domingo, 8 de agosto de 2010

OS DIAS CONTADOS POR DEUS

Os Dias Contados Por Deus


"..Ensina-nos a contar os nossos dias"

Moisés, o homem de Deus, disse no Salmo 90:10: “Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando”.

É assim que a nossa vida é curta. Muito embora com a higiene moderna pareça que as pessoas sejam capazes de viver um pouco mais, por outro lado isso está desbalanceado pela perplexidade e a complexidade da vida moderna. A vida daqueles que viveram durante os primeiros tempos era muito mais fácil. Havia menos exigências, menos interesses. Eles tinham a abundância de tempo, de certo modo, para meditar. Mas a vida moderna é tão pressionada, tão cheia que você nem tem tempo para pensar. Enfrentamos todos esses problemas, contudo nos lembramos de que a nossa vida e o nosso tempo são dados por Deus. Um dia teremos que estar diante do Senhor e dar conta de como usamos os Seus dons, se os temos usado sabiamente ou os temos usado tolamente.



Moisés orou: “Senhor, ensina-nos a contar os nossos dias”. Em outras palavras, temos que ter sabedoria para saber como gastar o nosso tempo, para gastá-lo de tal modo que possa ser contado na eternidade. Podemos viver setenta ou oitenta anos ou mais, mas quantos dias realmente são contados por Deus? Esta é uma pergunta que temos que fazer a nós mesmos. Usamos o nosso tempo sabiamente segundo a vontade de Deus? Um dia quando tivermos que comparecer diante Dele, quantos dias da nossa vida serão contados? Quantos dias serão simplesmente inúteis? Esta questão de prioridade se torna muito real, pressionando cada um de nós, não somente aqueles de idade, mas até mesmo aqueles que estão apenas começando suas vidas.



O NOSSO TEMPO ANTES DA SALVAÇÃO



Antes que fôssemos salvados o deus deste mundo tinha cegado os nossos olhos. Ele tinha obscurecido as nossas mentes. Assim naqueles dias a nossa prioridade de vida era totalmente alterada. Não podíamos ver muito longe. Tudo o que podíamos ver era esta vida, este mundo, este tempo limitado. Durante aqueles dias a nossa prioridade era colocada nas coisas deste mundo.

Como poderíamos obter mais dele? Como poderíamos gozar de tudo que o mundo pode nos dar? Como poderíamos nos satisfazer, nos gratificar? Éramos egocêntricos. Vivíamos para nós mesmos e queríamos o melhor de tudo durante este curto tempo de vida. Era aí onde estávamos. Lembro-me de uma história verdadeira sobre um casal. A esposa era cristã devota, mas o marido não era crente. A esposa amava seu marido, por isso tentou no máximo persuadir seu marido a se voltar para o Senhor. Mas foi em vão. Ela não sabia o que fazer, por isso orou, e o Senhor deu a ela sabedoria. A partir daquele dia em diante, ela começou a tratar o seu marido muito regiamente. Ela deu ao seu marido o melhor de todas as coisas. Quando eles comiam, sempre dava a ele a melhor comida. Em tudo sempre dava o melhor ao seu marido. Depois que tinha feito isto durante algum tempo seu marido começou a questionar: Por que ela me trata desta forma? Assim um dia seu marido perguntou-lhe: “Por que você sempre me dá o melhor?”. “Bem,” disse a esposa, “isso é tudo o que você pode ter. A sua vida é apenas para este mundo. Você não tem nenhum futuro. Você não tem nenhuma esperança. Você não tem nada. Portanto devo lhe dar tudo enquanto pode tê-lo porque se você não o tiver agora perderá”. Isto tocou o seu coração. Finalmente, o marido veio ao Senhor. Se você tiver apenas deste mundo para desfruta, o meu conselho é que desfrute dele ao máximo. Coma e beba, pois amanhã você morrerá. Você não tem nada mais. Mas infelizmente, não é verdade. A nossa vida aqui está somente em período de experiência. Deus nos dá certa quantidade de dias, de anos. Estamos no período de experiência e Deus quer ver quão sabiamente ou quão tolamente usamos o nosso tempo porque o nosso tempo hoje está estreitamente relacionado à eternidade. A forma com que gastamos os nossos dias hoje decide o nosso futuro, a nossa eternidade. Portanto não é algo que podemos apenas jogar imprudentemente.



BUSCAR PRIMEIRO O REINO



Nós que fomos salvos pela Sua graça, nós que somos filhos de Deus, devemos certamente saber melhor. Como devemos gastar os nossos dias? Temos um princípio que nos governa? Como usamos o nosso tempo? Como dividimos o nosso tempo? Precisamos de orientação. Quando você vai à palavra do Deus, encontra que um dos nomes de Deus é: “Eu sou o primeiro”. “Eu sou o primeiro” é o nome de Deus. O Seu nome é o primeiro, mas não é apenas um nome vão porque este nome representa uma realidade. Ele é o primeiro. Ele não é somente o primeiro na criação; Ele é o primeiro na redenção. Ele é o primeiro no amor. Ele é o primeiro na oferta. Ele é o primeiro em tudo. Ele não é somente um nome; Ele é uma realidade. Em outras palavras, Ele é o primeiro da sua vida.



Isto é verdadeiro conosco? Você pode dizer que Deus é o primeiro em sua vida? Há ali muitas outras coisas que parecem ocupar o primeiro lugar e Deus está em algum lugar por último? Não deveria ser assim. Ele é o primeiro.

