósito da função sacerdotal era lembrar a pessoa e da obra do SENHOR JESUS CRISTO nos seeviços sagrados no Antigo Testamento. Toda oferta apontava para a obra e a pessoa de CRISTO. Toda vez que um israelita, criança ou adulto, ia a um sacerdote levando um cordeirinho, ele sabia que aquele cordeirinho inocente estava sendo vítima como expiação para os pecados. Da mesma forma o ministério do sacerdote. Toda vez que os israelitas vissem aquele sacerdote ministrando no Santo dos Santos, eles deveriam ter em mente que um dia viria o verdadeiro Sumo sacerdote que entraria nos céus na presença do SENHOR e faria intercessão pelos nossos pecados e iria de uma vez por todas selar aquela união entre nós pecadores e o DEUS santo. Na época do sacerdócio de Eli, nós vemos que os sacerdotes haviam perdido as suas características, eles preservavam a forma externa, mas a realidade não estava mais ali. Quem é que DEUS vai levantar para relembrar ao povo de Israel essa verdade tão importante da consagração? - Um nazireu.
Se você estudar o livro de Juízes, verá que durante um período de 111 anos, o povo viveu debaixo da opressão dos inimigos, pois eles haviam perdido no sentido prático, o testemunho do seu chamamento como o povo de Deus na terra. Desde o início do livro de Juízes eles andavam naquele ciclo de pecado, apostasia, arrependimento, e assim, caíam na opressão dos inimigos. Qual a explicação para tudo isso que ocorreu com Israel nesse tempo? Foi porque, da mesma forma que os sacerdotes, o povo de Israel havia esquecido o seu chamamento. Todo fracasso de Israel foi porque eles esqueceram seu chamamento. Esqueceram que eram uma nação consagrada a DEUS. Todo o fracasso do povo de Israel era o resultado de uma só coisa: Eles haviam esquecido da sua consagração e chamamento. E por causa desse esquecimento eles caíram em cativeiro, eles caíram sob a opressão do inimigo.
Quando o SENHOR DEUS quis relembrar a nação de Israel que eles precisavam viver aquela vida de consagração, o SENHOR levantou um nazireu: Sansão - o juiz dos longos cabelos.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Yeshua e seus discípulos, judeus zelosos da Torá

Há um tremendo engano por parte dos leigos e, até mesmo, por parte da comunidade judaica em geral, que pensam que Yeshua e seus discípulos inventaram um “cristianismo” contrário aos princípios do judaísmo, em específico da Torá, das tradições e dos costumes judaicos. Isto nunca foi verdade e eu não sei de onde eles tiraram essas falsas afirmações.




Outro grande engano é o que dizem sempre nas comunidades judaicas, que um judeu ao crer em Yeshua se torna cristão e deixa de ser judeu. Isto também não é verdade, pois, os exemplos bíblicos que serão mostrados abaixo, comprovam que era justamente o contrário que ocorria, ou seja, o gentio que cria em Yeshua, era enxertado na Oliveira (símbolo do Israel Espiritual) e passava a fazer parte da família de D’us (judeus e gentios crentes na pessoa do messias Yeshua) e que os judeus deveriam continuar vivendo como judeus, sob a graça, mas sendo zelosos com a Lei, cumprindo a Torá através de seus mandamentos, estatutos e ordenanças dadas em caráter irrevogável aos filhos de Israel. Em outras palavras, a graça obtida pela fé em Yeshua, não anulava ou desfazia os preceitos das leis judaicas.



Até o século segundo, a chamada igreja de Yeshua, congregava judeus e gentios em suas sinagogas. A partir da revolução de Barkochba, quando deixaram as sinagogas judaicas, eles passaram a se reunir em outros locais. Era a famosa e pura igreja do primeiro século que é descrita, tão bem, no livro de Atos dos Apóstolos, escrito pelo médico Lucas.



Na comunidade judaico-messiânica, segundo a Bíblia, não se conhecia o nome cristão, senão, messiânico, que vinha da palavra Mashiach que significa Messias, ou seja, ungido. Com a tradução da Bíblia para a língua grega já no início da era cristã romana, este termo foi transliterado para Cristo, que significa também “ungido”.



