Por que seguimos a Cristo?
“Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás e já não andavam com ele. Então disse Jesus aos doze: queria vós também retirar-vos? Respondeu-lhe pois Simão e Pedro: Senhor para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” (João 6:66-68).
Sinto que é sempre um tema interessante e proveitoso tentar decidir qual destas duas posições é mais perigosa para um homem - declarar franca e abertamente que não tem qualquer interesse em Cristo e na religião ou seguir a Cristo motivado por uma razão falsa ou errada. Sei que cada teólogo nesta congregação será levado a dizer imediatamente que em última análise não há nenhuma diferença entre os dois; que o homem que segue a Cristo por uma razão errada está tão fora do reino de Deus quanto aquele que não manifesta qualquer desejo de seguir a Cristo. Isso é verdade, porém eu creio que há uma distinção muito importante entre os dois se os examinarmos puramente do ponto de vista humano, pois o problema com o homem que segue a Cristo por uma razão falsa ou errada é que ele não só esta iludindo a si mesmo, mas também está enganando a Igreja. Mas quando nos defrontamos com um quem não crê em Cristo, então sabemos exatamente o que dizer e o que fazer com ele. Quando um homem se apresenta como uma pessoa religiosa, a Igreja tende a aceitar suas declarações pensando que seria um insulto questioná-lo. A Igreja presume que uma vez que ele professa ser religioso, isso significa que ele é um cristão. Um dos lugares mais perigosos para um homem é a Igreja do Deus vivo.
Creio que este ponto poderia ser uma boa explicação para a atual situação da Igreja hoje em dia. Vemos uma excessiva prontidão em ligar o fato de alguém ser membro de uma Igreja com verdadeiro discipulado, presumindo que todos aqueles que se unem à Igreja realmente estão seguindo a Cristo. Sei que a Igreja talvez tenha bons motivos para isso. Ela sente que é bom que as pessoas estejam sob sua influência, para que possam ser protegidas das tentações do mundo. A tragédia, no entanto, é que com freqüência ela toma por certo que essas pessoas são verdadeiramente cristãs. E assim a igreja tem dirigido a tais pessoas mensagens que são apropriadas para o verdadeiro cristão, mas que não têm muito valor para aquele a quem falta a essência da fé. Então é por isso que afirmo que a Igreja pode ser um lugar muito perigoso. É possível que por pertencerem à Igreja tais pessoas nunca venham a ouvir algumas das perguntas fundamentais e básicas que todo cristão deve ser capaz de responder. Existe um perigo muito real de presumirmos por razões erradas e falsas que somos cristãos. E não hesito em declarar que é um perigo muito grande e real. E se vocês pedissem que eu comprovasse e justificasse o uso desse adjetivos, eu poderia fazê-lo com facilidade por meio das páginas do próprio Novo testamento.
Certamente não há nada mais notável, na leitura da história da vida de nosso Senhor Jesus Cristo nos Evangelhos, do que observar a forma como Ele sempre quis Se certificar que homens e mulheres não O seguissem motivados por uma razão errada. Vocês podem encontrá-lo constantemente parando e perguntando a homens e mulheres se O estavam seguindo pela razão certa. Ele parecia preocupado em não atrair aqueles que não tinham se apropriado do que era certo e verdadeiro. Não há maior paródia da vida de Cristo do que declarar que nosso bendito Senhor, no fim de Sua vida, ficou decepcionado quando Se viu abandonado por seus amigos; que Seu coração se partiu porque Ele nunca imaginara tal deserção, e que ela O surpreendeu. Não há nada mais falso, à luz do quadro que o Novo Testamento dá de Jesus. Lemos que nosso Senhor estava ciente dessa possibilidade desde o princípio e até mesmo a predisse. Ele Se esforçava constantemente para examinar Seus seguidores porque sabia com certeza o que iria acontecer no fim. Todos lembramos as maravilhosas palavras do Senhor no fim do sermão do Monte: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: nunca vos conheci apartai-vos de mim”. Eles pensavam que tudo estava bem; mas naquele dia descobrirão que estavam errados. Lembramos também da parábola da casa edificada sobre a rocha e da que foi edificada sobre a areia: “Prestem atenção como vocês escutam!” diz o Senhor. “Examinem-se e esquadrinhem-se a si mesmos”. Também lembramos da parábola do semeador, em que nosso Senhor parece estabelecer, como um princípio fundamental, que dentre todos os que O seguem, somente vinte e cinco por cento realmente têm apreendido a verdade. Quero também chamar a sua atenção para a parábola da rede que recolheu um certo número de peixes de toda qualidade — alguns bons, e outros maus —realçando a grande diferenciação entre as pessoas. Mas talvez a ilustração mais perfeita desse princípio pode ser encontrada em um dos três quadros apresentados no fim do nono capitulo do Evangelho de Lucas. Vocês por certo se lembram do jovem que veio a Jesus dizendo: “Senhor ,eu te seguirei onde quer que fores”. Talvez acrescentando: “não sei quanto a essas outras pessoas, porém eu estou do Teu lado”. “Certamente”, alguém dirá, “esse é o tipo de homem que a Igreja de Deus está buscando hoje em dia. Certamente nosso Senhor o recebeu de braços abertos!” Mas foi a esse homem que Jesus disse: “As raposas tem covis e as aves do céu ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. Cristo Se volta para esse zelote, e diz: “Você esta cheio de zelo, entusiasmo e êxtase, mas realmente entende o que significa Me seguir? Significa ostracismo, e talvez renúncia às coisas que mais valoriza na vida. Certifique-se de que sabe exatamente o que significa discipulado cristão”. Ao ler os Evangelhos, vocês verão que nosso Senhor estava constantemente advertindo as pessoas, e esclarecendo que havia a possibilidade de alguém segui-lO motivado por uma razão errada ou espúria.
Os escritores das Epístolas reiteraram a mesma mensagem, inculcando-a nos cristãos da Igreja Primitiva.
Não seria bom que examinássemos a nós mesmos, fazendo a mesma pergunta, ou seja, se O estamos seguindo motivados por uma razão certa ou errada? Por que estamos seguindo a Jesus? Qual é o significado exato que vemos em nossa ligação com a igreja que freqüentamos? Essa é a pergunta que eu gostaria de examinar com vocês à luz deste texto. Sempre achei que este capítulo (João 6) é um exemplo clássico de todo esse assunto. O evangelista, sob inspiração divina, parece ter reunido neste capítulo a maior das razões falsas ou espúrias pelas quais homens se contentam em seguir a Cristo: todas estão agrupadas aqui. Observe a divisão do texto.
“Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás”. Por outro lado os doze permaneceram. Aqui está a divisão — os muitos que voltaram atrás e os poucos que permaneceram. Muitos O tinham seguido pela razão errada. Poucos O seguiram e O acompanharam motivados pela razão certa e verdadeira.
Vamos examinar, antes de tudo, algumas das razões erradas pelas quais homens seguem a Jesus Cristo. Existem pessoas que se unem a uma igreja pela simples razão que muitos outros estão fazendo a mesma coisa. Vemos claramente no Novo Testamento, bem como na história subseqüente da Igreja Cristã, uma vasta expressão de psicologia das massas. Há pessoas que sempre estão prontas a se unirem a uma multidão, e sempre ficam fascinadas por aquilo que todos os demais parecem estar fazendo. Há pessoas que estão numa igreja pela simples razão que alguém as levou ou então viram outras pessoas indo a essa igreja. Nunca perguntaram a si mesmas: “Porque estou na igreja?” Parece ser a coisa certa a fazer: os pais e os avós fizeram isso; é uma tradição em sua localidade; outros fazem isso, e, portanto, elas também fazem. Há pessoas que simplesmente “nadam com a corrente”. Fazem algo porque outras pessoas estão fazendo aquilo. Deus permita que nenhum de nós nesta igreja irrefletidamente, sem jamais ter considerado o significado de ser membro de igreja, e o que está envolvido. Houve muitos que seguiram o Senhor simplesmente porque viram que as multidões O rodeavam. Que o Senhor nos liberte de ser parte desse grupo!
Outra razão foi mencionada pelo Senhor no versículo 26: “Na verdade na verdade vos digo que me buscais, não pelo sinais que vistes, mas porque comeste do pão, e vos saciaste”. Que Ele quis dizer com isso? Ele estava sugerindo que essas pessoas tinham uma razão puramente mercenária e materialista para segui-lO. Vieram correndo após o Senhor, e aparentemente O estavam adorando; mas não estavam realmente interessadas no aspecto espiritual, no divino e no sobrenatural. Por que O seguiram? Porque receberam dEle aquilo que as atraía — os pães. Estavam ansiosas por alimento, e por essa razão egoísta é que seguiram a Jesus, porque receberam dEle aquilo que desejavam. Não sei se esta razão é uma razão muito comum para que as pessoas se unam à Igreja, pois a religião não é tão popular hoje em dia como era no passado; porém temos que concordar que talvez a verdadeira tragédia era que os homens tinham a tendência de se unirem à Igreja porque ela lhes dava posição, reputação, poder e influência. Infelizmente muitos há que se uniram à Igreja pelo motivo que isso beneficiaria seus negócios ou sua profissão; fizeram uso da Igreja para o avanço de seus interesses ou desejos pessoais. São as pessoas que seguem a Cristo porque desejam comer do pão que Ele dá, porque querem se satisfazer. Talvez devêssemos incluir nesta categoria aqueles que seguem a Cristo porque estão interessados na doutrina do perdão dos pecados, e porque querem tirar proveito da Sua cruz; eles não querem sofrer o castigo eterno; não gostam da noção do inferno. Cristo anuncia perdão dos pecados, e eles O seguem, não porque desejam santidade ou porque realmente O amam, mas só porque temem o inferno e estão com medo do castigo eterno. Esta são as pessoas que tornam até mesmo a cruz de Cristo em mercadoria, e a usam como um manto para cobrir seus pecados. Usam a cruz para o proveito dos seus próprios desejos pessoais e mercenários. Seguem a Cristo somente para os seus próprios fins, e não porque Ele é o Filho de Deus e o Salvador do mundo.
E então, no versículo 2 deste capítulo, encontramos outra coisa muito interessante: “E grande multidão o seguia; porque via os sinais que operava sobre os enfermos”. Ora, este é um tipo de pessoa muito interessante, e que encontramos com freqüência nas páginas do Novo Testamento. Temos uma descrição do mesmo tipo de pessoa no segundo capítulo: “E, estando ele em Jerusalém pela páscoa, durante a festa, muitos vendo os sinais que fazia, creram no seu nome” (João 2:23). Este grupo dos que estão preocupados com os aspectos externos da região parece ser bem grande na época atual. São as pessoas que estão interessadas no fenômeno da religião parece ser bem grande na época atual. São as pessoas que estão interessadas no fenômeno da religião; elas seguem a Jesus porque vêem os milagres que Eles realiza. O poder miraculoso de Cristo as atrai. Se há manifestação de poder sobrenatural, elas sempre estão lá. São atraídas pelo fenômeno da religião, e não pela verdade da religião. Nosso Senhor Jesus Cristo realizou muitos milagres; e Ele o fez deliberadamente. Seu alvo e propósito ao realizar milagres foi manifestar o Seu poder. Todavia, notamos algo interessante. Ele não confia naqueles que estão mais interessados nos milagres do que nEle mesmo ou naqueles que estão mais interessados no fenômeno do que no poder. Jesus Cristo, pela graça de Deus, ainda opera milagres neste mundo pecaminoso, e ainda transforma a vida das pessoas. Ainda existem fenômenos gloriosos em conexão com o reino de Deus em Cristo Jesus. Mas Cristo, o Filho de Deus, não veio à terra simplesmente para realizar milagres ou fazer obras maravilhosas, e assim manifestar o Seu poder; e nem veio apenas para mudar nossas vidas; Ele veio, antes de tudo, para purificar para Si um povo Seu, especial, zeloso de boas obras. Ele veio para reconciliar os homens com Deus, e para nos levar ao conhecimento da verdade. Devemos nos precaver de segui-lO simplesmente porque estamos mais interessados no fenômeno do que na verdade em si.
E isso me traz ao último grupo, que é encontrado nos versículos 14 e 15, onde lemos: “Vendo pois aqueles homens o milagre que se Jesus tinha feito, diziam: este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo. Sabendo pois Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, ele só, para o monte”. Temos aqui um grupo muito interessante de pessoas, que O seguem porque estão completamente enganadas a respeito de Cristo e de Sua mensagem. Qual foi o milagre que tinham visto? Foi o dos cinco mil sendo alimentados. Essas pessoas, de acordo com o contexto, tinham seguido o Senhor por alguns dias ou talvez semanas. Tinham ouvido as Suas Palavras; mas foi somente quando viram o milagre que disseram: “Este é o Messias. Este é o profeta que havia de vir”. Então lemos que conspiraram entre si e concordaram que deviam se aproximar dEle e levá-lO à força para Jerusalém, a fim de O proclamarem rei. Jesus, porém, percebeu sua intenções e Se retirou para um monte, permanecendo ali sozinho. Aqueles judeus tinham uma concepção política do reino de Deus. Pensavam no Messias como um libertador político, como alguém que os libertaria da escravidão de Roma e Se estabeleceria como rei em Jerusalém, onde reinaria supremo sobre todos os Seus inimigos e sobre o mundo todo. E esses homens se aproximaram dEle com essa idéia em suas mentes; mas Ele os repeliu. E aqueles homens acabaram sendo parte do grupo que se afastou dEle. Quantos, ainda hoje, pensam em Jesus como um revolucionário político, ou um reformador social! Quantos ainda hoje pensam no reino de Deus como sendo primeiramente secular e político! Quantas pessoas pensam que uma das funções principais da Igreja é tratar da condição social do mundo, e assumir o seu lugar nos vários setores e níveis da vida humana, e decidir as grandes questões relacionadas com a indústria e a política e assuntos internacionais! Quantas pessoas ainda pensam em Cristo como um reformador social ou agitador político! E quantas outras pensam nEle como o pálido Galileu que mantém os homens à distância, e que é refinado demais até para tocar no mundo. Há os que pensam nEle como o grande Artista, ou o grande Asceta ou o incomparável Filósofo. Há os que se aproximam da Bíblia como se fosse apenas uma coletânea de jóias literárias. Se tirássemos todos esses grupos da Igreja, eu me pergunto quantos restariam! Receio que esse “muitos” assumiria proporções alarmantes!
Creio que não preciso me justificar se lhes fizer a pergunta: “Vocês seguem a Cristo? Já se defrontaram com esta pergunta? Já encararam estas possibilidades face a face?” Essas pessoas que eu mencionei estavam seguindo a Cristo. Tinham estado com Ele por vários dias; consideravam-se Seus discípulos. Mas então lemos que muitos dos Seus discípulos, Seus seguidores, aqueles que tinham ouvido Suas palavras, já não andavam mais com Ele. Porque é que nós O seguimos? Somos motivados pela razão correta ou somos culpados de seguirmos motivados por uma dessas razões falsas? Qual é a verdadeira razão para seguirmos a Cristo? A resposta naturalmente está nas grandes palavras de Simão Pedro: “Então disse Jesus aos doze: quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe pois Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus”. Ora, podemos nos alegrar com esta resposta, pois, como o contexto nos revela, o Senhor testou a fé do doze. Muitos estavam se afastando. “Lá vão eles; estão vendo?” diz o Senhor, voltando-Se para os doze. “Eles ouviram os mesmo sermões que vocês, e viram os mesmos milagres; vocês estão exatamente na mesma posição. Querem ir com eles? Vocês tem Me seguido pela mesma razão que eles? Porque, se é assim, prefiro que não Me sigam. Vocês também querem retirar-se?” E Simão Pedro respondeu com confiança e com certeza. Temos aqui, em suas palavras, o mínimo irreduzível do verdadeiro discípulado cristão. Que significam essas palavras de Pedro? Precisamos dividi-las e analisá-las. “Senhor, para quem iremos nós?” ele indaga. Devemos interpretar essa frase unicamente de uma forma emocional? Como se Pedro tivesse se voltado para o Senhor, dizendo: “Tivemos tantos momentos maravilhoso juntos, e a vida seria impossível sem Ti”. Era simplesmente uma ligação emocional? Sim, era, mas também era muito mais que isso. Era uma definição de fé básica e profunda. “A quem iremos, se Te deixarmos?” Por que ir a alguém? Por que Pedro faz essa pergunta? Porque aqui descobrimos a declaração primária da confissão cristã. Pedro pergunta: “A quem iremos nós?” Porque entende que não pode salvar-se a si mesmo. Pedro havia compreendido há muito tempo sua própria condição sem esperança. Ele estava buscando salvação em alguém fora de si mesmo. E, tendo enfrentado a lei, e tendo visto a João Batista, e tendo contemplado a face de Cristo, ele tinha reconhecido há muito tempo a sua condição diante de Deus. Junto com os seus compatriotas, ele estivera aguardando o Messias. Todavia, Pedro não se limita a admitir que não pode salvar a si mesmo. Ele também declara aqui, peremptoriamente, que tem certeza absoluta que ninguém mais pode salvá-lo senão Cristo. A quem mais podemos seguir? Não há nenhum outro. “Eu não posso me salvar a mim mesmo e nenhum homem pode me salvar”, diz Pedro. Sempre há esta declaração negativa na confissão cristã primária e básica. Eu me pergunto em quê, ou em quem, estamos depositando a nossa confiança e a nossa fé? O homem que tem qualquer alternativa concebível para Cristo não é um cristão. A que nos apegamos, quando pensamos em morte e eternidade? Ainda estamos confiando nessa ilusão de um mundo que está, supostamente, avançando e se desenvolvendo? Ainda imaginamos, credulamente, que meras realizações intelectuais podem nos preparar para o céu?