É a vontade de Deus que Seu Filho querido deva ter o primeiro lugar em todas as coisas. Ele é o primeiro na criação e esta é a razão por que toda a criação foi criada Nele, por Ele e para Ele. Ele é o primeiro na redenção. Ele é o Cabeça do corpo de Cristo, o primogênito dentre os mortos, o princípio da igreja. E Ele tem o primeiro lugar em sua vida. Este é o propósito de Deus. O propósito de Deus consiste em que Cristo tenha o primeiro lugar em sua vida. Isso é verdade em sua vida? A palavra de Deus diz: “Buscai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça, e todas as demais coisas lhe serão acrescentadas”. Em nossa busca, somos como aqueles que não têm Pai celestial, que estão se preocupando com o que comer, o que beber, e o que vestir? Essas são as necessidades da vida e precisamos de todas essas coisas. Mas estamos ansiosos sobre o que comer ou beber e se vestir como se não tivéssemos ninguém para cuidar de nós? Onde está o nosso Pai celestial? Ele sabe o que precisamos e a Sua ordem é: “Buscai primeiro o reino de Deus e a Sua justiça”. Se a sua prioridade for correta, todas essas coisas lhe serão acrescentadas. Elas seguirão. A questão da prioridade é algo que temos de decidir bem no começo da nossa vida cristã. Certamente, não é muito tarde se você não tiver feito isto e já foi cristão por certo número de anos. Nunca é muito tarde. Temos que estabelecer a nossa prioridade quando o que realmente vemos é o mais importante em nossa vida.



MUITAS DEMANDAS PARA O NOSSO TEMPO



Esta vida é tão curta e os nossos dias são tão restritos, só vinte e quatro horas. Há muitas necessidades. Há muitas demandas. Há muitas necessidades legítimas. Temos que ter descanso, oito horas de sono. Temos que trabalhar oito horas. E hoje, a vida é tal que podem nos pedir para trabalhar dez horas ao em vez de oito horas. E temos que comer, o que toma talvez duas horas.

Assim não há muito tempo sobrando. Então há a família para cuidar. Há as crianças para cuidar. Há aqueles que estão na escola, por isso você tem as lições. Você tem muitas outras atividades extracurriculares, e naturalmente precisa de recreação. Você não pode estar sob tensão todo o tempo. Assim você encontra que está abarrotado com todas essas demandas, e cada demanda parece querer todo o seu tempo e toda a sua força. O que você fará?

O nosso inimigo é muito esperto. Ele é aquela velha serpente. Quando Moisés foi ao Egito e falou ao Faraó: “Deus disse: Deixa o Meu povo ir para que possam Me servir”, qual foi a reação do Faraó? Ele já tinha colocado esses filhos de Israel para trabalhar duro fazendo tijolos para construir as cidades para ele. Mas quando Moisés disse: “Deus disse: Deixai o Meu povo ir para que possam Me servir”, o Faraó disse: “Esse povo tem muito tempo livre para eles mesmos. Por isso querem ir e adorar. Aumentem o trabalho deles. Eles têm que produzir a quantidade certa de tijolos, mas não lhes dê nenhuma palha. Deixe-os ir e encontrar a palha”. Em outras palavras, se os fizermos totalmente ocupados não pensarão em nada das coisas espirituais. Tudo será somente para esta vida física. Não haverá nada espiritual. Isso é o que o inimigo diz. É o que o inimigo esteve fazendo e é o que o inimigo está fazendo hoje. Todos os que estão trabalhando se queixam que inicialmente havia apenas oito horas de trabalho. Agora você tem que trabalhar dez horas, talvez doze horas; se não, pode ser despedido. É o velho truque do inimigo.

Assim você é confrontado com todos esses problemas. Por um lado, somos confrontados com as necessidades da vida. Por outro, o inimigo está tentando muito fortemente tomar todo o seu tempo para que você não tenha nenhum para pensar em Deus, nenhum tempo para adorar, nenhum tempo para ler a sua Bíblia, nenhum tempo para orar, nenhum tempo para se reunir. O que você fará sob esses tipos de circunstâncias? A única solução consiste em que você estabeleça a sua prioridade. Se você não tiver uma prioridade e todas as coisas forem igualmente importantes, sabe o que acontecerá? Você será dirigido apenas pelas circunstâncias externas. Quando aquela necessidade chega, então você vai após ela. Então ela começa a consumir o seu tempo e energia até que esteja esgotado. E logo chega outra necessidade. Em outras palavras, você não tem nenhum princípio de vida. Você não tem nenhum objetivo na vida. Você está sendo apenas agitado e mudado pelos poderes e forças externos. Certamente você não gosta de viver este tipo de vida, não tendo nenhum significado, nenhum objetivo, sendo apenas passivamente dirigido pelas suas necessidades ou circunstâncias externas. Certamente você não quer fazer isso. Mas se você estabelece uma prioridade errada então estará indo na direção errada.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

DEFININDO JUDAÍSMO MESSIÂNICO

Comentário de Russ Resnik






Adendo 1. O que queremos dizer com “judeu”?



O Comitê Teológico da U.MJ.C (União das Congregações Judaico-Messiânicas) define Judaísmo Messiânico como um movimento congregacional judeu pelo Mashiach: Judaísmo Messiânico é um movimento de congregações e comunidades judias comissionado a Yeshua, o Mashiach, que segue a responsabilidade pactual da vida judaica e identidade arraigada na Torah, expressa em tradição, e aplicada no contexto do Novo Pacto.



Uma vez que o adjetivo “judeu” aparece duas vezes nesta declaração básica e está claramente no coração de nossa auto-definição, devemos definir o que queremos dizer com o termo. Tal definição talvez não alcance uma finalidade teológica, mas na prática, seria clara e útil para a mais abrangente auto-definição do Judaísmo Messiânico.



Pode ser útil começar separando duas distorções modernas do termo “judeu”.