Sem a influência de Roma, o judaísmo messiânico era autêntico e obediente à Torá, uma vez que Yeshua não anulou a Lei, pelo contrário, Ele a cumpriu (Mt 5:17). Ele e os seus discípulos judeus continuaram vivendo como judeus, mesmo após a morte de Yeshua. O apóstolo Paulo, tão mal interpretado pela comunidade judaica, sempre foi um judeu zeloso de toda a lei de Moisés e fiel às tradições de seus pais (Atos 21:20).



Os judeus messiânicos estudavam as Parashiot (porções semanais da Torá) e as Haftarot (as porções dos profetas) todos os sábados, como é feito até hoje pela comunidade judaica. Os gentios que com eles congregavam não deveriam ser circuncidados e não eram obrigados ao zelo da Lei (Atos 15), mas seguiam os outros costumes e tradições judaicas. O pensamento e interpretação dos textos bíblicos eram segundo o contexto judaico e o uso da midrash era constante.



Quem aboliu a língua hebraica, a liturgia judaica, a interpretação dos textos, certos mandamentos e estatutos como a guarda do shabat (sábado) e a celebração das festas bíblicas foi o catolicismo de Roma, não os judeus messiânicos da época.



Vamos dar alguns exemplos dos textos neo-testamentários que provam o enunciado acima, que Yeshua, seus apóstolos e discípulos judeus eram fiéis aos princípios bíblicos judaicos. Até hoje muitos cristãos entendem erroneamente que Yeshua fundou uma religião cristã, rompendo com suas raízes e princípios. Afim de provar aos leitores cristãos e não cristãos que isto não é verdadeiro e que muitos têm permanecido em doutrinas enganosas de homens, vamos citar, abaixo uma série de passagens dos próprios evangelhos, onde podemos comprovar o estilo de vida judaico de Yeshua e seus apóstolos.



Yeshua e a Torá



Yeshua foi circuncidado



Já no início dos evangelhos encontramos o texto de Lucas relatando a circuncisão de Yeshua no oitavo dia, cumprindo a Mitzvá da Torá. “...Quando se completaram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe dado o nome de Yeshua, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido.” (Lc 2:21).



Sua mãe, Miriam, também era zelosa da Lei, pois no versículo seguinte52 diz: “...terminados os dias da purificação segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para ser apresentado ao Senhor.”



Yeshua celebrava as festas judaicas



O próprio evangelho de Lucas (2:41) mostra que todos os anos Ele e seus discípulos iam a Jerusalém para celebrar as Festas. Por exemplo, a Páscoa, estatuto perpétuo para os filhos de Israel (Ex23:14-15 e Dt 16:16).



João Batista era cumpridor da Lei



João Batista era justo e cumpridor da Lei e de todos os princípios da Torá segundo Marcos 6:20. Ele não exaltaria Yeshua se este não fosse zeloso e cumpridor da Torá. (Mc 1:7)



Yeshua guardava o Shabat



Inúmeras passagens na Bíblia mostram Yeshua e seus discípulos guardando o Shabat (o sábado de descanso). Ele jamais deixou de guardar o Shabat e incomodava os fariseus da época quando Ele combatia o legalismo da guarda do Shabat, pois Yeshua ressaltava que o princípio da Lei era mais importante do que o legalismo cego que alguns fariseus praticavam. Yeshua ensinou que o princípio da Lei é a vida e sua preservação. Ele exortou os fariseus que no sábado eles poderiam socorrer um animal que caísse numa vala, não porque o animal valia um preço no mercado, mas sim, porque possuía uma vida dada por D’us. Lucas 4:16 é um bom exemplo de Yeshua indo à sinagoga no dia de sábado para estudar a Parashá (porção da Torá ) e a Haftará (a porção dos profetas) “...Chegando a Nazaré, onde fora criado; entrou numa sinagoga no dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler (a Torá); e foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías (Haftará); e abrindo-o, achou o lugar onde estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restaurar vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e para proclamar o ano aceitável do Senhor...( Isaías 61:1)



Os discípulos continuaram (como judeus zelosos) guardando o shabat e as tradições



Em Atos capítulo 13, encontramos o texto: “...Mas eles (os discípulos), passando de Perge, chegaram a Antioquia da Pisídia; e entrando na sinagoga, no dia de sábado, sentaram-se para a leitura da Lei (Torá) e dos profetas (Haftará)...”