“Não posso salvar a mim mesmo”, diz Pedro. “Homens não podem me salvar. O mundo não pode me salvar. Mas eu creio que Tu podes”. E ele dá esta razão: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Tu tens as palavras da vida eterna”. Na face de Jesus Cristo, Pedro viu a Deus.
Vocês já tomaram uma posição com Simão Pedro? Já compreenderam sua própria falência e pecaminosidade? Já disseram a Cristo: “Tu tens que me salvar, e Tu somente?” Pedro não se contenta em apenas declarar que Cristo é o Filho do Deus vivo. Ele diz: “Não podemos Te deixar, pois Tu tens as palavras da vida eterna”. Foram essas palavras de Cristo que fizeram com que os outros se retirassem. Essas pessoas tinham seguido a Cristo; tinham escutado Seus sermões; tinham observado Seus milagres. Então nosso Senhor, em uma de Suas mensagens, comparou-Se a Si mesmo com o maná mandado do céu, e continuou dizendo que Ele era o pão da vida, e quem não comesse da Sua carne jamais poderia ter vida eterna. “Muitos pois dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: duro é este discurso”. E finalmente acabaram se afastando por causa dessas palavras. Ele falou que os homens deviam comer da Sua carne e beber do Seu sangue, e estabeleceu isso como uma condição essencial para a vida eterna. “Como pode ser isto?” perguntaram. Foram essas palavras que os ofenderam. Pedro, no entanto, diz: “Eu não entendo tudo, mas eu creio”. Meus amigos, não basta atribuirmos divindade a Jesus de Nazaré de forma singular. Não é suficiente que creiamos sem Seus milagres e em Suas obras sobrenaturais. Nós somente estamos seguindo Cristo, real e verdadeiramente, quando cremos que é Ele quem opera a nossa salvação através do Seu corpo quebrado e Seu sangue derramado. “Eu não entendo a doutrina da expiação; não posso compreender seu significado; parece absurda, e quase imoral”, vocês dizem. Não estou pedindo que entendem isso tudo. Simão Pedro não entendia, mas assim mesmo a aceitou, e entregou a sua vida a Cristo. Jesus Cristo Se oferece a nós, crucificado e ressurreto — alguém que foi ferido pelos açoites que nós merecíamos, que deu Sua vida em resgate por muitos, que, pelo Seu Espírito Santo, quer habitar em nós; que não só nos liberta da culpa do nosso pecado passado, mas que também nos liberta do poder do pecado, e da poluição do pecado, e que está adiante do nós, dizendo: “Apropriem-se de Mim”.
“Quereis vós também retirar-vos?” Milhares estão se retirando. Na verdade, esta nação e o mundo estão se tornando cada vez mais ímpios. O homem, em seu orgulho intelectual, está rejeitando a Palavra de Deus. “Quereis também vos retirar-vos?” Que todos nos voltemos para Ele, como Simão Pedro, dizendo: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus”.
Sermão pregado na manhã da primeira visita do Dr. Lloyd-Jones à Capela de Westminster, no dia 29 de dezembro de 1935; e anteriormente, em Sandfields.
Fonte: Sermões Evangelísticos, Editora PES
.O objetivo deste blog é a comunhão ampla e aberta.Também debater sobre temas polêmicos.Tudo para a edificação da congregação de Yeshua.
domingo, 28 de março de 2010
Estamos na Vontade de Deus?
Olhemos para o Senhor Jesus!
Em 1 Coríntios 3, Paulo diz ser como um "prudente construtor". Se você deseja ser bem preciso, Paulo não está dizendo que ele era o arquiteto, mas sim um mestre de obras. O arquiteto é o próprio Deus, e Ele lança o fundamento. Paulo nos diz que não podemos lançar nenhum outro fundamento a não ser aquele que é Cristo Jesus. Cristo Jesus é o único fundamento, mas depois que o fundamento é lançado, tenha cuidado com aquilo que você edifica sobre ele. Algumas pessoas edificam sobre o fundamento usando ouro, prata e pedras preciosas, e outros edificam sobre ele com madeira, feno e palha. Você percebe a diferença?
Usando madeira, feno e palha, você pode construir uma grande casa. Isso é possível porque não vai custar muito dinheiro. Entretanto, se você quiser construir com ouro, prata e pedras preciosas, quão grande será a casa que você poderá construir? Ela custará muito caro. A madeira representa a natureza do homem. Um homem de pé é como um árvore, e por isso a Bíblia sempre usa a madeira para representar a natureza do homem. O feno nos fala da glória do homem. Em 1 Pedro lemos que toda carne é como erva, e a glória do homem é como a flor da erva. Seca-se a erva e cai a sua flor, mas a palavra de Deus permanece eternamente. A palha nos fala da obra do homem, porque os homens usavam palha na mistura para fazer tijolos.
Se alguma coisa é obra do homem, se é para a glória do homem ou se o próprio homem que a está fazendo, então você pode fazer algo grande e espetacular. Contudo, espere até que o fogo apareça. Nesse momento, sua obra será provada. Você vai aprender que madeira, feno e palha são os materiais apropriados - como combustível para o fogo. Ele serão totalmente consumidos. Certamente você será salvo, pois o fundamento não pode ser queimado. O fundamento é Cristo. Mas você será salvo por um triz. Contudo, olhe para o ouro, a prata e as pedras preciosas. O ouro é a natureza de Deus; a prata é a redenção de Cristo e as pedras preciosas são a obra do Espírito Santo. Estes materiais são caros. No tribunal de Cristo, você vai notar que o fogo os faz incandescer e manifestar sua glória. O julgamento vai manifestar a glória do ouro, da prata e das pedras preciosas.
Você não acha que precisamos ter nosso conceito corrigido? Estamos sempre buscando algo grande e espetacular e consideramos que isso é sucesso, que é benção de Deus e que Deus tem que estar ali. No entanto, isso não é necessariamente verdade. Ao invés disso, penso que devemos estar preocupados com a seguinte pergunta: estamos na vontade de Deus? A obra na qual estamos envolvidos é parte do desenvolvimento da obra de Deus rumo à concretização de Seu propósito? Se for assim, então Deus reconhece essa obra como Sua e isso é tudo que importa.
Recebi uma carta de um irmão tempo atrás, na qual ele me dava duas notícias. Uma delas falava de algo que estava acontecendo na Coréia. Você provavelmente sabe a respeito disso. Há uma igreja lá que é a maior igreja do mundo, com um milhão de membros. Aquele irmão estava maravilhado com isso. Ele pensava que aquilo era algo fantástico. Deus tinha que estar abençoando aquela obra. Então ele passou para a segunda notícia, na qual contava sobre outro grupo no mesmo local cujo número de integrantes estava diminuindo, e isso o decepcionava muito. Segundo nossa natureza humana, nós sempre julgamos as coisas pela aparência externa. Contudo, esperemos e vejamos como Deus vê.
Isso não quer dizer que Deus não possa estar presente em algo que seja grande. Não estou afirmando tal coisa. Entretanto, a verdade é que a satisfação divina não está relacionada a ser grande ou pequeno. Isso não importa. Não olhe para isso, não avalie através desse critério, mas veja como Deus vê, fazendo a seguinte pergunta: isso é a vontade de Deus? Será que você está alinhado com o trabalho de Deus rumo a seu propósito? Isso é o que importa. Este é o primeiro princípio e eu penso que precisamos aplicar este princípio vez após vez.
Nosso Senhor triunfou aos olhos do Pai
Olhe para o Senhor Jesus. Quando o Senhor nasceu, os magos, os reis do oriente viram a estrela. Eles vieram para adorar o Rei que havia nascido. Para que lugar se dirigiram? Eles foram à Jerusalém. Naturalmente, eles pensaram que o Rei só poderia ter nascido na capital, Jerusalém. Eles não sabiam que o Rei havia nascido em Belém.
Quando o Senhor Jesus estava na terra, Ele foi à Jerusalém muitas e muitas vezes, mas não ficava lá. Você sabe onde Ele ficava? No pequeno vilarejo de Betânia, na casa de Marta, Maria e Lázaro. Pense sobre isso: Quando o Senhor Jesus estava pregando e grandes multidões o seguiam, o que ele fazia? Ele se voltava para seus ouvintes e os desafiava, dizendo: "Se alguém quer ser meu discípulo, tem que amar-me mais do que pai, mãe, irmão, irmã, esposa, filhos e sua própria vida; de outro modo você não pode ser meu discípulo". Acaso isso não parece absurdo? Tantas pessoas seguindo ao Senhor, e Ele as desafia com tais palavras. Não é de se admirar que as pessoas achassem muito duras as palavras que Ele dizia. Quem pode ouvir tais palavras? Até mesmo muitos dos seus discípulos o abandonaram. Isso porventura perturbou o Senhor Jesus? Ele voltou-se para os doze que havia escolhido e disse: "Vocês também querem ir? Sintam-se à vontade para fazê-lo". Graças a Deus, Pedro disse: "Senhor, tu tens as palavras da vida eterna. Nós sabemos que tu és Cristo. Para onde iremos"? Mais tarde, na última ceia, durante a Páscoa, quando o Senhor reuniu os doze, um deles o traiu. Ao pé da cruz, somente João estava presente, acompanhado de algumas mulheres.
Se julgarmos pelas aparências externas, certamente nosso Senhor foi um fracasso. Contudo, será verdade que Ele foi um fracasso? Aos olhos de Deus, Ele foi um sucesso. Na cruz, Ele não apenas derramou o seu sangue para remissão de nossos pecados, mas Ele também tomou a velha criação com Ele e a crucificou. Ele pregou as ordenanças da lei e tudo o que nos acusava naquela cruz e nos libertou. Além disso, na cruz Ele desbaratou seus inimigos - satanás e os poderes das trevas. Ele os derrotou e fez deles um espetáculo público. Sua obra foi um sucesso.
O cristianismo é muito grande
Irmãos, olhemos para a história da igreja. Certa vez o Senhor apareceu para quinhentas pessoas. Pense nisso: o Senhor trabalhou por três anos e meio e após sua ressurreição, o maior número de pessoas reunidas ao qual Ele aparece é de quinhentos. Não parece trágico? Naquela ocasião, Ele disse aos quinhentos que retornassem a Jerusalém e esperassem lá até receberem poder do alto. Após isso, o Senhor disse que eles poderiam ser suas testemunhas em Jerusalém, na Judéia, Samaria e até os confins da terra. Contudo, somente cento e vinte ouviram ao Senhor. eles viram a ascensão do Senhor, contudo muitos não creram nele e não o obedeceram. Somente cento e vinte permaneceram naquele cenáculo por dez dias, orando em unanimidade. No dia de Pentecostes, o Espírito Santo veio e eles foram batizados em um Espírito num só corpo. Este foi o começo da igreja.
É verdade que foi de três mil o acréscimo naquele único dia. É também verdade que, num período de trinta anos, o evangelho foi pregado até os confins da terra. Quando lemos o capítulo 28 de Atos, encontramos Paulo em Roma, numa casa que alugara, e sabemos que Roma era o fim do mundo conhecido na época. Entretanto, você sabe que mesmo antes do fim do primeiro século a decadência já tinha começado na igreja? Nesse momento, a heresia e a corrupção estavam penetrando nela. Temos as sete cartas escritas pelo apóstolo João, ou melhor, pelo Senhor ressurreto, através do apóstolo João, às sete igrejas da Ásia (Ap 2 e 3). O que encontramos nessas cartas? Exceto por uma igreja (a igreja de Filadélfia), o testemunho de Jesus não estava sendo mantido.
Depois que o imperador Constantino aceitou o cristianismo, ocorreu uma mudança importante: o cristianismo inchou e tornou-se muito grande e poderoso. Se lermos o capítulo 13 de Mateus, ali encontramos um grão de mostarda que representa a fé. Nossa fé é como uma semente de mostarda: como há vida nela, haverá crescimento. Quando ela cresce, torna-se um arbusto, uma planta humilde. Este é o projeto e propósito determinado por Deus para nós individualmente e para a igreja.
Entretanto, vemos na parábola que o grão de mostarda cresceu a ponto de tornar-se uma grande árvore: tornou-se algo anormal. Então as aves vieram a aninharam-se nessa árvore. A primeira e básica parábola de Mateus 13 nos ensina que as "aves" dizem respeito ao maligno. O propósito de Deus deveria manter a igreja humilde como uma planta: viva, mas humilde. Todavia, você descobre que o homem surge em cena e opera de forma a inflar a igreja, tornando-a anormalmente grande. Nós queremos uma instituição grande e forte; contudo, ela se torna um ninho para os filhos do maligno. Todo tipo de corrupção entra nela. Em Mateus, esta parábola é seguida por outra que apresenta três medidas de farinha misturada com fermento. O fermento sempre nos fala de conduta corrupta ou doutrina corrupta. A medida de farinha deveria ser uma oferta de manjares a Deus, mas agora está toda levedada. Ela satisfaz o gosto do homem, mas não pode mais ser oferecida a Deus. É isso que o cristianismo é hoje em dia: algo grande.
Fonte: Extraído do livro "O Dia das Pequenas Coisas" do irmão Stephen Kaung
Em 1 Coríntios 3, Paulo diz ser como um "prudente construtor". Se você deseja ser bem preciso, Paulo não está dizendo que ele era o arquiteto, mas sim um mestre de obras. O arquiteto é o próprio Deus, e Ele lança o fundamento. Paulo nos diz que não podemos lançar nenhum outro fundamento a não ser aquele que é Cristo Jesus. Cristo Jesus é o único fundamento, mas depois que o fundamento é lançado, tenha cuidado com aquilo que você edifica sobre ele. Algumas pessoas edificam sobre o fundamento usando ouro, prata e pedras preciosas, e outros edificam sobre ele com madeira, feno e palha. Você percebe a diferença?
Usando madeira, feno e palha, você pode construir uma grande casa. Isso é possível porque não vai custar muito dinheiro. Entretanto, se você quiser construir com ouro, prata e pedras preciosas, quão grande será a casa que você poderá construir? Ela custará muito caro. A madeira representa a natureza do homem. Um homem de pé é como um árvore, e por isso a Bíblia sempre usa a madeira para representar a natureza do homem. O feno nos fala da glória do homem. Em 1 Pedro lemos que toda carne é como erva, e a glória do homem é como a flor da erva. Seca-se a erva e cai a sua flor, mas a palavra de Deus permanece eternamente. A palha nos fala da obra do homem, porque os homens usavam palha na mistura para fazer tijolos.
Se alguma coisa é obra do homem, se é para a glória do homem ou se o próprio homem que a está fazendo, então você pode fazer algo grande e espetacular. Contudo, espere até que o fogo apareça. Nesse momento, sua obra será provada. Você vai aprender que madeira, feno e palha são os materiais apropriados - como combustível para o fogo. Ele serão totalmente consumidos. Certamente você será salvo, pois o fundamento não pode ser queimado. O fundamento é Cristo. Mas você será salvo por um triz. Contudo, olhe para o ouro, a prata e as pedras preciosas. O ouro é a natureza de Deus; a prata é a redenção de Cristo e as pedras preciosas são a obra do Espírito Santo. Estes materiais são caros. No tribunal de Cristo, você vai notar que o fogo os faz incandescer e manifestar sua glória. O julgamento vai manifestar a glória do ouro, da prata e das pedras preciosas.