1. Judeu como uma categoria religiosa.

Obviamente, a qualidade de ser judeu tem espantosas implicações religiosas, mas é um erro modernista ver “o ser judeu” principalmente como uma questão de identificação religiosa. Há muita confusão nos círculos judaico-messiânicos sobre esta questão. Às vezes, não-judeus adeptos começam a chamar a si mesmos de judeus porque eles cultuam num contexto judaico. Em vez disto, diríamos que o Judaísmo em toda sua extensão e diversidade é a religião do povo judeu, mas aquela adesão aos ensinos e práticas do Judaísmo não faz de alguém um judeu. E aquele que é judeu e rejeita os ensinos e práticas do Judaísmo, contudo, permanece judeu. O Judaísmo, como religião, está ligado a ser judeu, mas não é sinônimo dele.

2. Judeu como uma categoria racial.

Esta é uma outra distorção moderna, uma com um fruto ainda mais amargo do que o primeiro. As Escrituras falam de nações, tribos, povos e línguas (p.ex.: Apocalipse 7:9), isto é, sub-grupos unidos da humanidade, mas não de raça no sentido moderno biológico. O termo “sangue” não é geralmente ouvido em discussões contemporâneas: “sangue judeu corre em minhas veias”. “Ele é judeu de sangue puro”. Na verdade, tal terminologia não poderia ser usada porque as Escrituras vê toda a humanidade como um (ou um sangue; Atos 17:26 em alguns manuscritos) e manifesta em muitos povos (ethnoi em grego; goyim em hebraico). Vemos no mundo judaico contemporâneo uma grande diversidade de “raças”.



A qualidade de ser judeu, portanto, é melhor compreendida como qualidade de ser membro em um povo. Esta definição pareceria grifar a linguagem de Shaul em Filipenses 3:4-5: “Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus...”.



Michael Wyschogrod em The Body of Faith (Northvale, NJ: Jason Aronson, 1996, pp.56-57,67) denomina este “ser membro em um povo” uma “identidade de família”.



O Judaísmo não é um conjunto de crenças, não obstante este termo seja assim amplamente interpretado. Uma definição completa de Judaísmo, implica, é claro, num todo complexo de idéias, crenças, valores e obrigações atribuídas pelo Judaísmo... Mas, por mais decisivos que sejam, eles são, num sentido, mais uma super-estrutura do que um alicerce. O alicerce do Judaísmo é a identidade de família do povo judeu como descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. Qualquer coisa que seja acrescentada a isto deve ser vista como um amadurecimento e relacionado à identidade básica do povo judeu como a semente de Abraão eleita por D-us por meio da linhagem de Abraão. Este é o ponto crucial do mistério da eleição de Israel... Elegendo a semente de Abraão, D-us criou um povo que está a Seu serviço na totalidade de sua humanidade e não somente em sua existência moral e espiritual.



Tal compreensão é particularmente útil para desenvolver uma definição prática de Judaísmo Messiânico porque o pensamento judaico já desenvolveu seus limites de membresia no povo judeu. Podemos construir nossa própria definição e atuar dentro destes limites existentes, instruídos pela nossa leitura das Escrituras.



O significado principal da qualidade de ser judeu, então, é um nascimento judeu. Tradicionalmente, aquele que é nascido de mãe judia. O Judaísmo Messiânico decidiu concordar com a Reforma Judaica, que diz que aquele que descende tanto de pai ou mãe judia, é isso que faz alguém judeu, se alguém mantiver alguma conexão com a comunidade e prática judaicas. Este tratamento, embora não seja oficialmente sancionado, parece ser quase universal em nosso meio, e está de acordo com os exemplos fornecidos pelas Escrituras. Ele revela dois outros aspectos da qualidade de ser judeu:



Primeiro, a qualidade de ser judeu é fazer parte da comunidade. Uma definição estritamente religiosa é defeituosa porque inclina-se a ver identidade principalmente em termos individuais. Nesta interpretação, um indivíduo gentio pode se tornar judeu porque decidiu seguir os costumes judaicos. Desse modo vemos as congregações auto-denominadas “Judaico-Messiânicas” sem nenhum membro judeu e nenhuma ligação real com sua comunidade judaica local. Ao contrário, eles consistem num grupo de indivíduos que decidiram adotar uma forma de Judaísmo que obtêm das Escrituras e um conhecimento superficial de fontes judaicas isoladas da comunidade judaica existente.



A qualidade de ser judeu, no entanto, sempre deve significar ligação com a comunidade judaica mais ampla e sua vida. Não se pode fazer parte do povo judeu e ao mesmo tempo negligenciar completamente os limites comunitários judaicos e auto-definições. A declaração apresenta bem este ponto: A vida judaica é vida numa comunidade concreta e histórica. Portanto, os grupos judaico-messiânicos devem fazer parte integralmente do povo judeu, compartilhando sua história e sua responsabilidade pactual como povo escolhido por D-us.



Talvez sejamos capazes de estender os limites e auto-definições com base em nossa particular leitura das Escrituras (assim como os reformados, por exemplo, os estendeu em seu envolvimento com o mundo moderno), mas não podemos negligenciá-los.



Segundo, a qualidade de ser judeu tem continuidade. Um judeu é alguém nascido pelo menos de uma mãe ou pai judeu, herdeiro de uma linha de identidade judaica por gerações, mesmo se aquela linha tenha se tornado fina em décadas recentes. Uma vez que a identidade judaica não é racial, a descoberta de ancestrais judeus não representa um judeu, a menos que haja algum tipo de identificação contínua. Alguém que descobre um ancestral judeu e se sente atraído a se identificar com o povo judeu devia ser encorajado a aprender e crescer em conhecimento e costumes. Pode vir o tempo quando teremos, dentro do Judaísmo Messiânico, um ritual de retorno à qualidade de ser judeu. Mas sem alguma forma de ritual e reconhecimento público, tal indivíduo simplesmente descreveria a si mesmo como tendo ancestral judeu e um amor pelo povo judeu, não sendo ele mesmo judeu.