Yeshua e seus discípulos comiam a comida kashrut (Levitico 11)



No livro de Lucas, o seguinte texto prova que eles comiam segundo as leis alimentares recomendados na Torá. “...Ora, chegou o dia dos pães ázimos, em que se devia imolar a Páscoa; e Jesus enviou messageiros a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos...” (Lc 22:7-23)



A Torá era a base do ensinamento de Yeshua



Uma das frases de Yeshua mais clara quanto à lei (a Torá) está registrada em Mateus 5:17, quando Ele diz: “...Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i (yod) ou um só til até que tudo seja cumprido...”



Outro versículo, registrado no mesmo livro de Mateus mostra que os ensinamentos de Yeshua estavam em consonância com a Torá: “...Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque está na lei e nos profetas” (Mt 7:12).



Somente quem conhece os ensinamentos da Torá pode perceber que Yeshua pregava e anunciava ao povo de sua época os princípios da Torá através de suas elucidativas parábolas. Ele seguiu os mesmos princípios dos profetas, quando escreviam ou falavam ao povo. Tudo precisava estar respaldado pela Torá, cujo texto escrito por Moisés, além de inspirado por D’us, era também escrito pelo próprio dedo ou até mesmo ditado por Ele.



Poucos cristãos sabem, por exemplo, que todo o Novo Testamento, incluindo as cartas de Paulo, Pedro, João foram escritas dentro dos princípios da Lei ou do Pentateuco. Por exemplo, o último livro da Bíblia, Apocalipse, dos seus 406 versículos, 278 são repetições do próprio texto da Torá.



Yeshua era bem recebido nas sinagogas



Várias passagens da Bíblia, mostram claramente, que Yeshua era bem recebido nas sinagogas de Israel, tanto em Jerusalém como na região da Galiléia. “...Foi, então, por toda a Galiléia, pregando nas sinagogas deles e expulsando os demônios...”(Mc 1:39). Se Yeshua pregava nas sinagogas era porque havia respeito e credibilidade no meio dos Miniam. Se Yeshua não fosse seguidor da Torá jamais Ele seria autorizado ou convidado a ensinar no meio dos sábios judeus da época. Encontramos também a passagem de Jairo, um dos chefes da sinagoga, que lançou-se aos pés de Yeshua, suplicando a cura de sua filha.



Yeshua se vestia como judeu religioso



Yeshua era fariseu. Portanto, seguia, à risca, os costumes religiosos da época. Ele usava talit com sua franjas em cada canto, símbolo religioso que lembra a observância e a guarda dos mandamentos de D’us. No texto original do evangelho de Marcos (5:27) lemos que a mulher enferma tocou na orla (tsitsit) do talit de Yeshua, símbolo também de autoridade.



Com certeza, Ele também cobria a cabeça com o talit ou com lenço apropriado. Não existia, na época, o uso do Kipá moderno que passou a ser uma lembrança da mitra sacerdotal ou do costume de cobrir a cabeça, em reverência a D’us. Outros povos orientais também cobrem suas cabeças pelas mesmas razões, não sendo um costume só do povo judeu.



Yeshua testemunha o Shemá



Como um bom judeu, Yeshua recitava e ensinava o texto do “Shemá Israel Adonai Eloheinu Adonai Echad”, que diz: “Ouve ó Israel o Senhor nosso D’us é único. Amarás, pois, o Senhor teu D’us com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças...” A parábola do bom samaritano inicia com a pergunta de um mestre judeu a Yeshua “...E eis que se levantou certo doutor da lei e, para experimentá-lo, disse: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Perguntou-lhe Yeshua: Que está escrito na lei? Como lês tu? Respondeu-lhe ele: ‘Amarás ao Senhor teu D’us de todo o teu coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.’ Tornou-lhe Yeshua: Respondeste bem; faze isso e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Yeshua: Quem é o meu próximo?” E Yeshua, prosseguindo, contou-lhe a parábola do bom samaritano (Lc 10:25-42).



Yeshua era chamado de Rabi



Nicodemos, um importante líder dos fariseus, foi ter com Yeshua de noite e disse: “...Rabi, sabemos que és mestre, vindo de D’us, pois, ninguém, pode fazer estes milagres que tu fazes, se D’us não estiver com ele...” ( Jo 3:2). O título de “rabi” quer dizer “meu mestre”, termo similar a rabino quer dizer também nosso mestre, era dado somente aos estudiosos e realmente mestres no ensinamento da Torá, sendo zelosos da lei.