Você não acha que precisamos ter nosso conceito corrigido? Estamos sempre buscando algo grande e espetacular e consideramos que isso é sucesso, que é benção de Deus e que Deus tem que estar ali. No entanto, isso não é necessariamente verdade. Ao invés disso, penso que devemos estar preocupados com a seguinte pergunta: estamos na vontade de Deus? A obra na qual estamos envolvidos é parte do desenvolvimento da obra de Deus rumo à concretização de Seu propósito? Se for assim, então Deus reconhece essa obra como Sua e isso é tudo que importa.
Recebi uma carta de um irmão tempo atrás, na qual ele me dava duas notícias. Uma delas falava de algo que estava acontecendo na Coréia. Você provavelmente sabe a respeito disso. Há uma igreja lá que é a maior igreja do mundo, com um milhão de membros. Aquele irmão estava maravilhado com isso. Ele pensava que aquilo era algo fantástico. Deus tinha que estar abençoando aquela obra. Então ele passou para a segunda notícia, na qual contava sobre outro grupo no mesmo local cujo número de integrantes estava diminuindo, e isso o decepcionava muito. Segundo nossa natureza humana, nós sempre julgamos as coisas pela aparência externa. Contudo, esperemos e vejamos como Deus vê.
Isso não quer dizer que Deus não possa estar presente em algo que seja grande. Não estou afirmando tal coisa. Entretanto, a verdade é que a satisfação divina não está relacionada a ser grande ou pequeno. Isso não importa. Não olhe para isso, não avalie através desse critério, mas veja como Deus vê, fazendo a seguinte pergunta: isso é a vontade de Deus? Será que você está alinhado com o trabalho de Deus rumo a seu propósito? Isso é o que importa. Este é o primeiro princípio e eu penso que precisamos aplicar este princípio vez após vez.
Nosso Senhor triunfou aos olhos do Pai
Olhe para o Senhor Jesus. Quando o Senhor nasceu, os magos, os reis do oriente viram a estrela. Eles vieram para adorar o Rei que havia nascido. Para que lugar se dirigiram? Eles foram à Jerusalém. Naturalmente, eles pensaram que o Rei só poderia ter nascido na capital, Jerusalém. Eles não sabiam que o Rei havia nascido em Belém.
Quando o Senhor Jesus estava na terra, Ele foi à Jerusalém muitas e muitas vezes, mas não ficava lá. Você sabe onde Ele ficava? No pequeno vilarejo de Betânia, na casa de Marta, Maria e Lázaro. Pense sobre isso: Quando o Senhor Jesus estava pregando e grandes multidões o seguiam, o que ele fazia? Ele se voltava para seus ouvintes e os desafiava, dizendo: "Se alguém quer ser meu discípulo, tem que amar-me mais do que pai, mãe, irmão, irmã, esposa, filhos e sua própria vida; de outro modo você não pode ser meu discípulo". Acaso isso não parece absurdo? Tantas pessoas seguindo ao Senhor, e Ele as desafia com tais palavras. Não é de se admirar que as pessoas achassem muito duras as palavras que Ele dizia. Quem pode ouvir tais palavras? Até mesmo muitos dos seus discípulos o abandonaram. Isso porventura perturbou o Senhor Jesus? Ele voltou-se para os doze que havia escolhido e disse: "Vocês também querem ir? Sintam-se à vontade para fazê-lo". Graças a Deus, Pedro disse: "Senhor, tu tens as palavras da vida eterna. Nós sabemos que tu és Cristo. Para onde iremos"? Mais tarde, na última ceia, durante a Páscoa, quando o Senhor reuniu os doze, um deles o traiu. Ao pé da cruz, somente João estava presente, acompanhado de algumas mulheres.
Se julgarmos pelas aparências externas, certamente nosso Senhor foi um fracasso. Contudo, será verdade que Ele foi um fracasso? Aos olhos de Deus, Ele foi um sucesso. Na cruz, Ele não apenas derramou o seu sangue para remissão de nossos pecados, mas Ele também tomou a velha criação com Ele e a crucificou. Ele pregou as ordenanças da lei e tudo o que nos acusava naquela cruz e nos libertou. Além disso, na cruz Ele desbaratou seus inimigos - satanás e os poderes das trevas. Ele os derrotou e fez deles um espetáculo público. Sua obra foi um sucesso.
O cristianismo é muito grande
Irmãos, olhemos para a história da igreja. Certa vez o Senhor apareceu para quinhentas pessoas. Pense nisso: o Senhor trabalhou por três anos e meio e após sua ressurreição, o maior número de pessoas reunidas ao qual Ele aparece é de quinhentos. Não parece trágico? Naquela ocasião, Ele disse aos quinhentos que retornassem a Jerusalém e esperassem lá até receberem poder do alto. Após isso, o Senhor disse que eles poderiam ser suas testemunhas em Jerusalém, na Judéia, Samaria e até os confins da terra. Contudo, somente cento e vinte ouviram ao Senhor. eles viram a ascensão do Senhor, contudo muitos não creram nele e não o obedeceram. Somente cento e vinte permaneceram naquele cenáculo por dez dias, orando em unanimidade. No dia de Pentecostes, o Espírito Santo veio e eles foram batizados em um Espírito num só corpo. Este foi o começo da igreja.
É verdade que foi de três mil o acréscimo naquele único dia. É também verdade que, num período de trinta anos, o evangelho foi pregado até os confins da terra. Quando lemos o capítulo 28 de Atos, encontramos Paulo em Roma, numa casa que alugara, e sabemos que Roma era o fim do mundo conhecido na época. Entretanto, você sabe que mesmo antes do fim do primeiro século a decadência já tinha começado na igreja? Nesse momento, a heresia e a corrupção estavam penetrando nela. Temos as sete cartas escritas pelo apóstolo João, ou melhor, pelo Senhor ressurreto, através do apóstolo João, às sete igrejas da Ásia (Ap 2 e 3). O que encontramos nessas cartas? Exceto por uma igreja (a igreja de Filadélfia), o testemunho de Jesus não estava sendo mantido.
Depois que o imperador Constantino aceitou o cristianismo, ocorreu uma mudança importante: o cristianismo inchou e tornou-se muito grande e poderoso. Se lermos o capítulo 13 de Mateus, ali encontramos um grão de mostarda que representa a fé. Nossa fé é como uma semente de mostarda: como há vida nela, haverá crescimento. Quando ela cresce, torna-se um arbusto, uma planta humilde. Este é o projeto e propósito determinado por Deus para nós individualmente e para a igreja.
Entretanto, vemos na parábola que o grão de mostarda cresceu a ponto de tornar-se uma grande árvore: tornou-se algo anormal. Então as aves vieram a aninharam-se nessa árvore. A primeira e básica parábola de Mateus 13 nos ensina que as "aves" dizem respeito ao maligno. O propósito de Deus deveria manter a igreja humilde como uma planta: viva, mas humilde. Todavia, você descobre que o homem surge em cena e opera de forma a inflar a igreja, tornando-a anormalmente grande. Nós queremos uma instituição grande e forte; contudo, ela se torna um ninho para os filhos do maligno. Todo tipo de corrupção entra nela. Em Mateus, esta parábola é seguida por outra que apresenta três medidas de farinha misturada com fermento. O fermento sempre nos fala de conduta corrupta ou doutrina corrupta. A medida de farinha deveria ser uma oferta de manjares a Deus, mas agora está toda levedada. Ela satisfaz o gosto do homem, mas não pode mais ser oferecida a Deus. É isso que o cristianismo é hoje em dia: algo grande.
Fonte: Extraído do livro "O Dia das Pequenas Coisas" do irmão Stephen Kaung
quinta-feira, 25 de março de 2010
Um Homem, Uma Revolução
Idade Média, séc. XVI. A Basílica de São Pedro, em Roma, está sendo construída e para custear as despesas o papa Leão X tem uma brilhante idéia: vender indulgências. Assim, comprando um documento de indulgência assinado pelo Papa, a pessoa garantia seu lugar no céu, e poderia também garantir, desde que comprasse mais indulgências, o lugar de seus familiares vivos ou mortos. Conclama-se o maior marqueteiro da época, o dominicano Tetzel, na Alemanha, e essa bestialidade começa a ser vendida. Tetzel chegava a cantar: “quando a moeda na caixa tilintar a alma do purgatório vai saltar”. O povo pobre e crédulo da Alemanha, enganados pelos truques de prestidigitação (mágica) de Tetzel, e seus dotes propagandísticos, acorre para comprar aos montes. As caixas de Roma se enchem, o Papa Leão X exulta e luxa, e a população se afunda cada vez mais nas trevas da ignorância.
Wittemberg, Alemanha. Um sacerdote lê a Bíblia e a explica para o povo de sua paróquia. Ele fala a língua do povo, e diz que a salvação é apenas através da fé na obra redentora de Cristo, que não pode ser comprada ou vendida, mas se aceita a mesma em arrependimento, convicção de pecados e obediência a Deus. Ele escreve um tratado em 95 teses e o prega na porta da capela do castelo da cidade, local público para que fosse visto pelo maior número de pessoas possível. Era o dia 31 de outubro de 1517, e o homem era Matinho Lutero.
A partir desse episódio estava começando a maior revolução religiosa da história, surgia oProtestantismo. Agora passa a ser ensinado que só a graça é a fonte da salvação; só a fé, é a “mão” que a recebe; só as Escrituras são as palavras de Deus; só Cristo é o Salvador e o caminho para o céu; e só a Deusdeve-se dar toda a glória. Eram estes os pilares da Reforma que começavam a ressoar por todo canto. Um homem guiado por Deus fez uma revolução.
Neste mês, quando os Protestantes de todo o mundo lembram desta data, que o mesmo Deus que usou Lutero e lhe deu coragem, dê coragem aos pastores sérios desse país para fazer uma santa revolução novamente, pois o estado da igreja carece. Que pastores e membros se disponham nas mãos do Senhor, pois a igreja precisa. Será que você será o Lutero desta geração? Pregue o evangelho bíblico, fuja dos subterfúgios e invenções modernas, fuja da religião mágica das igrejas neo-pentecostais, e ministérios estranhos modernos, fuja das “igrejas” que só visam dinheiro e bênçãos materiais, volte-se para a Bíblia como única regra de fé e prática, lida e respeitada no seu contexto e mensagem. Volte-se para o evangelho de Cristo e dos apóstolos que pregavam arrependimento e conversão, não um mero levantar de mãos em um culto, mas a transformação da vida em adoração a Deus.
Este é o tempo, esta é a hora. Se você espera grandes coisas de Deus, ouse grandes coisas para Deus.
Wittemberg, Alemanha. Um sacerdote lê a Bíblia e a explica para o povo de sua paróquia. Ele fala a língua do povo, e diz que a salvação é apenas através da fé na obra redentora de Cristo, que não pode ser comprada ou vendida, mas se aceita a mesma em arrependimento, convicção de pecados e obediência a Deus. Ele escreve um tratado em 95 teses e o prega na porta da capela do castelo da cidade, local público para que fosse visto pelo maior número de pessoas possível. Era o dia 31 de outubro de 1517, e o homem era Matinho Lutero.
A partir desse episódio estava começando a maior revolução religiosa da história, surgia oProtestantismo. Agora passa a ser ensinado que só a graça é a fonte da salvação; só a fé, é a “mão” que a recebe; só as Escrituras são as palavras de Deus; só Cristo é o Salvador e o caminho para o céu; e só a Deusdeve-se dar toda a glória. Eram estes os pilares da Reforma que começavam a ressoar por todo canto. Um homem guiado por Deus fez uma revolução.
Neste mês, quando os Protestantes de todo o mundo lembram desta data, que o mesmo Deus que usou Lutero e lhe deu coragem, dê coragem aos pastores sérios desse país para fazer uma santa revolução novamente, pois o estado da igreja carece. Que pastores e membros se disponham nas mãos do Senhor, pois a igreja precisa. Será que você será o Lutero desta geração? Pregue o evangelho bíblico, fuja dos subterfúgios e invenções modernas, fuja da religião mágica das igrejas neo-pentecostais, e ministérios estranhos modernos, fuja das “igrejas” que só visam dinheiro e bênçãos materiais, volte-se para a Bíblia como única regra de fé e prática, lida e respeitada no seu contexto e mensagem. Volte-se para o evangelho de Cristo e dos apóstolos que pregavam arrependimento e conversão, não um mero levantar de mãos em um culto, mas a transformação da vida em adoração a Deus.
Este é o tempo, esta é a hora. Se você espera grandes coisas de Deus, ouse grandes coisas para Deus.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Visão Embaçada
"A Igreja é um organismo vivo porque a Igreja é o corpo de Cristo".
"O verdadeiro Evangelho não ludibria as pessoas; pelo contrário, abre os seus olhos"
“... o deus deste século (Satanás) cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.” – 2 Coríntios 4.4
A imagem que muitos têm produzido da igreja é realmente lamentável. São tantos nomes terríveis, nomes de blasfêmia; são tantas práticas místicas e obscuras. A cada dia os homens parecem surpreender com as suas próprias invenções e afrontas ao Deus Altíssimo. É simplesmente deplorável ver pessoas que afirmam ser cristãs – e acredito que muitas são – servindo de instrumento de Satanás na construção do seu governo.
Todavia, por outro lado, a Escritura Sagrada é infalível, portanto esta distorção do Evangelho é algo esperado e anunciado pela própria Bíblia. A apostasia é real e perfeitamente visível em nossos dias.
Abaixo, estão alguns textos que simplesmente dispensam qualquer comentário.
Veja o que o próprio Jesus Cristo disse:
“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.” Mateus 7.15
“E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. (...) porque surgirão falsos cristos e falsos profetas e farão tão grandes sinais e prodígios, que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” Mateus 24.11,24
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” – Mateus 7.21
Agora veja o que Paulo disse:
“Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si.” Atos 20.29
“Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo.” 2 Coríntios 11.13
“Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência,” - 1 Timóteo 4.1,2
“Se alguém ensina alguma outra doutrina e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, contendas de homens corruptos de entendimento e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho. Aparta-te dos tais.” - 1 Timóteo 6.3-5
“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.” – 2 Timóteo 3.1-5
“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” - 2 Timóteo 4.3,4
Observe agora o que Pedro disse:
“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos, repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade; e, por avareza, farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” 2 Pedro 1-3
E por fim olhe o que João disse:
“Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo..” 1 João 4:1
Acredito que olhando estes textos, certamente iremos ver a realidade estampada a nossa frente. O que acontece hoje já havia sido previsto há muito tempo.
O equívoco começa com o conceito inadequado da IGREJA. Essas aberrações que vemos hoje, juntamente com as grandes e pomposas instituições religiosas que muitas vezes passam desapercebidas, bem como também algumas seitas que se dizem cristãs, NÃO SÃO A IGREJA.
Não existe, em nenhuma página ou frase da Bíblia, fundamento para o denomicionalismo. O que a Palavra de Deus revela sobre a Igreja é algo que a grande maioria das instituições religiosas do mundo não prega; ou por ignorância ou por conveniência.
A Igreja não é uma organização humana embora tenha que existir organização na Igreja, mas A IGREJA É UM ORGANISMO VIVO. A genuína Igreja não foi criada, não é mantida e nem é edificada pelo homem, e muito menos pertence a nenhum de nós.
Na Bíblia, toda vez que uma palavra ocorre pela primeira vez, um princípio é estabelecido. E a primeira vez que a palavra IGREJA aparece em toda a Bíblia (Antigo e Novo Testamento) é no capítulo 16 do Evangelho de Mateus.
Observe o que o Senhor Jesus disse:
“Pois também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja....” – Mateus 16.18
Este é o principal versículo que é mal interpretado ou inescrupulosamente bem intencionado pela Igreja Católica para sustentar a idéia de que Pedro é o fundamento da Igreja, considerando-o como o primeiro papa, justificando assim toda tradição eclesiástica, dominadora e intransigente do catolicismo romano desde o primeiro século d.C..
No entanto, para que tenhamos uma correta interpretação desse texto é preciso, em primeiro lugar, que ele seja revelado pelo Espírito Santo, e também que entendamos o significado de algumas palavras no idioma original em que foram escritas.