Isto levanta a questão da conversão ao Judaísmo. As Escrituras claramente fornece um modelo para aqueles de fora do povo judeu se tornar parte do povo, e cria um precedente para um ritual de conversão por meio da circuncisão. Se desenvolvemos ou não, tal ritual dentro de nossos próprios círculos, devemos reconhecer sua validade no mundo judaico mais amplo. Se buscamos fazer parte do povo judeu, devemos aceitar as normas gerais de conversão prevalecentes dentro da comunidade judaica. Assim, como todas as formas de Judaísmo, vemos um convertido, seja no contexto da Reforma, Conservativo, ou Ortodoxo, como um judeu, e sua descendência normalmente como judia.



Esta norma geral para o significado da qualidade de ser judeu cobre a maior parte dos casos no mundo real. Sempre haverá exceções, e aqui novamente precisamos nos comportar como uma forma de Judaísmo. Os indivíduos com reivindicações ou questões referentes à identidade judaica precisam ser encaminhados à liderança pública de nossas congregações. A questão da identidade judaica não é o tipo de questão que alguém resolver por si mesmo. Nem em ocasiões mais difíceis, é algo que um líder individualmente pode resolver. Aqui precisamos providenciar liderança rabínica pública para conduzir os membros da família do Judaísmo Messiânico.



Adendo 2. Um modelo para a participação de gentios no Judaísmo Messiânico.





Se visionamos o Judaísmo Messiânico como um movimento judaico por Yeshua, ou até mesmo como uma forma de Judaísmo, então como entendemos a presença de muitos gentios comissionados e contribuintes em nosso meio? Proponho que Ahavat Yisrael – amor por Israel forneça o melhor modelo pela total participação no Judaísmo Messiânico.



Michael Wyschogrod escreve: “O amor infinito, eterno e absoluto do Senhor por Israel... é o tema central da Bíblia. Nada mais enfim importa. Tudo deve ser visto em sua luz. Só porque é verdadeira tudo o mais é verdadeiro. (Body of Faith, p.118).



Em contraste, alguém pode afirmar que o Mashiach, e não o amor de D-us por Israel é “o tema central da Bíblia”. No entanto, num sentido, ambas afirmações estão erradas. Tanto Ahavat Yisrael (o amor infinito do Senhor por Israel) quanto à promessa do Mashiach, devem ser entendidos dentro da história bíblica mais ampla começando na Criação. O propósito de D-us de redenção é revelado tão logo Ele chama por Adão que está escondido no jardim: Eyeka – onde está você? Vai adiante com a eleição de Abraão, Isaque e Jacó e alcança um ápice com o Êxodo do Egito e a entrega da Torah. A compreensão da redenção se expande nos profetas de Israel, e alcança o ápice mais alto com a chegada do Mashiach. A redenção final, a consumação do propósito original de D-us na criação, aguarda o retorno do Mashiach. Dentro deste contexto mais amplo, os dois temas – Ahavat Yisrael e a vinda do Mashiach – são totalmente compatíveis.



Mas, Ahavat Yisrael não fala somente do amor de D-us por Israel, pelos judeus que vivem ao nosso redor. Crentes dentre os gentios podem compartilhar neste aspecto de Ahavat Yisrael também, e este compartilhar é a chave para a frutífera participação de gentios no Judaísmo Messiânico. Ahavat Yisrael, mais do que qualquer outro exemplo descreve a chamada de gentios dentro do Judaísmo Messiânico.



Vamos refletir brevemente sobre três tipos de exemplos do envolvimento de gentios. Se compreendidos apropriadamente e praticados, cada um destes pode fornecer direção proveitosa, mas cada um está sujeito a muita distorção e não é apropriado como uma motivação principal.



1. Evangelismo de judeus.

O Judaísmo Messiânico deve dar testemunho de Yeshua como Mashiach dentro do mundo judaico mais amplo e normalmente procurará buscar influenciar outros judeus para a fé em Mashiach. Na verdade, o futuro do nosso movimento depende de atrair novos adeptos judeus. No entanto, nossas congregações não podem ser meras plataformas para evangelismo, mas devem ser expressões judaicas públicas genuínas pelo Mashiach dentro da comunidade judaica mais abrangente. Se Yeshua é o Mashiach judeu, então deve ser um meio em que seus seguidores possam testemunhar com integridade ao povo judeu, apesar de séculos de abuso e mal-entendidos. Os gentios que desejarem proclamar as boas novas do Mashiach ao povo judeu devem amar Israel, devem ser sensíveis à dor da interação com o Cristianismo, ao longo dos milênios. Na verdade, só Ahavat Yisrael, não o zêlo evangelístico, encontrará um caminho para proclamar Yeshua como Mashiach que não dilacera as almas e as famílias judias. Ver a congregação judaico-messiânica como um posto missionário distorce nosso divino chamado para construir comunidades judaicas pelo Mashiach, mas, os membros gentios motivados pelo amor ao povo judeu podem ter um papel vital na construção de tais comunidades.



2. União de judeus e gentios no Mashiach.

Definindo Judaísmo Messiânico declara que a união judaico-gentílica no Mashiach é melhor expressa socialmente como congregações judaico messiânicas edificadas em profundos relacionamentos com igrejas gentílicas. Congregações judaicas e gentílicas dentro do Corpo de Mashiach mais extenso, em sua distinção contínua e bênção mútua antecipam o shalom do mundo por vir. Procurar antecipar este shalom dentro de uma congregação judaico-gentílica local diminuirá a “distinção contínua” entre judeu e gentio que é necessária para a “bênção mútua”. Os gentios com certeza são bem-vindos dentro das congregações judaico-messiânicas e muitas vezes essenciais à tarefa de construir estas congregações, mas as congregações permanecem judaicas, não expressões de “um homem novo” que não é nem judeu nem grego. Muito de suas vidas tem base não só nas Escrituras ou em preceitos universais para todos os crentes, mas em ensinamentos e tradição judaicos. Os gentios motivados pelo Ahavat Yisrael participarão nas congregações judaico-messiânicas nestes termos.