Yeshua curava enfermos e exortava-os a serem cumpridores da Torá



São várias as passagens nos evangelhos que mostram Yeshua curando enfermos e os exortando para que voltassem para a Torá, guardando os mandamentos, estatutos e ordenanças, como o leproso em Lucas (5:12-16) em Mateus (8:1-4) e outras passagens.



O apóstolo Paulo e os discípulos também eram seguidores da Torá



O apóstolo Paulo (Shaul) também era temente a D’us e seguidor da Torá como bom fariseu da tribo de Benjamim. No livro de Atos dos Apóstolos escrito por Lucas, vemos Paulo e seus seguidores, judeus messiânicos, guardando o shabat e realizando o serviço da Torá59 “...Mas, eles passando de Perge, chegaram a Antioquia da Pisídia; e entrando na sinagoga no dia de sábado, sentaram-se. Depois da leitura da Lei (Parashá) e dos Profetas (Haftará), os chefes da sinagogas (Miniam) mandaram dizer-lhes: Irmãos, se tendes alguma palavra de exortação ao povo, falai...” (Atos 13: 13-14).



Um outro bom exemplo mostra que Paulo e os discípulos eram judeus zelosos da lei está registrado em Atos 21:20 que diz: “...Ouvindo eles isto, glorificaram a D’us, e disseram-lhes: Bem vês, irmãos, quantos milhares há entre os judeus que têm crido (em Yeshua) e todos são zelosos da lei...”



Judeus crentes em Yeshua devem continuar vivendo como judeus, assim como gentios crentes devem continuar vivendo como gentios, mas ambos sendo um na pessoa do Messias, fazendo parte da família de D’us. (Efésios 2:19)



É bom que se diga, bem claramente, que não encontramos nenhuma carta escrita por Paulo nada que não fosse condizente com os ensinamentos da Torá e com o zelo pela Palavra de D’us. Paulo e os discípulos sempre deram bom testemunho da Torá, cumprindo as boas tradições judaicas. A grande revelação de Paulo era ensinar aos judeus a crerem nas boas novas do Messias Yeshua e continuarem vivendo como judeus zelosos com os estatutos perpétuos que o Senhor deu aos da Casa de Israel e aos gentios, agora crentes em Yeshua, que eram enxertados na oliveira (Israel), participando das mesmas bênçãos dos filhos de Israel (Rm 11:17), mas continuando a viver como gentios, pois, eles pela fé em Yeshua, não se tornavam judeus e nem precisavam se converter ao judaísmo. No livro de Atos capítulo 15, os apóstolos se reuniram em Jerusalém num grande concílio e reafirmaram com base na boa interpretação das Escrituras, que os gentios podiam tornar-se crentes em Yeshua sem se tornarem judeus, apenas se abstraindo da idolatria, dos animais consagrados a ídolos, não praticando a imoralidade e não comendo sangue. Na verdade, as sete leis de Noé dadas à humanidade, foram resumidas nas quatro leis acima. Estas seriam, portanto, as leis a que os gentios estariam sujeitos e nada mais. Claro, que isto não proíbe aos gentios de se beneficiarem das leis judaicas, como as leis alimentares, as leis éticas, as leis de caráter moral, as leis de saúde e de qualidade de vida em geral.



Em outras palavras, o judeu crente em Yeshua deve viver sempre como judeu cumprindo o chamado irrevogável de D’us e os gentios devem viver como gentios, mas livres quanto ao cumprimento de qualquer lei judaica.



Esta é uma das características adotadas na Igreja primitiva que funcionou sob o prisma judaico até o século quarto, quando o domínio de Roma avocou para si a difusão das boas novas de Yeshua e de seus discípulos sobre o nome de uma religião não mais judaica, adotando o nome de Igreja Católica Apostólica Romana, ou seja, o primeiro ramo do chamado, então, cristianismo, do qual séculos mais tarde daria outras ramificações decorrentes da reforma protestante.



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Glossário de Termos Judaicos Deste Artigo



Midrash judaica constitui da técnica hermenêutica de correlacionar textos segundo o pensamento e contexto judaico em vários níveis de interpretação.



Lucas 2: 22



Yod [ y]: Menor letra do alfabeto hebraico, correspondente a letra “ i ” no alfabeto romano.



Til, corresponde a um pequenino segmento de traço que diferencia letras semelhantes. Ex: d e r (“d” e “r”).



Miniam: Em toda sinagoga há o chamado miniam que é composto por 10 membros idôneos, sem os quais nenhuma cerimônia ou celebração pode ser realizada.