A palavra Pedro, no grego é petros que significa pedra pequena, ou um torrão (que faz alusão ao pó da terra). Já a palavra pedra, no grego é petra que significa pedra grande ou Rocha (que faz alusão a Cristo).
Veja estes textos:
“Vive o SENHOR, e bendita seja a minha Rocha! Exaltado seja o meu Deus, a Rocha da minha salvação!” - 2 Samuel 22.47
“Não vos assombreis, nem temais; porventura, desde então, não vo-lo fiz ouvir e não vo-lo anunciei? Porque vós sois as minhas testemunhas. Há outro Deus além de mim? Não! Não há outra Rocha que eu conheça.” - Isaías 44.8
“Ouvi-me, vós que seguis a justiça, que buscais ao SENHOR; olhai para a rocha...” - Isaías 51.1
“Portanto, assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu assentei em Sião uma pedra, pedra já provada, pedra preciosa, angular, solidamente assentada; aquele que crer não foge.” - Isaías 28.16
“Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular.” - Atos 4.11
“edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular.” - Efésios 2.20
“Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa. Pois isso está na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado.” - 1 Pedro 2.4,6
“A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se cabeça de esquina.” - Salmos 118.22
“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha.” - Mateus 7.24
“e beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo.” - 1 Coríntios 10.4
Então, voltando ao texto de Mateus 16.18, podemos perceber que Jesus se refere a si mesmo quando diz: “... sobre esta pedra...”. É sobre Ele, e não sobre Pedro, que a Igreja é edificada. Esta é a primeira grande verdade encontrada neste texto.
“Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.” – 1Coríntios 3.11
Continuemos:
“... (eu) edificarei a minha igreja...”
Neste pequeno, mas profundo e revelador texto, há princípios estabelecidos que se não entendermos, com certeza não teremos uma visão clara da Igreja. Observemos que o verbo “edificarei” está na primeira pessoa do singular. Isso quer dizer que é Jesus quem edifica. Só Ele pode construir a Igreja, porque segundo a Palavra de Deus, a Igreja é a Sua habitação.
“O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens.” – Atos 17.24
“Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” - 1 Coríntios 3.16
“para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.” 1 Timóteo 3.15
“Cristo, porém, como Filho, em sua casa; a qual casa somos nós” - Hebreus 3.6
“no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.” - Efésios 2.22
Atentemos agora para o pronome possessivo na primeira pessoa do singular: “... minha...”. O que indica que a Igreja tem apenas um proprietário; o Senhor Jesus. E por último vemos que o Senhor não dá nenhum nome denominativo à Sua Igreja; e a palavra “... igreja...” está também no singular. O que significa que no aspecto universal, a Igreja é única; não há mais de uma Igreja (segundo a Bíblia). Quando a Escritura menciona as igrejas, se refere ao aspecto particular do reunir que envolve a questão geográfica em primeira instância.
Veja o que Jesus disse:
“Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” – Mateus 18.20
O princípio estabelecido neste versículo relaciona-se ao aspecto prático da Igreja, enquanto que o texto de Mateus 16.18 que vimos antes se relaciona ao seu aspecto doutrinário.
E se observarmos com cuidado, todas as cartas de Paulo são endereçadas aos irmãos que viviam em certas cidades.
Vejamos os textos a seguir:
“A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos...” – Romanos 1.7
“à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” – 1Coríntios 1.2
“Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus” – Efésios 1.1
Se tomarmos a construção de uma casa como exemplo, talvez entendamos melhor. Vamos lá: Para que uma casa seja construída, ela precisa de uma base. E qual é a base de uma casa? Certamente é o terreno. Tendo o terreno, qual o próximo passo? O alicerce. Só depois do alicerce, ou fundamento se preferir, é que começa a se colocar os tijolos, ou as pedras.
Então, segundo a Bíblia, a cidade é a base; o fundamento, ou alicerce, é Cristo; e os tijolos, ou pedras vivas, somos nós, os que crêem em Jesus como Senhor e Salvador. Portanto, embora existam vários locais de reunião do povo de Deus (se esse povo se reúne em nome de Jesus verdadeiramente), em cada cidade só há uma igreja local que é parte da única, santa e gloriosa Igreja do nosso Senhor Jesus Cristo.
Vamos ver apenas mais alguns textos para concluirmos:
“Chegando-vos para ele (Jesus), a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos (os membros da Igreja), como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.” – 1 Pedro 2.4,5
A Igreja é um organismo vivo porque A IGREJA É O CORPO DE CRISTO. A Bíblia faz referência a Jesus como A CABEÇA, e a Igreja como O SEU CORPO; um corpo com muitos membros. Enquanto o nosso Senhor Jesus (a Cabeça) está assentado à direita de Deus nas alturas, a Igreja (o Corpo de Cristo) está aqui na Terra representando-O diante dos homens. A verdadeira Igreja deve refletir o Senhor Jesus aqui nesse mundo. Todavia, o que temos visto é uma imensa parte da Igreja refletindo a si mesma, ou refletindo a imagem de seus líderes. Deus não está nem um pouco satisfeito com isso.
Na tipologia bíblica o sol, em algumas passagens, simboliza Cristo e a lua, a Igreja. E nós sabemos que a lua não tem luz própria, ela reflete a luz do sol. Assim também, a Igreja não tem nenhuma representatividade espiritual ou prática se Cristo não for o centro e o objetivo de todas as suas ações e reações.
“Ora, vós sois o corpo de Cristo e seus membros em particular.” - 1 Coríntios 12.27
“Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo.” - 1 Coríntios 11.3
“E sujeitou todas as coisas a seus pés e, sobre todas as coisas, o constituiu como cabeça da igreja,” - Efésios 1.22
“Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,” - Efésios 4.15
“porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo.” - Efésios 5.23
“E ele é a cabeça do corpo da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência,” - Colossenses 1.18
Diante de verdades tão profundas, se os nossos olhos forem abertos pelo Espírito Santo, é impossível não nos rendermos Àquele por quem todas as coisas foram feitas.
“No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens; Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” João 1.1-4,11-14
Que estupenda revelação! Mas, ao contrário, o que temos presenciado nos nossos dias é uma verdadeira orgia espiritual. É realmente o fim. É mesmo uma tristeza vermos um falso evangelho sendo pregado indiscriminadamente. Um evangelho antropocêntrico que centraliza a vontade humana e seus anseios almáticos mais obscuros em detrimento da verdadeira Palavra de Deus. Um evangelho que tem aproximado, em sua maioria, apenas aqueles que pensam em tirar alguma vantagem, algum proveito para si mesmo.
Um evangelho espúrio e superficial que tem afastado as pessoas do Caminho da Salvação (de Jesus) por conta do mau testemunho. Um evangelho humanista que tem se utilizado da mídia para se alto promover, ou antes, promover as suas lideranças e denominações. Um evangelho que tem exaltado Mamom e seus representantes. Um evangelho antibíblico, contrário à revelação das Sagradas Escrituras.
Não! Este não é o Evangelho do nosso Senhor Jesus! Esta não é a Igreja de Cristo! O verdadeiro Evangelho não ludibria as pessoas; pelo contrário, abre os seus olhos. O verdadeiro Evangelho não condena as pessoas, as salva. O verdadeiro Evangelho não escraviza os homens; ao contrário, os liberta. O verdadeiro Evangelho não divide os salvos, antes, promove a unidade do Corpo de Cristo em todos os aspectos. O verdadeiro Evangelho não intenta tornar os fiéis fantoches; mas vivifica a consciência e libera a mente das pessoas para que estejam cônscias de toda a verdade. O verdadeiro Evangelho não invade, não despreza, nem atropela a individualidade, a sigularidade de ninguém; afinal, Quem nos criou seres individuais e ímpares? Quem determinou os nossos temperamentos? Claro que foi Deus! O Senhor tem me dado fé para crer nessa verdade.
Então, o que acontece com aqueles que foram feitos Seus filhos, através da fé, pelo resgate da salvação que só há em Cristo Jesus? No caráter daqueles que estão sendo ensinados por Suas sãs palavras, o Espírito Santo de Deus está forjando o caráter do Senhor Jesus. É isso que acontece com os que são chamados segundo o Seu propósito.
Que possamos compreender esta verdade para que fujamos das garras da Babilônia e de suas filhas.
“E, na sua testa, estava escrito o nome: MISTÉRIO, A GRANDE BABILÔNIA, A MÃE DAS PROSTITUIÇÕES E ABOMINAÇÕES DA TERRA.” - Apocalipse 17.5
“Saí do meio dela, ó povo meu, e livre cada um a sua alma, por causa do ardor da ira do SENHOR.” - Jeremias 51.45
Que nós possamos ser completamente ganhos pelo Senhor Jesus!
"O verdadeiro Evangelho não ludibria as pessoas; pelo contrário, abre os seus olhos"
“... o deus deste século (Satanás) cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.” – 2 Coríntios 4.4
A imagem que muitos têm produzido da igreja é realmente lamentável. São tantos nomes terríveis, nomes de blasfêmia; são tantas práticas místicas e obscuras. A cada dia os homens parecem surpreender com as suas próprias invenções e afrontas ao Deus Altíssimo. É simplesmente deplorável ver pessoas que afirmam ser cristãs – e acredito que muitas são – servindo de instrumento de Satanás na construção do seu governo.
Todavia, por outro lado, a Escritura Sagrada é infalível, portanto esta distorção do Evangelho é algo esperado e anunciado pela própria Bíblia. A apostasia é real e perfeitamente visível em nossos dias.
Abaixo, estão alguns textos que simplesmente dispensam qualquer comentário.
Veja o que o próprio Jesus Cristo disse:
“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.” Mateus 7.15
“E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. (...) porque surgirão falsos cristos e falsos profetas e farão tão grandes sinais e prodígios, que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” Mateus 24.11,24
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” – Mateus 7.21
Agora veja o que Paulo disse:
“Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si.” Atos 20.29
“Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo.” 2 Coríntios 11.13
“Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência,” - 1 Timóteo 4.1,2
“Se alguém ensina alguma outra doutrina e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, contendas de homens corruptos de entendimento e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho. Aparta-te dos tais.” - 1 Timóteo 6.3-5
“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.” – 2 Timóteo 3.1-5
“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” - 2 Timóteo 4.3,4
Observe agora o que Pedro disse:
“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos, repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade; e, por avareza, farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” 2 Pedro 1-3
E por fim olhe o que João disse:
“Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo..” 1 João 4:1
Acredito que olhando estes textos, certamente iremos ver a realidade estampada a nossa frente. O que acontece hoje já havia sido previsto há muito tempo.
O equívoco começa com o conceito inadequado da IGREJA. Essas aberrações que vemos hoje, juntamente com as grandes e pomposas instituições religiosas que muitas vezes passam desapercebidas, bem como também algumas seitas que se dizem cristãs, NÃO SÃO A IGREJA.
Não existe, em nenhuma página ou frase da Bíblia, fundamento para o denomicionalismo. O que a Palavra de Deus revela sobre a Igreja é algo que a grande maioria das instituições religiosas do mundo não prega; ou por ignorância ou por conveniência.
A Igreja não é uma organização humana embora tenha que existir organização na Igreja, mas A IGREJA É UM ORGANISMO VIVO. A genuína Igreja não foi criada, não é mantida e nem é edificada pelo homem, e muito menos pertence a nenhum de nós.
Na Bíblia, toda vez que uma palavra ocorre pela primeira vez, um princípio é estabelecido. E a primeira vez que a palavra IGREJA aparece em toda a Bíblia (Antigo e Novo Testamento) é no capítulo 16 do Evangelho de Mateus.
Observe o que o Senhor Jesus disse:
“Pois também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja....” – Mateus 16.18
Este é o principal versículo que é mal interpretado ou inescrupulosamente bem intencionado pela Igreja Católica para sustentar a idéia de que Pedro é o fundamento da Igreja, considerando-o como o primeiro papa, justificando assim toda tradição eclesiástica, dominadora e intransigente do catolicismo romano desde o primeiro século d.C..
No entanto, para que tenhamos uma correta interpretação desse texto é preciso, em primeiro lugar, que ele seja revelado pelo Espírito Santo, e também que entendamos o significado de algumas palavras no idioma original em que foram escritas.
A palavra Pedro, no grego é petros que significa pedra pequena, ou um torrão (que faz alusão ao pó da terra). Já a palavra pedra, no grego é petra que significa pedra grande ou Rocha (que faz alusão a Cristo).
Veja estes textos:
“Vive o SENHOR, e bendita seja a minha Rocha! Exaltado seja o meu Deus, a Rocha da minha salvação!” - 2 Samuel 22.47
“Não vos assombreis, nem temais; porventura, desde então, não vo-lo fiz ouvir e não vo-lo anunciei? Porque vós sois as minhas testemunhas. Há outro Deus além de mim? Não! Não há outra Rocha que eu conheça.” - Isaías 44.8
“Ouvi-me, vós que seguis a justiça, que buscais ao SENHOR; olhai para a rocha...” - Isaías 51.1
“Portanto, assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu assentei em Sião uma pedra, pedra já provada, pedra preciosa, angular, solidamente assentada; aquele que crer não foge.” - Isaías 28.16
“Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular.” - Atos 4.11
“edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular.” - Efésios 2.20
“Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa. Pois isso está na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado.” - 1 Pedro 2.4,6
“A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se cabeça de esquina.” - Salmos 118.22
“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha.” - Mateus 7.24
“e beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo.” - 1 Coríntios 10.4
Então, voltando ao texto de Mateus 16.18, podemos perceber que Jesus se refere a si mesmo quando diz: “... sobre esta pedra...”. É sobre Ele, e não sobre Pedro, que a Igreja é edificada. Esta é a primeira grande verdade encontrada neste texto.
“Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.” – 1Coríntios 3.11
Continuemos:
“... (eu) edificarei a minha igreja...”
Neste pequeno, mas profundo e revelador texto, há princípios estabelecidos que se não entendermos, com certeza não teremos uma visão clara da Igreja. Observemos que o verbo “edificarei” está na primeira pessoa do singular. Isso quer dizer que é Jesus quem edifica. Só Ele pode construir a Igreja, porque segundo a Palavra de Deus, a Igreja é a Sua habitação.
“O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens.” – Atos 17.24
“Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” - 1 Coríntios 3.16
“para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.” 1 Timóteo 3.15
“Cristo, porém, como Filho, em sua casa; a qual casa somos nós” - Hebreus 3.6
“no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.” - Efésios 2.22
Atentemos agora para o pronome possessivo na primeira pessoa do singular: “... minha...”. O que indica que a Igreja tem apenas um proprietário; o Senhor Jesus. E por último vemos que o Senhor não dá nenhum nome denominativo à Sua Igreja; e a palavra “... igreja...” está também no singular. O que significa que no aspecto universal, a Igreja é única; não há mais de uma Igreja (segundo a Bíblia). Quando a Escritura menciona as igrejas, se refere ao aspecto particular do reunir que envolve a questão geográfica em primeira instância.
Veja o que Jesus disse:
“Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” – Mateus 18.20
O princípio estabelecido neste versículo relaciona-se ao aspecto prático da Igreja, enquanto que o texto de Mateus 16.18 que vimos antes se relaciona ao seu aspecto doutrinário.
E se observarmos com cuidado, todas as cartas de Paulo são endereçadas aos irmãos que viviam em certas cidades.
Vejamos os textos a seguir:
“A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos...” – Romanos 1.7
“à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” – 1Coríntios 1.2
“Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que vivem em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus” – Efésios 1.1
Se tomarmos a construção de uma casa como exemplo, talvez entendamos melhor. Vamos lá: Para que uma casa seja construída, ela precisa de uma base. E qual é a base de uma casa? Certamente é o terreno. Tendo o terreno, qual o próximo passo? O alicerce. Só depois do alicerce, ou fundamento se preferir, é que começa a se colocar os tijolos, ou as pedras.
Então, segundo a Bíblia, a cidade é a base; o fundamento, ou alicerce, é Cristo; e os tijolos, ou pedras vivas, somos nós, os que crêem em Jesus como Senhor e Salvador. Portanto, embora existam vários locais de reunião do povo de Deus (se esse povo se reúne em nome de Jesus verdadeiramente), em cada cidade só há uma igreja local que é parte da única, santa e gloriosa Igreja do nosso Senhor Jesus Cristo.