3. Retorno a Torah.

Não é a missão do Judaísmo Messiânico chamar gentios para a Torah e raízes judaicas. Na verdade, a promoção de raízes judaicas (dependendo do que se queira dizer com esta frase) poderia diminuir o único lugar de Israel no plano de D-us. A Torah permanece um vivo e relevante documento para todos os crentes, judeus e gentios, mas muitas de suas peculiaridades são planejadas somente para Israel. Judeus messiânicos devem se apropriar da rica tradição da Torah, não necessariamente porque esta tradição é ordenada para todos os crentes, mas porque nós somos judeus. Os gentios podem ser motivados a participar nesta tradição por amor a Israel e ao D-us de Israel, mas eles devem ter cuidado para confirmar o relacionamento único de Israel para a Torah. As Escrituras descrevem Israel como um povo chamado para permanecer distinto – “eis que é povo que habita só, e não será reputado entre as nações” (Números 23:9, VRA). Muito da Torah é dado para expressar e preservar distinto destino de Israel. Um movimento de raízes judaicas que não é cuidadoso para respeitar a distinção entre judeus e gentios pode obstruir o propósito de D-us para ambos. E pode perder o ponto de focalização do Novo Pacto – a presença redentora do Mashiach nesta era por meio do Seu Espírito.



No fórum do ano passado, Jerry Feldman propôs esta questão: “Qual é a chamada de um gentio na congregação messiânica?” Ele respondeu com o que corresponde a descrição de Ahavat Yisrael:



Não estou pedindo a não-judeus a se tornarem judeus. Pelo contrário, considero nossas crianças judias crescendo com uma identidade judaica nos propósitos de D-us como o remanescente de Israel. Qualquer coisa que diminuísse a fidelidade de D-us, a qual salvou Israel, que é o emblema desta fidelidade, teria conseqüências sérias. Obviamente os gentios não deveriam ser, fazer ou esperar qualquer coisa que diminua nossa responsabilidade como judeus. Os comentários às vezes sugerem que “somos judeus demais”, ou que “deveríamos cultuar mais no Espírito” (enraizados numa expectativa cultivada mais pela igreja local do que pelas fontes bíblicas judaicas)... Ruth nunca teve estas críticas e exigências quando ela disse: “Seu D-us será o meu D-us; o seu povo será o meu povo”.



Este amor sacrificial por Israel está arraigado no próprio amor de D-us por Israel, descrito na bênção que precede o Shema matinal: Com amor abundante tem nos amado, SENHOR, nosso D-us; com mui grande misericórdia tem compadecido de nós... Tem nos escolhido dentre cada povo e língua. E tem nos trazido para perto do Teu grandioso Nome sempre na verdade, para oferecermos ações de graças a Ti, e proclamar Tua unidade com amor. Louvado seja, SENHOR, Que escolhe Teu povo Israel com amor (do Sidur Artscroll).



Ahavat Yisrael como motivação principal não diminui a participação gentílica no Judaísmo Messiânico, mas o eleva, pois é a participação no próprio amor de D-us pelo Seu povo. Este amor nos atrai a todos – judeus e gentios igualmente – no serviço mútuo encarnado pelo próprio Mashiach. Os gentios no Judaísmo Messiânico não estão aqui por eles mesmos, mas pelo próprio povo do Mashiach, que tem sido ferido em Seu nome por outros gentios. E os judeus no Judaísmo Messiânico também não estão aqui por eles mesmos, mas devem aceitar a rejeição e incompreensão que o Mashiach suportou no meio do Seu próprio povo. Juntos, judeus e gentios no Judaísmo Messiânico têm o raro privilégio de incorporar a vida sacrificial do Mashiach que proclamamos.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Cinco Tipos de Perdão -W.NEE

"Vejam a tamanha importância de se perdoar!"


1. PERDÃO ETERNO



Rm 4.7; Ef 4.32; Col 2.13; 1Jo 2.1; At 10.43

Quando cremos no Senhor Jesus, todos os nossos pecados do passado, presente e futuro perdoados para sempre.





2. PERDÃO DA IGREJA



Jo 20.19-23; At 9.26-28

A igreja para batizar alguém precisa crer que Deus já o perdoou. Homem nenhum pode perdoar pecados, por isso podemos chamá-lo de “perdão emprestado”.



3. PERDÃO PARA COMUNHÃO



1 Jo 1.9; 2.1,2

O pecado quebra a comunhão do crente com o Pai. Esse tipo de perdão é para restaurar a comunhão rompida.





4. PERDÃO COM DISCIPLINA



2 Sm 11; 12.26,27; Gl 6.7,8; Jz 16.28; Tg 5.14,15; 1Pd 5.6,7; 1Co 11.30-32

A prática do pecado torna necessária a vara da disciplina.



5. PERDÃO NO REINO



Mt 12.32; 6.14,15; 7.1,2; 18.21-35; Lc 6.38; Rm 2.1-3; 1Co 6.1-8; Tg 2.13; 1 Pd 4.17

Se não perdoarmos nossos irmãos aqui a porta do Reino será fechada para nós até que os perdoemos de coração.





Extraído do livro: Conhecereis a Verdade

terça-feira, 22 de junho de 2010

Graça e Reino

Uma síntese perfeita de graça e reino".