Talit: manto de uso diário, também chamado de chale de oração em formato retangular que possui quatro franjas em cada canto. Os oito fios ( Tsitsitot )que compõem cada franja são trançados através de sete nós. O uso do talit está ordenado em Nm 15:37-41, como estatuto aos filhos de Israel.



Kipá: também conhecido como solidéu que cobre a cabeça dos homens como símbolo de submissão e dependência de D’us.



Shemá: oração recitada várias vezes ao dia por um judeu. Corresponde ao texto da Torá (Dt 6:4).



Serviço da Torá – Realizado em todas as manhãs de sábado nas sinagogas, quando se lê a porção da Torá (Parashá) e trechos dos livros dos profetas (Haftará)

Anti-Semitismo

A palavra anti-semitismo significa preconceito contra ou ódio aos judeus. O Holocausto é o exemplo mais radical de anti-semitismo na história. Apoiados pelo governo, os nazistas alemães e seus colaboradores perseguiram e exterminaram 2/3 dos judeus da Europa entre 1933 e 1945. Em 1879, o jornalista Alemão Wilhelm Marr criou o termo anti-semitismo, que significa ódio contra judeus, e também a não-aceitação de tendências liberais e cosmopolitas da política internacional dos séculos 18 e 19, muitas vezes associadas à imagem dos judeus. As tendências atacadas pelos nazistas abrangiam a igualdade de direitos civis entre os cidadãos de um país, a democracia constitucional, o livre comércio, o socialismo, o capitalismo financeiro, e o pacifismo.






A existência de um ódio específico dirigido contra os judeus antecede a era moderna e a criação do próprio termo anti-semitismo. Entre suas manifestações mais comuns e destrutivas, estão os pogroms, palavra russa que descreve os grandes ataques de violência contra os israelitas, muitas vezes apoiados por autoridades governamentais. Os pogroms eram normalmente provocados por “libelos de sangue”, falsos rumores de que os judeus usavam o sangue de crianças cristãs em seus rituais.





Na era moderna, entre 1870 e o final do século 19, os anti-semitas adicionaram uma dimensão política à sua ideologia de ódio, criando partidos políticos anti-judaicos na Alemanha, França e Áustria. Publicações fraudulentas, como “Os Protocolos dos Sábios de Sião”, deram legitimidade e apoio a falsas teorias de uma conspiração judaica mundial. Deve-se enfatizar que um forte componente do anti-semitismo político é o nacionalismo exacerbado, cujos adeptos muitas vezes acusam, através das mais variadas mentiras, os judeus de não serem cidadãos leais a seus países.





O movimento xenófobo Voelkisch, Movimento Popular, foi criado no século 19 por filósofos, acadêmicos e artistas alemães que consideravam o espírito judaico como diferente e inferior ao alemão, moldando assim a percepção popular de que os judeus, ainda que nascidos na Alemanha, filhos, netos, e bisnetos de israelitas daquele país, não eram alemães. Teóricos de uma antropologia racial fraudulenta forneceram o embasamento pseudocientífico para difusão desta idéia. O Partido Nazista, fundado em 1919 e liderado por Adolf Hitler, deu expressão política às teorias do racismo europeu e, incentivando o anti-semitismo latente da população alemã, ganhou popularidade ao apoiar e disseminar este tipo de propaganda política. Milhões de pessoas compraram o livro “Mein Kampf” (Minha Luta), no qual Hitler clamava pela expulsão dos judeus da Alemanha.





Em 1933, com a ascensão dos nazistas ao poder, o partido ordenou boicotes econômicos aos judeus, a queima de livros judaicos, além de aprovar uma legislação discriminatória anti-semita. Em 1935, as Leis de Nuremberg definiram os judeus empregando termos raciais errôneos, pelo “sangue”, e ordenaram a separação total dos chamados “arianos” dos “não-arianos”, legalizando assim a hierarquia racista, onde os alemães estavam no topo e os demais povos abaixo. Na noite de 9 de Novembro de 1938, os nazistas destruíram sinagogas e vitrines de lojas de propriedade de judeus na Alemanha e na Áustria, fato que ficou conhecido como o pogrom da Kristallnacht, Noite dos Vidros Quebrados. Este evento marcou a transição de uma era de anti-semitismo velado para outra, a da destruição, durante a qual o genocídio foi o foco único do anti-semitismo nazista.