Vamos ver apenas mais alguns textos para concluirmos:
“Chegando-vos para ele (Jesus), a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos (os membros da Igreja), como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.” – 1 Pedro 2.4,5
A Igreja é um organismo vivo porque A IGREJA É O CORPO DE CRISTO. A Bíblia faz referência a Jesus como A CABEÇA, e a Igreja como O SEU CORPO; um corpo com muitos membros. Enquanto o nosso Senhor Jesus (a Cabeça) está assentado à direita de Deus nas alturas, a Igreja (o Corpo de Cristo) está aqui na Terra representando-O diante dos homens. A verdadeira Igreja deve refletir o Senhor Jesus aqui nesse mundo. Todavia, o que temos visto é uma imensa parte da Igreja refletindo a si mesma, ou refletindo a imagem de seus líderes. Deus não está nem um pouco satisfeito com isso.
Na tipologia bíblica o sol, em algumas passagens, simboliza Cristo e a lua, a Igreja. E nós sabemos que a lua não tem luz própria, ela reflete a luz do sol. Assim também, a Igreja não tem nenhuma representatividade espiritual ou prática se Cristo não for o centro e o objetivo de todas as suas ações e reações.
“Ora, vós sois o corpo de Cristo e seus membros em particular.” - 1 Coríntios 12.27
“Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo.” - 1 Coríntios 11.3
“E sujeitou todas as coisas a seus pés e, sobre todas as coisas, o constituiu como cabeça da igreja,” - Efésios 1.22
“Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,” - Efésios 4.15
“porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo.” - Efésios 5.23
“E ele é a cabeça do corpo da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência,” - Colossenses 1.18
Diante de verdades tão profundas, se os nossos olhos forem abertos pelo Espírito Santo, é impossível não nos rendermos Àquele por quem todas as coisas foram feitas.
“No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens; Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” João 1.1-4,11-14
Que estupenda revelação! Mas, ao contrário, o que temos presenciado nos nossos dias é uma verdadeira orgia espiritual. É realmente o fim. É mesmo uma tristeza vermos um falso evangelho sendo pregado indiscriminadamente. Um evangelho antropocêntrico que centraliza a vontade humana e seus anseios almáticos mais obscuros em detrimento da verdadeira Palavra de Deus. Um evangelho que tem aproximado, em sua maioria, apenas aqueles que pensam em tirar alguma vantagem, algum proveito para si mesmo.
Um evangelho espúrio e superficial que tem afastado as pessoas do Caminho da Salvação (de Jesus) por conta do mau testemunho. Um evangelho humanista que tem se utilizado da mídia para se alto promover, ou antes, promover as suas lideranças e denominações. Um evangelho que tem exaltado Mamom e seus representantes. Um evangelho antibíblico, contrário à revelação das Sagradas Escrituras.
Não! Este não é o Evangelho do nosso Senhor Jesus! Esta não é a Igreja de Cristo! O verdadeiro Evangelho não ludibria as pessoas; pelo contrário, abre os seus olhos. O verdadeiro Evangelho não condena as pessoas, as salva. O verdadeiro Evangelho não escraviza os homens; ao contrário, os liberta. O verdadeiro Evangelho não divide os salvos, antes, promove a unidade do Corpo de Cristo em todos os aspectos. O verdadeiro Evangelho não intenta tornar os fiéis fantoches; mas vivifica a consciência e libera a mente das pessoas para que estejam cônscias de toda a verdade. O verdadeiro Evangelho não invade, não despreza, nem atropela a individualidade, a sigularidade de ninguém; afinal, Quem nos criou seres individuais e ímpares? Quem determinou os nossos temperamentos? Claro que foi Deus! O Senhor tem me dado fé para crer nessa verdade.
Então, o que acontece com aqueles que foram feitos Seus filhos, através da fé, pelo resgate da salvação que só há em Cristo Jesus? No caráter daqueles que estão sendo ensinados por Suas sãs palavras, o Espírito Santo de Deus está forjando o caráter do Senhor Jesus. É isso que acontece com os que são chamados segundo o Seu propósito.
Que possamos compreender esta verdade para que fujamos das garras da Babilônia e de suas filhas.
“E, na sua testa, estava escrito o nome: MISTÉRIO, A GRANDE BABILÔNIA, A MÃE DAS PROSTITUIÇÕES E ABOMINAÇÕES DA TERRA.” - Apocalipse 17.5
“Saí do meio dela, ó povo meu, e livre cada um a sua alma, por causa do ardor da ira do SENHOR.” - Jeremias 51.45
Que nós possamos ser completamente ganhos pelo Senhor Jesus!
terça-feira, 23 de março de 2010
Sinais dos Tempos
"O enfraquecimento do amor".
O amor vem esfriando na medida em que crescem a iniqüidade, o individualismo, o narcisismo.
Os discípulos de Cristo, um dia, perguntaram a ele quais seriam os sinais que antecederiam a sua vinda. Ele respondeu esta pergunta numa longa pregação, conhecida como “sermão profético”. Entre os sinais apresentados por Jesus, destaca-se o surgimento de falsos Cristos e falsos profetas, que iriam enganar muitas pessoas. O Filho de Deus falou também de guerras entre as nações e de abalos sísmicos. No entanto, há um sinal que me chama a atenção de forma particular: trata-se daquele que fala do esfriamento do amor. Jesus disse: “E por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mateus 24.12).
A relação que Jesus apresenta é inversamente proporcional: o crescimento da iniqüidade implica no enfraquecimento do amor. Vejam se não é esse o nosso caso. Na medida em que cresce o pecado em suas mais variadas formas, da corrupção ao crescimento da miséria social, da pornografia a todas as formas de banalização sexual, a violência nas ruas e nos lares, o individualismo autocentrado e narcisista, esfria o amor genuíno e sincero no ser humano. Somos uma geração que vem desaprendendo a amar. Não estou me referindo a uma forma platônica de amor ou aos modelos hollywoodianos que enchem nossa sala de estar todos os dias, mas ao amor conforme Deus o revela nas Escrituras. Amor naquela forma como ele mesmo nos tem amado e celebrado uma aliança com seu povo. Provavelmente não há nenhum texto mais completo sobre o amor do que I Coríntios 13, um texto que precisa ser revisitado por nós diante daquilo que vemos todos os dias.
Naquela epístola, Paulo fala de um amor que é paciente, que não se perde diante da primeira crise ou da primeira desilusão; um sentimento bondoso, não ciumento e humilde. Um amor que não se comporta de forma inconveniente, mas é altruísta, e está sempre procurando atender o interesse dos outros e não o seu próprio. É também um amor que não se ira facilmente, que não guarda rancor, que não se alegra com a injustiça, mas que salta de júbilo quando a verdade triunfa. É um amor que sabe que o sofrimento sempre acompanha aquele que ama. Um amor que se sustenta sob fundamentos sólidos e verdadeiros, que não tem a pressa dos egoístas, mas que sabe esperar e possui uma enorme capacidade de suportar adversidades.
Este amor que Paulo nos descreve vem diminuindo e esfriando na medida em que cresce o egoísmo alimentado pelo individualismo da cultura narcisista, onde o que importa sou eu, meus desejos, meus interesses, meu momento, minhas necessidades, minha realização, meus projetos, o que eu penso, quero e preciso. Imagino que quando duas pessoas modernas, com este espírito individualista e narcisista, se encontram e resolvem se amar, envolvem-se num modelo de relacionamento onde, à primeira vista, tudo indica que se trata de um belíssimo e invejável romance. Contudo, diante do primeiro obstáculo, da primeira frustração, de um simples desentendimento, da dor e do sofrimento, ou do cansaço e da vontade de experimentar “novos ares”, abandonam aquele amor que foi grande apenas enquanto durou em troca de um outro que atenda as necessidades de um ego inflado, imaturo e insaciável. É por causa da iniqüidade deste espírito individualista e narcisista que os pais vão abandonando os seus filhos porque têm coisas mais importantes a fazer, como ganhar dinheiro ou buscar o sucesso, do que cuidar deles e amá-los; alguns tornam-se indiferentes e os abandonam à própria sorte na esperança de que na escola ou na vizinhança encontrarão quem os ame e eduque. Outros há que tentam manipulá-los e controlá-los em virtude da mesma iniqüidade, da mesma falta de tempo e da mesma insegurança. Os mais modernos já preferem não tê-los porque sabem que o amor que possuem não ultrapassa a epiderme – não são capazes de amar nada além do seu próprio ego. Por outro lado, os filhos vêm se rebelando contra seus pais, negando-lhes o respeito e a honra. São também filhos da iniqüidade do nosso tempo, do mesmo individualismo, do mesmo egoísmo. Os jovens trocaram o amor pelo sexo para descobrirem lá na frente, depois de tantas idas e vindas e muitas “ficadas”, que são “bons de cama”, mas frios e imaturos na arte de construir um amor que supera as fronteiras do egoísmo e que cresce na medida em que o tempo passa. Os escândalos de corrupção que mais uma vez abalam o país têm, na sua raiz, o mesmo mal. Todos buscam o que é seu e nunca o que é dos outros. A epidemia que hoje toma conta da nação não é a corrupção – ela é apenas mais uma expressão de uma nação, onde a iniquidade cresceu tanto que fez o amor murchar.
Eu nunca fui um desses crentes interessados em decifrar os códigos para adivinhar quando é que Jesus Cristo volta. Tal aritimética não me interessa. Apenas sei que ele voltará, e isso me basta. No entanto, devo confessar que olhando para o cenário do mundo hoje, tenho orado por uma intervenção divina e espero que ela aconteça logo, seja na forma de um novo avivamento – daqueles que penetram na raiz do coração humano e o transforma e não esta panacéia religiosa que alguns chamam de “derramamento do Espírito” – ou de uma intervenção escatológica, final ou não. Oro por isto porque não é mais possível suportar tanta injustiça, tanta miséria, tanta imoralidade, tanto pecado.
Oro também para que Deus nos preserve fiéis a ele e à sua Palavra, para que aqueles que reconhecem o amor divino e são alimentados e inspirados por ele cresçam cada vez mais amparando o pobre, cuidando do necessitado, lutando pela justiça, permanecendo fiéis aos termos da aliança com Deus e com o próximo. Jesus, naquele sermão profético, afirma que “o amor se esfriará de quase todos”. E é nesta pequena exceção que quero me incluir, a mim e a você, mesmo que sejamos apenas um pequeno remanescente, mas um remanescente que não se curva diante dos Baalins do mundo moderno.
O amor vem esfriando na medida em que crescem a iniqüidade, o individualismo, o narcisismo.
Os discípulos de Cristo, um dia, perguntaram a ele quais seriam os sinais que antecederiam a sua vinda. Ele respondeu esta pergunta numa longa pregação, conhecida como “sermão profético”. Entre os sinais apresentados por Jesus, destaca-se o surgimento de falsos Cristos e falsos profetas, que iriam enganar muitas pessoas. O Filho de Deus falou também de guerras entre as nações e de abalos sísmicos. No entanto, há um sinal que me chama a atenção de forma particular: trata-se daquele que fala do esfriamento do amor. Jesus disse: “E por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mateus 24.12).
A relação que Jesus apresenta é inversamente proporcional: o crescimento da iniqüidade implica no enfraquecimento do amor. Vejam se não é esse o nosso caso. Na medida em que cresce o pecado em suas mais variadas formas, da corrupção ao crescimento da miséria social, da pornografia a todas as formas de banalização sexual, a violência nas ruas e nos lares, o individualismo autocentrado e narcisista, esfria o amor genuíno e sincero no ser humano. Somos uma geração que vem desaprendendo a amar. Não estou me referindo a uma forma platônica de amor ou aos modelos hollywoodianos que enchem nossa sala de estar todos os dias, mas ao amor conforme Deus o revela nas Escrituras. Amor naquela forma como ele mesmo nos tem amado e celebrado uma aliança com seu povo. Provavelmente não há nenhum texto mais completo sobre o amor do que I Coríntios 13, um texto que precisa ser revisitado por nós diante daquilo que vemos todos os dias.
Naquela epístola, Paulo fala de um amor que é paciente, que não se perde diante da primeira crise ou da primeira desilusão; um sentimento bondoso, não ciumento e humilde. Um amor que não se comporta de forma inconveniente, mas é altruísta, e está sempre procurando atender o interesse dos outros e não o seu próprio. É também um amor que não se ira facilmente, que não guarda rancor, que não se alegra com a injustiça, mas que salta de júbilo quando a verdade triunfa. É um amor que sabe que o sofrimento sempre acompanha aquele que ama. Um amor que se sustenta sob fundamentos sólidos e verdadeiros, que não tem a pressa dos egoístas, mas que sabe esperar e possui uma enorme capacidade de suportar adversidades.
Este amor que Paulo nos descreve vem diminuindo e esfriando na medida em que cresce o egoísmo alimentado pelo individualismo da cultura narcisista, onde o que importa sou eu, meus desejos, meus interesses, meu momento, minhas necessidades, minha realização, meus projetos, o que eu penso, quero e preciso. Imagino que quando duas pessoas modernas, com este espírito individualista e narcisista, se encontram e resolvem se amar, envolvem-se num modelo de relacionamento onde, à primeira vista, tudo indica que se trata de um belíssimo e invejável romance. Contudo, diante do primeiro obstáculo, da primeira frustração, de um simples desentendimento, da dor e do sofrimento, ou do cansaço e da vontade de experimentar “novos ares”, abandonam aquele amor que foi grande apenas enquanto durou em troca de um outro que atenda as necessidades de um ego inflado, imaturo e insaciável. É por causa da iniqüidade deste espírito individualista e narcisista que os pais vão abandonando os seus filhos porque têm coisas mais importantes a fazer, como ganhar dinheiro ou buscar o sucesso, do que cuidar deles e amá-los; alguns tornam-se indiferentes e os abandonam à própria sorte na esperança de que na escola ou na vizinhança encontrarão quem os ame e eduque. Outros há que tentam manipulá-los e controlá-los em virtude da mesma iniqüidade, da mesma falta de tempo e da mesma insegurança. Os mais modernos já preferem não tê-los porque sabem que o amor que possuem não ultrapassa a epiderme – não são capazes de amar nada além do seu próprio ego. Por outro lado, os filhos vêm se rebelando contra seus pais, negando-lhes o respeito e a honra. São também filhos da iniqüidade do nosso tempo, do mesmo individualismo, do mesmo egoísmo. Os jovens trocaram o amor pelo sexo para descobrirem lá na frente, depois de tantas idas e vindas e muitas “ficadas”, que são “bons de cama”, mas frios e imaturos na arte de construir um amor que supera as fronteiras do egoísmo e que cresce na medida em que o tempo passa. Os escândalos de corrupção que mais uma vez abalam o país têm, na sua raiz, o mesmo mal. Todos buscam o que é seu e nunca o que é dos outros. A epidemia que hoje toma conta da nação não é a corrupção – ela é apenas mais uma expressão de uma nação, onde a iniquidade cresceu tanto que fez o amor murchar.
Eu nunca fui um desses crentes interessados em decifrar os códigos para adivinhar quando é que Jesus Cristo volta. Tal aritimética não me interessa. Apenas sei que ele voltará, e isso me basta. No entanto, devo confessar que olhando para o cenário do mundo hoje, tenho orado por uma intervenção divina e espero que ela aconteça logo, seja na forma de um novo avivamento – daqueles que penetram na raiz do coração humano e o transforma e não esta panacéia religiosa que alguns chamam de “derramamento do Espírito” – ou de uma intervenção escatológica, final ou não. Oro por isto porque não é mais possível suportar tanta injustiça, tanta miséria, tanta imoralidade, tanto pecado.
Oro também para que Deus nos preserve fiéis a ele e à sua Palavra, para que aqueles que reconhecem o amor divino e são alimentados e inspirados por ele cresçam cada vez mais amparando o pobre, cuidando do necessitado, lutando pela justiça, permanecendo fiéis aos termos da aliança com Deus e com o próximo. Jesus, naquele sermão profético, afirma que “o amor se esfriará de quase todos”. E é nesta pequena exceção que quero me incluir, a mim e a você, mesmo que sejamos apenas um pequeno remanescente, mas um remanescente que não se curva diante dos Baalins do mundo moderno.
segunda-feira, 22 de março de 2010
O Motivo Mais Importante para o Arrependimento
“Olharão para aquele a quem traspassaram” (Zacarias 12.10).