"…Viu a um publicano chamado Levi, sentado no banco dos tributos públicos, e lhe disse: Segue-me. Este, deixando tudo, levantou-se e o seguiu" (Lc. 5:27-28). "No dia seguinte outra vez estava João, e dois dos seus discípulos. E olhando para Jesus que andava por ali, disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus. Ouviram-no falar os dois discípulos, e seguiram a Jesus" (Jn. 1:35-37). "…dar testemunho do evangelho da graça de Deus" (At. 20:24). "Percorreu Jesus toda Galiléia, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino…" (Mt. 4:23).





Os que crêem obedecem, os que obedecem crêem





Dietrich Bonhoeffer, em seu livro "Discípulos", mostra esta diferença no cristianismo que era vivido no tempo da Segunda Guerra Mundial.

A ênfase: "Os que crêem, obedecem" está representado pelos que enfatizam a graça. A ênfase: "Os que obedecem, crêem" está representado pelos legalistas. Aqui se aprecia com clareza como duas ênfases bíblicas que são verdadeiras, terminam distorcendo o sentido das Escrituras.

As duas afirmações são corretas, porque fé e obediência são verdades que o Senhor espera que se cumpram em seus discípulos, mas quando as separam, os discípulos são conduzidos a uma passividade ou a um ativismo. Pois a "graça barata", como chama Bonhoeffer à fé sem obediência, conduz à passividade, e a ênfase na obediência conduz ao ativismo das obras da carne.

Estas mesmas ênfases estão em todo o Novo Testamento. Quando não se tem revelação da verdade completa, mas somente parcial, as separam e as enfatizam de um modo, criando correntes quase antagônicas no cristianismo.

Os evangelhos mencionam "o evangelho do Reino". Paulo nos Atos dos Apóstolos menciona "o evangelho da Graça". Há dois evangelhos? Não. O evangelho é um só, porque o evangelho é o Senhor Jesus Cristo.





O evangelho da graça





Só que ao enfatizar a graça, apresentamos a Cristo como o Cordeiro em sua gestão redentora, dando-se a si mesmo em resgate pelos pecadores, não exigindo mais do que a fé. A fé é a ferramenta que apropria todo o bem de Deus, outorgado por puro amor a quem vier a Cristo para receber os múltiplos benefícios dispensados pelo Pai. A graça opera do céu, precisamente, para os pecadores que estão mortos em seus delitos, não podendo fazer nada por si mesmos, não tendo mérito algum para serem agraciados, pelo contrário, porque estão invalidos, devido a sua condição de morte e condenação; Deus mostra o seu amor, através da morte do Cordeiro, propiciando a salvação inteiramente por graça e sem custo algum para o pecador.

Deus fez que Cristo se tornasse para nós "sabedoria, justificação, santificação e redenção" (1ª Cor. 1:30) Paulo guiou os cristãos ou seja que em Cristo estão completos, que nele temos tudo e que "nada nos falta em nenhum dom" (1ª Cor. 1:7)

A graça tudo dá de pura graça; a graça, ao contrário da lei, não exige condições, a fé é suficiente para receber "a abundância da graça e o dom da justiça" (Rom. 5:17). Receber é crer. Toda esta operação é efetuada pelo Espírito Santo no coração dos que se unem a Cristo, sem responsabilidade nem esforço algum por parte dos crentes, apenas a fé.

Quando se enfatiza a graça, necessariamente se enfatiza a fé e o Espírito, pois estas categorias de palavras andarão sempre juntas; e, ao contrário, quando se enfatiza a obediência à lei, enfatizam-se também as obras e a carne, sendo estas três categorias de palavras um bloco inseparável. No entanto, o evangelho é um só e precisamos compreendê-lo em sua totalidade.

A ênfase no evangelho da graça se resume na frase: "os que crêem, obedecem" ou "os verdadeiros crentes são os que obedecem". Com isto quer dizer que a fé vem primeiro e a obediência vem depois, como um fruto da fé. Paulo fala da obediência à fé (Rom. 1:5). O que é o que envolve a mensagem da fé? Receber a Jesus Cristo em sua totalidade: "No evangelho, a justiça de Deus se revela por fé e para fé, como está escrito: Mas o justo, pela fé viverá" (Rom. 1:17). O pensamento de Paulo é que o evangelho começa com fé, e segue em fé durante toda a carreira do cristão.





O evangelho do reino





Ao contrário disso, a ênfase no evangelho do reino está representada pela frase: "Os que obedecem são os verdadeiros crentes", para o qual é citada uma série de textos bíblicos para fundamentar (da mesma forma que na ênfase da graça) tal afirmação.

Temos o caso de Mateus, a quem Jesus lhe diz: "Vêm e segue-me". Este, imediatamente, deixou o que estava fazendo e o seguiu. O que foi primeiro neste caso… a fé ou a obediência? Primeiro a obediência, mas sobre a base de que Mateus creu que Jesus era o Messias - e que está implícito na história da sua chamada.

O caso daquele discípulo ao qual o Senhor manda pregar o reino, mas ele se desculpa que primeiro deve atender a seu pai até que morra; a este, Jesus lhe diz: "Segue-me; deixa que os mortos enterrem os seus mortos" (Mat. 8:22). Este discípulo tinha uma medida de fé no Messias, mas não tinha revelação em relação ao valor do reino. Considerava que cuidar do seu pai até a velhice era mais importante que anunciar o reino. Os discípulos têm que saber que a primeira coisa em suas vidas é o Rei, e logo as demais coisas virão como acréscimos.

No evangelho do reino apresentamos a Jesus como o Rei; sendo assim, tem todo o direito de exigir e mandar que os seus discípulos lhe obedeçam, que lhe sigam por qualquer lugar que ele vá.

O chamado do Rei a uma entrega e obediência absoluta, implica primeiro, que aquele que vai seguir saiba a quem está seguindo, mesmo que não entenda tudo - recordemos que a esperança do Messias era uma fé de todo verdadeiro israelita, assim que, entregar-se a ele implica aceitar que Jesus, verdadeiramente era o Messias, e isto era um fato de fé em primeiro lugar.





O que o Rei exige primeiro ele deu em graça; não há nada que ele nos peça, que antes não o tenha dado. A ênfase na obediência é correta, como também o é na graça, porque tudo o que Jesus requer não podemos lhe negar, pois ele tem todo o direito de ordenar aos seus discípulos obediência total.

O Rei sabe que não pode enviar os seus servos em suas próprias forças; sabe que têm que ser capacitados. Neste aspecto a graça brilha, pois por ela os discípulos estarão em condições de dar a sua vida por seu mestre.

Não há contradição entre a graça e a lei. A graça outorga, a lei exige; só que agora, em Cristo, a lei exige o que a graça dá. Por esta razão, Paulo assinala que agora, na graça, "a justiça da lei se cumpre em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito" (Rom. 8:4).

Quando a Paulo perguntavam se agora, por estar debaixo da graça seguiríamos pecando, ele respondia: "De maneira nenhuma", porque estar debaixo da graça é estar sob Cristo e sendo assim: "tudo posso em Cristo que me fortalece" (Fl. 4:13). Esta é a onipotência da graça, que capacita o discípulo a obedecer em tudo ao seu Senhor.

No Antigo Testamento, os crentes estavam debaixo da lei. Aquele era um regime de obras apoiado nos esforços da carne. Deus o instituiu assim para que o povo de Israel e as gerações vindouras soubessem que a carne não tem solvência moral para cumprir os requisitos da vontade divina. O regime da lei pôs a prova o homem em geral, e ficou demonstrado que "os intuitos da carne… não se sujeitam à lei de Deus, nem tampouco podem" (Romanos 8:7).

Deus tirou o regime da lei e nos transportou para o do Espírito, o que não significa que a lei desapareceu, mas o que desapareceu foi o regime. O regime da letra, da lei foi trocado pelo regime do Espírito. A lei não pode desaparecer porque a lei é o caráter de Deus, como Cristo é a imagem de Deus. A lei foi encarnada em Cristo e cumprida por ele. Agora, como Cristo é a nossa vida, nele foi dada a lei para vivê-la no Espírito.

Antes, a lei estava fora de nós, hoje está dentro. As leis cerimoniais desapareceram, porque em Cristo as sombras do símbolo encontraram o seu cumprimento, mas a lei moral não pode desaparecer porque é o caráter de Cristo. Olhe para o Sermão da Montanha e verás que a lei que Jesus dá aos seus discípulos é mais alta que a lei do Antigo Testamento. Os discípulos são chamados a obedecerem aquelas leis externas que estão gravadas pelo Espírito em nossas mentes e em nossos corações. O Espírito Santo está imprimindo o caráter de Cristo nos seus discípulos.





Os efeitos da fé e da obediência





Se enfatizarmos a fé, necessariamente enfatizamos a graça; se só apresentarmos o evangelho da graça, sem apresentar o evangelho do reino, estaremos apresentando uma "graça barata", já que na graça, verdadeiramente, tudo nos foi dado gratuitamente, sem responsabilidade daquele que a recebe.

Muitos cristãos, ao ouvir o chamado da graça, ficaram estancados e, portanto, passivos em sua vida cristã. Isto é porque lhes foi pregado a metade do evangelho.

Na parábola do tesouro escondido, Jesus assinala a necessidade dos discípulos de vender tudo para adquirir aquele campo, a fim de possuir o tesouro. Vender é renunciar a este mundo, a família, aos bens e ainda a própria vida, tomar a cruz cada dia e seguir a Cristo. Este é o custo de seguir a Cristo. Vale a pena. Todo o resto é legítimo e de valor, mas, ao compará-lo com o preço de Cristo, aquilo é como nada: "Mas o que para mim era lucro passei a considerá-lo como perda por amor de Cristo" (Fil. 3:7).

Na parábola da pérola de grande preço, Cristo é o Mercador que procura boas pérolas, que tendo achado uma de grande preço vendeu tudo o que tinha e a comprou. Esta pérola é a igreja, pela qual Jesus se despojou de si mesmo, a fim de obter para si o que ele considera de maior valor. O que ele pede de nós, primeiro ele nos deu.

Por outro lado, se enfatizarmos a obediência, sem a graça, faremos que os discípulos se voltem para as obras, cairemos em um regime legalista, cheio de obras e esforços humanos. Um ativismo desenfreado, com restrições, opressões, fadiga e cansaço, é o que se vê em muitos cristãos sujeitos a um regime desta natureza, enfastiados de um cristianismo opressor, sem vida, cheio de estruturas, sistematizado, metódico, centrado na sujeição e autoridade.

Veja o dano que produz ao povo de Deus colocar esta ênfase em separado. A verdade completa, o evangelho completo, consiste em pregar e ensinar a Jesus Cristo como Cordeiro e como Rei. As duas verdades andam juntas. Como Cordeiro, ele dá tudo, como Rei ele exige tudo.

O exemplo de João Batista

Precisamos pregar o evangelho como um todo. A maior necessidade dos pecadores é ter um encontro com a autoridade de Deus, é reconhecer o Senhorio de Cristo em suas vidas. Mas recordem: se escutarem somente as exigências, sem ouvir da sua condição e ruína moral frente a um Deus de amor que se compadece e tem misericórdia outorgando graça para levantá-los, a fim de configurar neles a restauração de sua imagem, não encheremos a medida do que Deus deseja realizar através do discipulado.

João Batista é um excelente referencial de como devemos fazer discípulos. Os dois discípulos de João o ouviram falar de Jesus, e seguiram a Jesus. Isto é o que todos temos que fazer.