O quebrantamento santo que faz um homem lamentar o seu pecado surge de uma operação divina. O homem caído não pode renovar seu próprio coração. O diamante pode mudar seu próprio estado para tornar-se maleável, ou o granito amolecer a si mesmo, transformando-se em argila? Somente aquele que estendeu os céus e lançou os fundamentos da terra pode formar e reformar o espírito do homem. O poder de fazer que da rocha de nossa natureza fluam rios de arrependimento não está na própria rocha. O poder jaz no onipotente Espírito de Deus… Quando Deus lida com a mente do homem, por meio de suas operações secretas e misteriosas, Ele a enche com uma nova vida, percepção e emoção. “Deus… me fez desmaiar o coração” (Jó 23.16), disse Jó. E, no melhor sentido, isso é verdade. O Espírito Santo nos torna maleáveis e nos tornamos receptíveis às suas impressões sagradas… Agora, quero abordar o âmago e a essência de nosso assunto.
O enternecimento do coração e o lamento pelo pecado são produzidos por olharmos, pela fé, para o Filho de Deus traspassado. A verdadeira tristeza pelo pecado não acontece sem o Espírito de Deus. Mas o Espírito de Deus não realiza essa tristeza sem levar-nos a olhar para Jesus crucificado. Não há verdadeiro lamento pelo pecado enquanto não vemos a Cristo… Ó alma, quando você chega a contemplar Aquele para quem todos deveriam olhar, Aquele que foi traspassado, então seus olhos começam a lamentar aquilo pelo que todos deveriam chorar – o pecado que imolou o seu Salvador!
Não há arrependimento salvífico sem a contemplação da cruz… O arrependimento cristão é o único arrependimento aceitável. E a essência desse arrependimento é olhar para Aquele que foi moído pelos pecados… Observe isto: quando o Espírito Santo realmente opera, Ele leva a alma a olhar para Cristo. Nunca uma pessoa recebeu o Espírito de Deus para a salvação, sem que tenha recebido dEle o olhar para Cristo e o lamentar por seus pecados.
A fé e o arrependimento são gerados e prosperam juntos. Ninguém deve separar o que Deus uniu! Ninguém pode arrepender-se do pecado sem crer em Jesus, nem crer em Jesus sem arrepender-se do pecado. Olhe, então, com amor para Aquele que derramou seu sangue, na cruz, por você. Por meio desse olhar, você obterá perdão e quebrantamento. Quão admirável é o fato de que todos os nossos males podem ser curados por um único remédio: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra” (Is 45.22). Contudo, ninguém olhará para Cristo sem que o Espírito de Deus o incline a fazer isso. Ele não conduz uma pessoa à salvação, se ela não se rende às suas influências e não volve seu olhar para Jesus…
O olhar que nos abençoa, produzindo quebrantamento de coração, é o olhar para Jesus como Aquele que foi traspassado. Quero me demorar nisso por um momento. Não é somente o olhar para Jesus como Deus que afeta o coração, mas também olhar para este mesmo Senhor e Deus como Aquele que foi crucificado por nós. Vemos o Senhor traspassado, e, em seguida, inicia-se o traspassamento de nosso coração. Quando o Espírito Santo nos revela Jesus, os nossos pecados também começam a ser expostos…
Venham, almas queridas, vamos juntos à cruz, por um pouco, e notemos quem era Aquele que recebeu a lançada do soldado romano. Olhe para o seu lado e observe aquela terrível ferida que atingiu seu coração e desencadeou um duplo fluxo de sangue. O centurião disse: “Verdadeiramente este era Filho de Deus” (Mt 27.54). Aquele que, por natureza, é Deus e governa sobre tudo, sem o Qual “nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3), tomou sobre Si mesmo nossa natureza e se tornou homem, como nós, mas não tinha qualquer mácula de pecado. E, vivendo em forma humana, foi obediente até à morte, morte de cruz. Foi Ele quem morreu! Ele, o único que possui a imortalidade, condescendeu em morrer! Ele, que era toda a glória e poder, sim, Ele morreu! Ele, que era toda a ternura e graça, sim, Ele morreu! Infinita bondade esteve pendurada na cruz! Beleza indescritível foi traspassada com uma lança! Essa tragédia excede todas as outras! Por mais perversa que tenha sido a ingratidão do homem em outros casos, a sua mais perversa ingratidão se expressou no caso de Jesus! Por mais horrível que tenha sido o ódio do homem contra a virtude, o seu ódio mais cruel foi manifestado contra Jesus! No caso de Jesus, o inferno superou todas as suas vilezas anteriores, clamando: “Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo-lo” (Mt 21.38).
Deus habitou entre nós, e os homens não O aceitaram. Visto que o homem foi capaz de traspassar e matar o seu Deus, ele cometeu um pecado horrível. O homem matou o Senhor Jesus Cristo e O traspassou com uma lança! Nesse ato, o homem mostrou o que fariam com o próprio Eterno, se pudesse chegar até Ele. O homem é, no coração, assassino de Deus. Ele se alegria se Deus não existisse. Ele diz em seu coração: “Não há Deus” (Sl 14.1). Se a sua mão pudesse ir tão longe quanto o seu coração, Deus não existiria nem mesmo por mais uma hora. Isto dá ao traspassamento de nosso Senhor uma forte intensidade de pecado: foi o traspassamento de Deus.
Por quê? Por que razão o bom Deus foi assim perseguido? Oh! pelo amor de nosso Senhor Jesus Cristo, pela glória de sua Pessoa, pela perfeição de seu caráter, eu lhe peço – admire-se e envergonhe-se de que Ele foi traspassado! Não foi uma morte comum. Aquele assassinato não foi um crime comum. Ó homem, Aquele que foi traspassado com a lança era o seu Deus! Na cruz, contemple o seu Criador, o seu Benfeitor, o seu melhor Amigo!
Olhe firmemente para Aquele que foi traspassado e observe o Sofredor que é descrito na palavra “traspassado”. Nosso Senhor sofreu severa e terrivelmente. Não posso, em uma mensagem, descrever a história de seus sofrimentos – as tristezas de sua vida de pobreza e perseguição; as angústias do Getsêmani e do suor de sangue; as tristezas de seu abandono, traição e negação; as tristezas no palácio de Pilatos; os golpes de chicotes, o cuspe e o escárnio; as tristezas da cruz, com sua desonra e agonia… Nosso Senhor foi feito maldição por nós. A penalidade do pecado ou o que lhe era equivalente, Ele a suportou, “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1 Pe 2.24). “O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.5).
Irmãos, os sofrimentos de Jesus devem amolecer nosso coração! Nesta manhã, lamento o fato de que não me entristeço como deveria. Acuso a mim mesmo daquele endurecimento de coração que eu condeno, visto que posso contar-lhes essa história sem enternecimento de coração. Os sofrimentos de meu Senhor são indescritíveis. Examinem e verifiquem se já houve tristeza semelhante à de Jesus! A sua tristeza foi abismal e insondável… Se você considerar firmemente a Jesus traspassado por nossos pecados e tudo que isso significa, seu coração se dilatará! Mais cedo ou mais tarde, a cruz desenvolverá todo sentimento que você será capaz de produzir e lhe dará capacidade para mais. Quando o Espírito Santo põe a cruz no coração, o coração se dissolve em ternura… A dureza de coração desaparece quando, com profundo temor, contemplamos a Jesus sendo morto.
Devemos também observar quem foram os que traspassaram a Jesus. “Olharão para aquele a quem traspassaram.” Ambos os verbos se referem às mesmas pessoas. Nós matamos o Salvador, nós que olhamos para Ele e vivemos… No caso do Salvador, o pecado foi a causa de sua morte. O pecado O traspassou. O pecado de quem? Não foi o pecado dEle mesmo, pois Ele não tinha pecado, e nenhum engano se achou em seus lábios. Pilatos disse: “Não vejo neste homem crime algum” (Lc 23.4). Irmãos, o Messias foi morto, mas não por causa dEle mesmo. Nossos pecados mataram o Salvador. Ele sofreu porque não havia outra maneira de vindicar a justiça de Deus e de prover-nos um escape da condenação. A espada, que deveria cair sobre nós, foi despertada contra o Pastor do Senhor, contra o Homem que era o Companheiro de Jeová (Zc 13.7)… Se isso não quebranta nem amolece nosso coração, observemos por que Ele foi levado a uma posição em que poderia ser traspassado por nossos pecados. Foi o amor, poderoso amor, nada mais do que o amor, que O levou até à cruz. Nenhuma outra acusação Lhe pode ser atribuída, exceto esta: Ele era culpado de amor excessivo. Ele se colocou no caminho do traspassamento, porque resolvera salvar-nos… Ouviremos isso, pensaremos nisso, consideraremos isso e permaneceremos apáticos? Somos piores do que os brutos? Tudo que é humano abandonou a nossa humanidade? Se Deus, o Espírito Santo, está agindo agora, uma contemplação de Cristo derreterá o nosso coração de pedra…
Quero dizer-lhes ainda, ó amados: quanto mais olharmos para Jesus crucificado, tanto mais lamentaremos o nosso pecado. A reflexão crescente produzirá sensibilidade crescente. Desejo que olhem muito para Aquele que foi traspassado, para que odeiem cada vez mais o pecado. Livros que expõem a paixão de nosso Senhor e hinos que cantam a sua cruz sempre foram bastante queridos pelos crentes piedosos, por causa de sua influência sobre o coração e a consciência deles. Vivam no Calvário, amados, até que viver e amar se tornem a mesma coisa. Diria também: olhem para Aquele que foi traspassado, até que o coração de vocês seja traspassado.
Um antigo teólogo dizia: “Olhe para a cruz, até que tudo que está na cruz esteja em seu coração”. E acrescentou: “Olhe para Jesus, até que Ele olhe para você”. Olhem com firmeza para o sua Pessoa sofredora, até que Ele pareça estar volvendo sua cabeça e olhando para você, assim como o fez com Pedro, que saiu e chorou amargamente. Olhe para Jesus, até que você veja a si mesmo. Lamente por Ele, até que lamente por seu próprio pecado… Ele sofreu em lugar, em favor e em benefício de homens culpados. Isso é o evangelho. Não importa o que os outros preguem, “nós pregamos a Cristo crucificado” (1 Co 1.23). Sempre levaremos a cruz na vanguarda. A essência do evangelho é Cristo como substituto do pecador. Não evitamos falar sobre a doutrina do Segundo Advento, mas, antes e acima de tudo, pregamos Aquele que foi traspassado. Isso levará ao arrependimento evangélico, quando o Espírito de graça for derramado.
Extraído do sermão matinal de domingo 18 de setembro de 1887, no Tabernáculo Metropolitano de Londres.
Tradução: Pr. Wellington Ferreira
"A desunião do Corpo de Cristo é o escândalo dos séculos".
O Maior Pecado da Igreja
"A desunião do Corpo de Cristo é o escândalo dos séculos".
A desunião do Corpo de Cristo é o escândalo dos séculos. Creio que se trata do mais hediondo e destrutivo dos pecados da Igreja. Visto que a desunião do corpo é bem mais freqüente do que os demais pecados e, à semelhança destes, verdadeiramente ata as mãos do Espírito Santo, ela faz com que mais almas se percam do que outras ofensas flagrantes, como mentira, imoralidade, alcoolismo etc. O Espírito Santo não pode tratar eficientemente da convicção e conversão dos pecadores quando os “santos” estão divididos.
A falha em reconhecermos, compreendermos, apreciarmos e preservarmos a unidade do Corpo de Cristo na Terra é equivalente a reabrirmos as suas chagas na cruz. De acordo com o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 11.27-30, não “discernir o corpo” traz conseqüências muito sérias para a igreja. Os ferimentos ao Corpo de Cristo trazem ao Senhor dores semelhantes às das chagas de seu corpo físico na cruz. O pecado da desunião é um pecado contra o corpo e o sangue de Jesus, contra a oração que Jesus fez em João 17.
É também o maior obstáculo à salvação do mundo. Sempre que missionários, evangelistas ou obreiros – todos vindicando a representação de Jesus Cristo e do seu evangelho – manifestam antagonismo e franca hostilidade uns para com os outros, somente Satanás é o vencedor. Quando pessoas interessadas no Evangelho ou novos convertidos descobrem que os discípulos professos de Jesus estão fragmentados, são invejosos e até beligerantes em espírito, eles ficam totalmente frustrados e decepcionados. Para eles é incompreensível, inexplicável e até vergonhoso ver o Corpo de Cristo dilacerado pelo proselitismo, pela avareza e pelo ciúme.
A Ordem Clara de Não Julgar
Tem-se denominado a crítica injusta e desamorosa de uns para com os outros de “o pecado peculiar dos santos”. De fato, é o vício mais evidente do “povo santo”. Muitos que condenam enfaticamente as doutrinas de uma religião pecaminosa são culpados de violar o mandamento inequívoco de Cristo: “Não julgueis” (Mt 7.1). Essa violação é pecado.
Paulo, em Romanos 14, ressalta ainda mais o mandamento de Cristo. No contexto de aconselhamento à igreja sobre como tratar de uma questão divisória, ele diz: “Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões. Um crê que de tudo pode comer, mas o débil come legumes; [...] Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio Senhor está em pé ou cai; [...] Tu, porém, por que julgas a teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? [...] Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão” (Rm 14.1-4, 10,13).
Por alguma razão, os “santos” que sinceramente abominam o pecado da mentira, do roubo e do adultério, e que gritam mais alto que todos reivindicando viver sem pecado, com freqüência são culpados de grosseira desobediência ao mandamento positivo de Cristo e ao conselho inspirado de Paulo. De acordo com Jesus e Paulo, o julgamento mútuo em assuntos não essenciais é pecado. Os grupos que mais insistem na necessidade de se viver acima do pecado com freqüência são os piores transgressores nessa área. As congregações e denominações que pregam os mais elevados padrões de santidade parecem ser as mais fragmentadas.
O hábito de julgar os outros resulta na rejeição de um irmão que nasceu de novo por causa da sua opinião quanto a assuntos não essenciais à salvação. O aumento do hábito de julgar, portanto, é sinal da diminuição da graça. Significa que não acreditamos que Deus sabe corrigir os seus filhos, ou que seja capaz de fazê-lo. Em outras palavras, é colocar-se no lugar de Deus.
Admito, com tristeza, que já fui culpado desse pecado. Para remediar uma situação, o crítico típico tem mais confiança em sua crítica do que na oração. Grande parte da crítica que leva à desarmonia e às divisões não procede primariamente de convicções superiores, mas de um ego não santificado e da carne não crucificada.
Um Laboratório Para Desenvolver o Amor Ágape
A igreja local é considerada uma família (Ef 2.19). É aqui que podemos encontrar uma oficina espiritual dedicada ao desenvolvimento do amor ágape. São as pressões e exigências de uma comunhão espiritual entre membros diversificados que oferecem a situação ideal para testar e amadurecer a importantíssima qualificação para a Noiva de Jesus participar do governo do Universo, que é o amor ágape.
Visto que todas as pessoas que nasceram de novo são membros do Corpo de Cristo (1 Co 12.12,13), e que esse Corpo inclui pessoas das mais variadas procedências, opiniões e posicionamentos, podemos afirmar que Deus mantém comunhão com pessoas em lados totalmente opostos nas diversas disputas doutrinárias. Sendo isso verdade, será que temos direito de recusar comunhão a outros membros do Corpo? Se o fizermos, não estaríamos em perigo de diminuir ou romper nossa comunhão com Deus, que é Pai nosso e deles também?
Quantidade alguma de graça jamais fará com que todas as pessoas nascidas de novo concordem quanto a que sistema doutrinário constitui absoluta verdade conceitual. Se a oração de Cristo pela unidade do Corpo deve concretizar-se deste lado da eternidade, há de ser na base de um Pai comum, isto é, na base do amor ágape. Significa que o amor pela família excederá a devoção que a pessoa nutre pelas próprias opiniões acerca de tópicos não essenciais à salvação.
Não se trata de abrir mão de convicções pessoais a fim de amar um irmão, membro do mesmo círculo familiar, que tem o mesmo Pai. A pedra fundamental e o alicerce mais tangível e vital do amor – e, portanto, da unidade e da comunhão – é reconhecer nos outros um mesmo ancestral ou um relacionamento familiar, e não uma opinião comum. Se isso for verdade, a comunhão nessa base é mais importante para Deus do que a teologia absolutamente correta.
O Que Mais Interessa A Deus
Deus está mais interessado no amor entre os membros de sua família do que na inerrância das opiniões desses irmãos. Em qualquer controvérsia, quer na prática, quer na doutrina, o elemento mais importante não é que se tomem as decisões mais sábias, mas que se mantenha o espírito correto.
Uma pessoa pode estar certa na opinião, porém errada no espírito. Outra pode estar certa no espírito e errada na opinião. O que acontece quando alguém está errado no espírito? Não fica o Espírito Santo dentro dessa pessoa entristecido e não testemunha ele acerca dessa ofensa mediante um sentimento íntimo de desaprovação? Seria possível negar isso?
Quando afirmamos que para Deus há algo mais importante do que pontos de vista corretos, estamos dizendo que o espírito certo, a expressão do seu amor, é o que mais conta para ele. Deus pode abençoar – e realmente abençoa – os que assumem pontos de vista contraditórios, mas jamais abençoa a falta de amor. Estar certo na doutrina e errado no espírito é estar quase totalmente errado.
Ao passo que a Palavra de Deus é inerrante, a opinião de alguém sobre um ponto controvertido não o é. Há possibilidade de erro em todas as declarações doutrinárias extra-escriturísticas, ou em todos os enunciados de interpretação bíblica. Portanto, nenhum credo eclesiástico é infalível.
Por outro lado, o amor, à semelhança de outras graças do Espírito, só cresce sob provações. Sempre que pessoas nascidas de novo se encontrarem em lados opostos de uma controvérsia sobre um ponto não essencial à salvação, o amor ágape deve evitar a ruptura da comunhão ou uma divisão direta. Tais ocasiões oferecem oportunidade para o crescimento em amor e, portanto, em esferas eternas.
As divisões por causa de doutrinas não relacionadas à experiência do novo nascimento, como costumes, formas de governo, personalidades e outras são um desperdício de tristezas e pesar ao Espírito Santo. Não se deve permitir que nada, a não ser uma heresia ou um pecado aberto, algo que afete o relacionamento com o Pai, traga cisma ao Corpo de Cristo.
A maior parte das desavenças nas congregações locais é produzida não principalmente por diferenças quanto a pontos essenciais, mas por ambições humanas não santificadas, inveja e choques de personalidades. A verdadeira raiz de muitas dessas situações é uma carência em crentes individuais que revelam lamentável imaturidade no amor. É por isso que a igreja local é um dos melhores laboratórios onde os crentes individuais podem descobrir seu real vazio espiritual e começar a crescer no amor ágape.
Quando há verdadeiro arrependimento, a humilde confissão dos pecados de inveja, ciúme e ressentimento e o pedido de perdão mútuo, o resultado será crescimento real no amor que cobre tudo. Isso libera o Espírito Santo para curar feridas e atear o fogo do reavivamento.
Cosmologia de Paul Billheimer
O texto do artigo ao lado foi extraído do livro “O Amor Cobre Tudo”, de Paul Billheimer, Ed. Vida, com edição atualmente esgotada em português. A cosmologia apresentada nesse livro representa uma continuação da que o autor desenvolveu em livros anteriores: “Seu Destino é o Trono” e “Não Desperdice Suas Lágrimas”, ambos igualmente esgotados em português.
A síntese da cosmologia de Billheimer é a seguinte: O universo, inclusive o nosso planeta, foi criado para prover uma habitação adequada para a raça humana. Os homens, por sua vez, foram criados à imagem e semelhança de Deus a fim de providenciar uma companhia eterna para o seu Filho.
Após a queda e a promessa da redenção, a raça messiânica foi criada e sustentada a fim de fazer vir o Messias. Este veio com uma intenção – dar à luz a Igreja e, assim, obter a sua Noiva. Assim a Igreja se torna o objetivo final do Universo e, no que concerne à revelação, a única razão da criação.
Em “Seu Destino é o Trono”, Billheimer mostra que Deus projetou o sistema de oração a fim de equipar e qualificar a Noiva, com técnicas, meios e potenciais para participar do governo de Deus. Em “Não Desperdice Suas Lágrimas”, ele afirma que Deus projetou o sofrimento, conseqüência da queda, com a finalidade de produzir caráter e disposição, o espírito compassivo necessário à liderança num governo espiritual em que a lei do amor é suprema.
Quando a pessoa nasce de novo, ela imediatamente começa seu treinamento no governo espiritual. É que o amor ágape, o amor incondicional que caracteriza o próprio Deus, constitui qualificação essencial para o exercício de autoridade na ordem social celeste, em direção à qual move-se o universo (também chamado de Reino de Deus); portanto, esse aprendizado serve ao desenvolvimento desse amor. Se esse treinamento e amadurecimento no amor não fossem necessários, Deus provavelmente levaria a pessoa para o céu tão logo ela fosse salva.
Visto que a tribulação é necessária para a descentralização do ego e para o desenvolvimento de profundas dimensões do amor ágape, este só pode desenvolver-se na escola do sofrimento. Ele cresce e se desenvolve somente através de exercício e prova.
É por isso que, logo após a regeneração e o enchimento do Espírito Santo, Deus coloca cada membro da sua Noiva no lugar em que desenvolverá as mais profundas dimensões do amor ágape, que é o objetivo supremo de Deus para nós. De acordo com o dicionário de palavras bíblicas no grego de W. E. Vine, amor ágape é o amor que ama em virtude de sua própria natureza, não por causa da excelência ou valor do objeto amado.
Nesse contexto, os relacionamentos dentro da igreja nos oferecem tremendas oportunidades para crescermos em amor. Os conflitos encontrados nesses relacionamentos são cruciais para o desenvolvimento do amor ágape e para se alcançar a unidade do Corpo de Cristo.
"A desunião do Corpo de Cristo é o escândalo dos séculos".
A desunião do Corpo de Cristo é o escândalo dos séculos. Creio que se trata do mais hediondo e destrutivo dos pecados da Igreja. Visto que a desunião do corpo é bem mais freqüente do que os demais pecados e, à semelhança destes, verdadeiramente ata as mãos do Espírito Santo, ela faz com que mais almas se percam do que outras ofensas flagrantes, como mentira, imoralidade, alcoolismo etc. O Espírito Santo não pode tratar eficientemente da convicção e conversão dos pecadores quando os “santos” estão divididos.
A falha em reconhecermos, compreendermos, apreciarmos e preservarmos a unidade do Corpo de Cristo na Terra é equivalente a reabrirmos as suas chagas na cruz. De acordo com o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 11.27-30, não “discernir o corpo” traz conseqüências muito sérias para a igreja. Os ferimentos ao Corpo de Cristo trazem ao Senhor dores semelhantes às das chagas de seu corpo físico na cruz. O pecado da desunião é um pecado contra o corpo e o sangue de Jesus, contra a oração que Jesus fez em João 17.
É também o maior obstáculo à salvação do mundo. Sempre que missionários, evangelistas ou obreiros – todos vindicando a representação de Jesus Cristo e do seu evangelho – manifestam antagonismo e franca hostilidade uns para com os outros, somente Satanás é o vencedor. Quando pessoas interessadas no Evangelho ou novos convertidos descobrem que os discípulos professos de Jesus estão fragmentados, são invejosos e até beligerantes em espírito, eles ficam totalmente frustrados e decepcionados. Para eles é incompreensível, inexplicável e até vergonhoso ver o Corpo de Cristo dilacerado pelo proselitismo, pela avareza e pelo ciúme.
A Ordem Clara de Não Julgar
Tem-se denominado a crítica injusta e desamorosa de uns para com os outros de “o pecado peculiar dos santos”. De fato, é o vício mais evidente do “povo santo”. Muitos que condenam enfaticamente as doutrinas de uma religião pecaminosa são culpados de violar o mandamento inequívoco de Cristo: “Não julgueis” (Mt 7.1). Essa violação é pecado.
Paulo, em Romanos 14, ressalta ainda mais o mandamento de Cristo. No contexto de aconselhamento à igreja sobre como tratar de uma questão divisória, ele diz: “Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões. Um crê que de tudo pode comer, mas o débil come legumes; [...] Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio Senhor está em pé ou cai; [...] Tu, porém, por que julgas a teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? [...] Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão” (Rm 14.1-4, 10,13).
Por alguma razão, os “santos” que sinceramente abominam o pecado da mentira, do roubo e do adultério, e que gritam mais alto que todos reivindicando viver sem pecado, com freqüência são culpados de grosseira desobediência ao mandamento positivo de Cristo e ao conselho inspirado de Paulo. De acordo com Jesus e Paulo, o julgamento mútuo em assuntos não essenciais é pecado. Os grupos que mais insistem na necessidade de se viver acima do pecado com freqüência são os piores transgressores nessa área. As congregações e denominações que pregam os mais elevados padrões de santidade parecem ser as mais fragmentadas.
O hábito de julgar os outros resulta na rejeição de um irmão que nasceu de novo por causa da sua opinião quanto a assuntos não essenciais à salvação. O aumento do hábito de julgar, portanto, é sinal da diminuição da graça. Significa que não acreditamos que Deus sabe corrigir os seus filhos, ou que seja capaz de fazê-lo. Em outras palavras, é colocar-se no lugar de Deus.
Admito, com tristeza, que já fui culpado desse pecado. Para remediar uma situação, o crítico típico tem mais confiança em sua crítica do que na oração. Grande parte da crítica que leva à desarmonia e às divisões não procede primariamente de convicções superiores, mas de um ego não santificado e da carne não crucificada.
Um Laboratório Para Desenvolver o Amor Ágape
A igreja local é considerada uma família (Ef 2.19). É aqui que podemos encontrar uma oficina espiritual dedicada ao desenvolvimento do amor ágape. São as pressões e exigências de uma comunhão espiritual entre membros diversificados que oferecem a situação ideal para testar e amadurecer a importantíssima qualificação para a Noiva de Jesus participar do governo do Universo, que é o amor ágape.
Visto que todas as pessoas que nasceram de novo são membros do Corpo de Cristo (1 Co 12.12,13), e que esse Corpo inclui pessoas das mais variadas procedências, opiniões e posicionamentos, podemos afirmar que Deus mantém comunhão com pessoas em lados totalmente opostos nas diversas disputas doutrinárias. Sendo isso verdade, será que temos direito de recusar comunhão a outros membros do Corpo? Se o fizermos, não estaríamos em perigo de diminuir ou romper nossa comunhão com Deus, que é Pai nosso e deles também?
Quantidade alguma de graça jamais fará com que todas as pessoas nascidas de novo concordem quanto a que sistema doutrinário constitui absoluta verdade conceitual. Se a oração de Cristo pela unidade do Corpo deve concretizar-se deste lado da eternidade, há de ser na base de um Pai comum, isto é, na base do amor ágape. Significa que o amor pela família excederá a devoção que a pessoa nutre pelas próprias opiniões acerca de tópicos não essenciais à salvação.
Não se trata de abrir mão de convicções pessoais a fim de amar um irmão, membro do mesmo círculo familiar, que tem o mesmo Pai. A pedra fundamental e o alicerce mais tangível e vital do amor – e, portanto, da unidade e da comunhão – é reconhecer nos outros um mesmo ancestral ou um relacionamento familiar, e não uma opinião comum. Se isso for verdade, a comunhão nessa base é mais importante para Deus do que a teologia absolutamente correta.
O Que Mais Interessa A Deus
Deus está mais interessado no amor entre os membros de sua família do que na inerrância das opiniões desses irmãos. Em qualquer controvérsia, quer na prática, quer na doutrina, o elemento mais importante não é que se tomem as decisões mais sábias, mas que se mantenha o espírito correto.
Uma pessoa pode estar certa na opinião, porém errada no espírito. Outra pode estar certa no espírito e errada na opinião. O que acontece quando alguém está errado no espírito? Não fica o Espírito Santo dentro dessa pessoa entristecido e não testemunha ele acerca dessa ofensa mediante um sentimento íntimo de desaprovação? Seria possível negar isso?
Quando afirmamos que para Deus há algo mais importante do que pontos de vista corretos, estamos dizendo que o espírito certo, a expressão do seu amor, é o que mais conta para ele. Deus pode abençoar – e realmente abençoa – os que assumem pontos de vista contraditórios, mas jamais abençoa a falta de amor. Estar certo na doutrina e errado no espírito é estar quase totalmente errado.
Ao passo que a Palavra de Deus é inerrante, a opinião de alguém sobre um ponto controvertido não o é. Há possibilidade de erro em todas as declarações doutrinárias extra-escriturísticas, ou em todos os enunciados de interpretação bíblica. Portanto, nenhum credo eclesiástico é infalível.
Por outro lado, o amor, à semelhança de outras graças do Espírito, só cresce sob provações. Sempre que pessoas nascidas de novo se encontrarem em lados opostos de uma controvérsia sobre um ponto não essencial à salvação, o amor ágape deve evitar a ruptura da comunhão ou uma divisão direta. Tais ocasiões oferecem oportunidade para o crescimento em amor e, portanto, em esferas eternas.
As divisões por causa de doutrinas não relacionadas à experiência do novo nascimento, como costumes, formas de governo, personalidades e outras são um desperdício de tristezas e pesar ao Espírito Santo. Não se deve permitir que nada, a não ser uma heresia ou um pecado aberto, algo que afete o relacionamento com o Pai, traga cisma ao Corpo de Cristo.
A maior parte das desavenças nas congregações locais é produzida não principalmente por diferenças quanto a pontos essenciais, mas por ambições humanas não santificadas, inveja e choques de personalidades. A verdadeira raiz de muitas dessas situações é uma carência em crentes individuais que revelam lamentável imaturidade no amor. É por isso que a igreja local é um dos melhores laboratórios onde os crentes individuais podem descobrir seu real vazio espiritual e começar a crescer no amor ágape.
Quando há verdadeiro arrependimento, a humilde confissão dos pecados de inveja, ciúme e ressentimento e o pedido de perdão mútuo, o resultado será crescimento real no amor que cobre tudo. Isso libera o Espírito Santo para curar feridas e atear o fogo do reavivamento.
Cosmologia de Paul Billheimer
O texto do artigo ao lado foi extraído do livro “O Amor Cobre Tudo”, de Paul Billheimer, Ed. Vida, com edição atualmente esgotada em português. A cosmologia apresentada nesse livro representa uma continuação da que o autor desenvolveu em livros anteriores: “Seu Destino é o Trono” e “Não Desperdice Suas Lágrimas”, ambos igualmente esgotados em português.
A síntese da cosmologia de Billheimer é a seguinte: O universo, inclusive o nosso planeta, foi criado para prover uma habitação adequada para a raça humana. Os homens, por sua vez, foram criados à imagem e semelhança de Deus a fim de providenciar uma companhia eterna para o seu Filho.
Após a queda e a promessa da redenção, a raça messiânica foi criada e sustentada a fim de fazer vir o Messias. Este veio com uma intenção – dar à luz a Igreja e, assim, obter a sua Noiva. Assim a Igreja se torna o objetivo final do Universo e, no que concerne à revelação, a única razão da criação.
Em “Seu Destino é o Trono”, Billheimer mostra que Deus projetou o sistema de oração a fim de equipar e qualificar a Noiva, com técnicas, meios e potenciais para participar do governo de Deus. Em “Não Desperdice Suas Lágrimas”, ele afirma que Deus projetou o sofrimento, conseqüência da queda, com a finalidade de produzir caráter e disposição, o espírito compassivo necessário à liderança num governo espiritual em que a lei do amor é suprema.
Quando a pessoa nasce de novo, ela imediatamente começa seu treinamento no governo espiritual. É que o amor ágape, o amor incondicional que caracteriza o próprio Deus, constitui qualificação essencial para o exercício de autoridade na ordem social celeste, em direção à qual move-se o universo (também chamado de Reino de Deus); portanto, esse aprendizado serve ao desenvolvimento desse amor. Se esse treinamento e amadurecimento no amor não fossem necessários, Deus provavelmente levaria a pessoa para o céu tão logo ela fosse salva.
Visto que a tribulação é necessária para a descentralização do ego e para o desenvolvimento de profundas dimensões do amor ágape, este só pode desenvolver-se na escola do sofrimento. Ele cresce e se desenvolve somente através de exercício e prova.
É por isso que, logo após a regeneração e o enchimento do Espírito Santo, Deus coloca cada membro da sua Noiva no lugar em que desenvolverá as mais profundas dimensões do amor ágape, que é o objetivo supremo de Deus para nós. De acordo com o dicionário de palavras bíblicas no grego de W. E. Vine, amor ágape é o amor que ama em virtude de sua própria natureza, não por causa da excelência ou valor do objeto amado.
Nesse contexto, os relacionamentos dentro da igreja nos oferecem tremendas oportunidades para crescermos em amor. Os conflitos encontrados nesses relacionamentos são cruciais para o desenvolvimento do amor ágape e para se alcançar a unidade do Corpo de Cristo.
domingo, 21 de março de 2010
O Maná
Israel estava debaixo da graça, as suas necessidades são supridas de uma maneira maravilhosa, como lemos em Exôdo 16:4: "Então, disse o Senhor, a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus". Quando se achavam envolvidos pela nuvem fria da incredulidade, eles haviam dito: "Quem dera que nós morrêssemos por mão do Senhor, na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne, quando comíamos pão até fartar!" Porém, agora DEUS diz que lhes dará "pão dos céus". Abençoado contraste! Que diferença espantosa entre as panelas de carne, os alhos porros e as cebolas do Egito e este maná celestial - "o pão dos poderosos"! (Sl 78:25). Aquelas coisas pertenciam a terra, este pão era do céu.
Mas este alimento celestial era necessariamente, uma experiência da condição de Israel, como está escrito, "...para que eu veja se anda em minha lei ou não". Era preciso ter-se um coração separado das influências do Egito para se dar por satisfeito, ou apreciar "o pão dos céus". Com efeito, sabemos que o povo não se contentou com este pão, antes o desprezou, declarou-o "pão vil" e desejou carne.
Desta forma os israelitas mostraram quão pouco separados estavam os seus corações do Egito e como não estavam dispostos a andar na lei de DEUS: "...em Seu coração se tornaram ao Egito" (At 7:39).
Porém, longe de serem reconduzidos para ali, foram transportados, por fim, para além de Babilônia (At 7:43). Eis uma lição solene e salutar para os cristãos. Se aqueles que foram libertados deste presente século mau, não andam com DEUS com corações agradecidos, satisfeitos com a provisão que Ele fez para os remidos no deserto, estão em perigo de cair nos laços da influência de Babilônia. É uma reflexão muito séria, que requer gosto celestial para se poder alimentar do Pão do céu. A natureza não pode saborear um tal alimento; suspira sempre pelo Egito, e, portanto, deve ser sempre dominada. É nosso privilégio, como aqueles que foram batizados na morte de CRISTO e ressuscitados "pela fé no poder de DEUS" (Cl 2:12), alimentarmo-nos de CRISTO como "o pão da vida que desceu do céu" (Jo 6:51).
CRISTO: O Pão Vivo que Desceu do Céu
Este é o nosso alimento nesta peregrinação.— CRISTO apresentado pelo ministério do Espírito Santo através das Escrituras; enquanto que, para nosso refrigério espiritual, o Espírito Santo veio, como o fruto precioso da Rocha ferida. — CRISTO, que foi ferido por nós. Tal é a nossa parte neste mundo.
Ora, é evidente que, a fim de podermos desfrutar uma parte como esta, os nossos corações devem estar separados de tudo neste presente século mau, de tudo aquilo que poderia despertar a nossa cobiça como aqueles que vivem na carne. Um coração mundano e carnal não encontra CRISTO nas Escrituras nem poderá apreciá-Lo, se o encontrar. O maná era tão puro e mimoso que não podia suportar contato com a terra. Por isso, descia sobre o orvalho (veja Nm 11:9) e tinha de ser recolhido antes de o sol se elevar. Cada um, portanto, devia levantar-se cedo e recolher a sua parte. O mesmo acontece com o povo de DEUS agora: o maná celestial tem de ser colhido todas as manhãs. O maná de ontem não serve para hoje nem o de hoje para amanhã. Devemo-nos alimentar de CRISTO cada dia que passa, com novas energias do Espírito, do contrário deixaremos de crescer. Ademais, devemos fazer de CRISTO o nosso primeiro objetivo. Devemos buscá-lo "cedo", antes de "outras coisas" terem tempo de se apoderar dos nossos pobres corações. É nisto que muitos de nós, enfim, falhamos! Damos um segundo lugar a CRISTO, e como consequência ficamos fracos e estéreis. O inimigo, sempre vigilante, aproveita-se da nossa indolência espiritual para nos roubar a bem-aventurança e as forças que recebemos nutrindo-nos de CRISTO. A nova vida no crente só pode ser alimentada e mantida por CRISTO. "Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim quem de mim se alimenta também viverá por mim" (Jo 6:57).
A graça do SENHOR JESUS CRISTO, como Aquele que desceu do céu, para ser o alimento do Seu povo, é inefavelmente preciosa para a alma renovada; porém, a fim de poder apreciá-Lo desta forma, devemos compreender que estamos no deserto, separados para DEUS, no poder de uma redenção efetuada. Se ando com DEUS através do deserto, estarei satisfeito com o alimento que Ele me dá, e este é CRISTO, como Aquele que desceu do céu. "O trigo da terra" de Canaã, "do ano antecedente" (Js 5:11) tem o seu antítipo em CRISTO elevado às alturas e assentado na glória. Como tal, Ele é o próprio alimento daqueles que, pela fé, sabem que estão ressuscitados e assentados juntamente com Ele nos lugares celestiais. Porém, o maná, isto é, CRISTO como Aquele que desce do céu, é o sustento para o povo de DEUS, na sua vida e experiências do deserto. Como um povo estrangeiro no mundo, necessitamos de um CRISTO que também aqui viveu como estrangeiro; como povo assentado nos lugares celestiais, temos um CRISTO que também ali está assentado. Isto poderá explicar a diferença que existe entre o maná e o trigo da terra do ano antecedente. Não se trata da redenção, pois que esta já a temos no sangue da cruz, e ali somente; mas simplesmente da provisão que DEUS fez para o Seu povo em face das variadas condições em que este se encontra, quer seja lutando no deserto ou tomando posse em espírito da herança celestial.
Autor: C. H. Mackintosh
Extraído do Livro - Comentário do livro de Êxodo - celebrandodeus.com.br
quinta-feira, 18 de março de 2010
A igreja do amanhã
Muita gente lerá este artigo e se perguntará: Pra onde foi todo mundo? Qual é o alvo? A resposta corriqueira pode ser? Queremos ser como a igreja do Novo Testamento. Mas, como era a igreja do Novo Testamento? Este é um tema importante – e sobre o qual venho pensando nos últimos anos. Como seria a igreja daquela época se conseguíssemos vê-la em nossos dias? Em nossas cidades?
Pra começar, esqueça a igreja de hoje por uns instantes – com todos seus problemas e contradições, e imagine algo diferente. Quero que você se imagine vivendo na mesma cidade, no mesmo ano, mas você se encontra exatamente no meio de uma cena típica dos Atos dos Apóstolos. Alguma coisa, na realidade, mudou.
Sei lá por que todas as pessoas cheias do Espírito Santo em sua cidade abandonaram suas denominações e suas estruturas divisionistas. Começaram a cumprir a oração de Jesus de “que todos sejam um”. Esses cristãos se reúnem em grandes concentrações por toda parte da cidade, ao ar-livre. E, da mesma maneira, em cada rua existe uma casa onde algumas pessoas daquela rua se reúnem para comer e ter comunhão, etc. Isto é, ali se reúne a igreja da vizinhança! O poder de Deus nessas reuniões caseiras é impressionante. Milagres e curas ocorrem. Os dons fluem livremente o dia todo.
Parece que os grandes templos e catedrais estão vazios. Os cristãos não querem mais se esconder dentro de quatro paredes. Reúnem-se onde o povo está, falando de Jesus pra todo mundo. Querem ser de fato, um corpo. Nenhum templo da cidade é grande o suficiente para conter a multidão.
Os homens que lideram esse movimento não se parecem com os “reverendos” ou os “teleevangelistas” do passado. Na realidade alguns deles nunca freqüentaram uma escola de teologia, e são pessoas simples, de origem pobre. Mas, que unção! Está claro aos olhos de todos que esses apóstolos e profetas (como são conhecidos) gastaram anos em oração e quebrantamento diante de Deus – vivendo cada vez mais em comunhão com Deus. Quando falam, o temor do Senhor se apodera das pessoas, e muita gente se arrepende de seus pecados. Os demônios são expulsos, cegos curados, paralíticos andam – coisas assim acontecem o tempo todo. A cidade está perplexa e milhares e milhares são salvos. As notícias são estampadas na tevê e nos jornais.
Quando alguém se arrepende é imediatamente batizado, e recebe imposição de mãos para ser cheio do Espírito Santo. Isso vem acontecendo desde o primeiro dia! E também se espera que cada crente exerça seus dons – e são encorajados a praticarem seus dons espirituais. Não existe diferença entre “ministros” e “leigos”. Todos são ministros de Deus, contudo, existem anciãos ou presbíteros, isto é, pessoas idôneas que supervisionam tudo isso.
Pastores e bispos de várias denominações dizem que isto faz parte de um “espírito de engano” e alertam o povo pra se manterem distantes de tudo. (Cada avivamento na história teve seus acusadores e perseguidores, geralmente os líderes religiosos). Mas, honestamente, é tão óbvio ao povo que Deus está por trás dos acontecimentos que ninguém os leva a sério. O Espírito de Deus se move, e a glória de Deus desce entre as pessoas.
A razão por que alguns desses líderes estão contra é que as ofertas não vão mais para o templo, mas são distribuídas entre o povo pobre. De fato, Deus falou às pessoas para que elas comecem a ajudar as viúvas pobres e crianças de ruas e órfãos ao redor do mundo. Os cristãos que têm necessidade são imediatamente supridos.Tem gente que vendeu aquelas propriedades extras – casas de praias e de serra, para doar aos pobres.
O tema central deste grande movimento é amor. “Olhem, como essa gente se ama”! Dizem as pessoas. E as pessoas oram como nunca antes oraram.
E assim, reunindo-se como “um só povo” ao ar-livre, e partindo o pão de casa em casa, essa gente come com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e ganhando o apoio de todo o povo. E o Senhor acrescenta diariamente os que vão sendo salvos.
Isso poderia acontecer?
O que descrevi acima está no livro dos Atos dos Apóstolos, apenas contextualizado para os nossos dias. Tudo que escrevi é para dar a voce a idéia de como seria sua vida se você estivesse residindo na cidade de Jerusalém no livro de Atos. Imagine o impacto dessa igreja no mundo de hoje. E Deus quer usar pessoas comuns, como você e eu pra que isso volte a acontecer.
Não creio que devemos imaginar que a igreja primitiva era um “caso especial”. Os registros do livro de Atos foram-nos deixados como exemplo do que é normal e do que deveria ser a igreja em todos os tempos. Mesmo assim, quão distante estamos dessa igreja! Apenas em tempos de avivamento conseguimos nos aproximar do modelo acima. Creio que o que aconteceu em Atos deveria ser uma coisa normal, diária.
No entanto, uma coisa é certa: Seria bom que isso voltasse a acontecer. Mas, esteja certo de uma coisa: Para que isto volte a ocorrer a hierarquia religiosa dominante, diretorias de igrejas e conselhos têm de desaparecer. E muita gente não quer perder o poder. Elas sequer se interessam pela verdade. Tudo que afeta a posição de liderança e a organização denominacional tem de ser descartado.
Não é possível uma transição “suave” para este tipo de cristianismo; acredito que haverá um mover forte de Deus que romperá com tudo. Está no programa de Deus. Pode estar certo, meu irmão: Deus o fará! Esta é a igreja do Novo Testamento que todos anelamos.
Extraído de: [ revival school ]
Porque todo cristão deve ser um apologista?
Uma das respostas à pergunta em epígrafe é: simplesmente porque não há cristianismo à parte da apologética. Basta uma pequena olhada na história da Igreja para chegarmos a tal conclusão. E para observarmos que a apologética é tão antiga quanto a própria história eclesiástica.Principiando pelos apóstolos, passando pelos pais da Igreja e pelos reformadores, até desembocar em nossos dias, percebemos que a defesa da fé cristã tem permeado os séculos.
Na leitura da Epístola aos Gálatas observamos o apóstolo Paulo combatendo veementemente os judaizantes, os quais vinham tumultuando as igrejas da Galácia e de Antioquia com os ensinamentos de que era necessário que os gentios se tornassem judeus para obterem a salvação. Nas demais epístolas paulinas também é patente a preocupação do apóstolo com a pureza dos ensinamentos cristãos e com a conservação e disseminação da sã doutrina.
Mas na Bíblia, a defesa da fé não está presente só nos escritos de Paulo. Parte das epístolas do Novo Testamento foi escrita com o intuito de combater o gnosticismo, heresia surgida no período apostólico cujos adeptos afirmavam serem detentores de conhecimentos secretos que os colocavam à frente dos cristãos comuns. Possuíam uma cosmovisão dualista, na qual conviviam lado a lado o mundo espiritual e o mundo material, com a conotação de “o bem” e “o mal”. É possível constatar conteúdo antignosticismo nas seguintes porções do NT: nas epístolas joaninas, nas Cartas de Paulo aos Colossenses, em trechos da Carta de Paulo aos Efésios, na epístola de Judas e no evangelho de João.
Partindo para os pais da Igreja, peguemos como exemplo apenas Agostinho, quase que unanimemente tido como o maior teólogo cristão desde o apóstolo Paulo. Em seus escritos o bispo de Hipona combateu o dualismo metafísico do maniqueísmo, o cismático donatismo, os desvios do pelagianismo, além de deixar-nos um incontestável legado que, podemos afirmar, é o esboço da teologia protestante como hoje a conhecemos.
Já no período da Reforma, o que dizer das 95 teses de Lutero, nas quais o então monge agostiniano refuta os principais erros do catolicismo romano e apresenta sua defesa da justificação pela fé?
Mas, é claro: não podemos nos esquecer de Jesus, nosso exemplo-mor, o apologista por excelência. O Mestre foi (e é) incisivo. Nunca colocou “panos quentes” ao criticar os erros da religião de sua época que, por sinal, são os mesmos erros da religião hodierna: farisaísmo, exploração da fé alheia, hipocrisia. No Evangelho segundo escreveu Mateus, a expressão “ai de vós, escribas e fariseus hipócritas” é repetida nada menos que sete vezes. Jesus ali utiliza outros termos não menos contundentes, tais como “condutores cegos”, “insensatos e cegos”, “fariseu cego”, “sepulcros caiados”, “serpentes” e “raça de víboras”.
Além disso, nos orientou a ter cautela quanto aos falsos líderes religiosos (Mateus 7.15, 24.11).
Se ser cristão é ser seguidor de Cristo, devemos imitá-lo em tudo. Sem sombra de dúvida, Ele quer isso. Quer que sejamos nobres como os bereianos (Atos 17.11). Críticos, racionais, e não "vaquinhas de presépio" dizendo "Amém" para tudo, inclusive para os erros e heresias.
A Palavra de Deus nos exorta a “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas v. 3). O que é esse batalhar pela fé? É estar convicto de nossas crenças e combater por todos os meios possíveis as heresias e as distorções do Evangelho. É saber que aquele que professa o cristianismo está num campo de batalha, onde está travada uma luta ferrenha contra inimigos espirituais que se utilizam de meios materiais visando a propagação de “um outro evangelho”, o qual, por todas as formas, deve ser refutado.
Por essas e outras tiro o chapéu para e procuro espelhar meu ministério em homens de Deus como Hank Hanegraaff, Norman Geisler, Paulo Romeiro, Natanael Rinaldi e tantos outros que dedicam ou dedicaram sua vida ao combate às heresias internas e externas. As internas, aliás, são as mais preocupantes.
Como podemos nos calar ao ver o Jesus verdadeiro e a fé bíblica sendo substituídos por invencionices e doutrinas ilegítimas? Como ficar quieto ao ver a igreja sendo ameaçada por chagas malignas como a Teologia da Prosperidade e seu comércio da fé, o Triunfalismo, e por tantas seitas pseudocristãs?
Apontar o erro não é pecado. Tampouco o é discordar daquilo que não está de acordo com as Escrituras. É ser coerente, racional. E é também um ato de amor para com o próximo (Tiago 5.19,20; II Timóteo 2.24,25; Judas 22,23). Afinal, muitos estão hoje crendo em outro Jesus, seguindo o evangelho errado, com um pensamento errado acerca da salvação e, por conseguinte, se persistirem no erro vão passar a eternidade no céu errado. Não queremos isso pra ninguém. Nem Jesus, Aquele cujo desejo é que “todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (I Timóteo 2.4). Por isso, sigamos defendendo o cristianismo bíblico. Batalhando pela fé que uma vez foi dada aos santos. Combatendo o erro e apontando O CAMINHO correto.
Soli Deo Gloria
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