Ninguém tem o direito de ter discípulos, Cristo é o único. Nós os que servimos a Jesus somos o amigo do esposo, não o próprio esposo. Deixemos que Cristo seja o único noivo da igreja, não caiamos no adultério espiritual de roubar os afetos da noiva para com o noivo, não permitamos que os discípulos nos sigam. Apresentemos sempre a Cristo.







FONTE – REVISTA ÁGUAS VIVAS - Ano 9 • Nº 50

Março - Abril 2008

Ministrar ao Senhor ou à casa?

"Servir com o foco no Senhor!"


Leitura da Bíblia: Ez 44.15-18





Notemos, a principio, que há aparentemente pouca diferença entre ministrar à casa e ministrar ao Senhor. Muitos de vocês estão fazendo o máximo para ajudar seus irmãos e estão labutando para salvar pecadores e administrar as questões relacionadas à igreja, mas deixem-me perguntar-lhes: vocês têm procurado ir ao encontro das necessidades ao seu redor ou têm procurado servir ao Senhor? Vocês têm em vista o seu próximo ou Ele?





Sejamos bem francos. Trabalhar pelo Senhor, sem dúvida, tem suas atrações para a carne. Você pode achar isso muito interessante e ficar empolgado quando multidões se juntam para ouvi-lo pregar, e quando muitas almas são salvas. Se tiver de ficar em casa, ocupado de manhã à noite com coisas seculares, você, então, haverá de pensar: “Como a vida é sem sentido! Que bom seria se eu pudesse sair e servir ao Senhor! Se pelo menos eu fosse livre para andar por aí pregando ou mesmo conversando com as pessoas a respeito Dele!”





Isso, porém, não é espiritualidade; é meramente uma preferência natural. Oh, se ao menos pudéssemos ver que muita obra feita para Deus não é realmente ministrar a Ele! Ele próprio nos disse que havia uma classe de levitas que, diligentemente, serviam no templo e assim mesmo não O serviam, mas meramente serviam à casa. Serviço ao Senhor e serviço à casa parecem ser tão semelhantes que freqüentemente é difícil fazer diferença entre ambos.





Se um israelita viesse ao templo e quisesse adorar a Deus, aqueles levitas viriam em seu auxílio e o ajudariam a oferecer sua oferta pacífica e seu holocausto. Eles o ajudariam a levar 0 sacrifício ao altar e lá o imolariam. Certamente aquela era uma grande obra na qual eles deviam se envolver – restaurar pecadores e conduzir crentes para mais perto do Senhor! E Deus levou em conta o serviço daqueles levitas, que ajudavam as pessoas a trazer suas ofertas pacíficas e seus holocaustos ao altar. Ainda assim, Deus disse que isso não era ministrar a Ele.





Irmãos e irmãs, há um pesado encargo em meu coração para fazê-los perceber o que Deus está querendo. Ele quer ministros que ministrem a Ele. “Se chegarão a Mim, para Me servirem, e estarão diante de Mim, para Me oferecerem a gordura e o sangue (…) para Me servirem”.





O que eu mais temo é que muitos de vocês saiam e ganhem pecadores para o Senhor e edifiquem crentes, sem, no entanto, ministrar ao próprio Senhor. Muito do assim chamado serviço a Ele é simplesmente estarmos seguindo nossas próprias inclinações naturais. Temos tanta disposição para atividades que não suportamos ficar em casa; por isso corremos e corremos para nosso próprio alívio. Podemos estar servindo pecadores e estar servindo crentes, mas estamos a todo tempo servindo a nossa própria carne.





Tive uma querida amiga que agora está com o Senhor. Um dia, depois de termos passado juntos algum tempo em oração, lemos essa passagem em Ezequiel. Ela era bem mais velha do que eu e dirigiu-se a mim deste modo: “Meu jovem irmão, há vinte anos estudei pela primeira vez essa passagem da Escritura”. “Como você reagiu a ela?”, perguntei. Ela replicou: “Tão logo terminei de lê-la, fechei minha Bíblia e, ajoelhando-me diante do Senhor, orei: ‘Senhor, faz com que eu seja alguém que ministre a Ti, não ao templo”‘. Será que nós também poderíamos fazer esta oração?





Mas o que nós realmente queremos dizer quando falamos em servir a Deus ou servir ao templo? Aqui está o que a Palavra diz: “Mas os sacerdotes levíticos, os filhos de Zadoque, que cumpriram as prescrições do Meu santuário, quando os filhos de Israel se extraviaram de Mim, eles se chegarão a Mim, para Me servirem, e estarão diante de Mim, para Me oferecerem a gordura e o sangue, diz o Senhor Deus”. As condições básicas para qualquer ministério que realmente possa ser chamado de ministério ao Senhor são: chegar-se a Ele e estar diante Dele.





Freqüentemente, como achamos difícil chegar a Sua presença! Recuamos diante da solidão, e, mesmo quando nos separamos fisicamente, nossos pensamentos ainda ficam vagando. Muitos de nós gostam de trabalhar entre pessoas, mas quantos de nós se achegam a Deus no Santo dos Santos? Entretanto, é somente quando nos aproximamos Dele que podemos ministrar a Ele. Entrar na presença de Deus e ajoelhar-se diante Dele por uma hora exige toda a força que possuímos. Temos de ser rigorosos para manter essa posição. Contudo, todo aquele que serve ao Senhor conhece a preciosidade de tais momentos – a doçura de acordar à meia-noite e gastar um tempo em oração, ou acordar bem cedo de manhã e levantar-se para um tempo de oração, antes de terminar o sono noturno.



Deixem-me ser bem franco com vocês: a menos que realmente saibamos o que é achegar-se a Deus, não poderemos saber o que é servi-Lo. É impossível permanecer distante e ainda ministrar a Ele. Não podemos servi-Lo à distância. Há somente um lugar onde é possível ministrar a Ele, e esse é o Lugar Santo. No átrio exterior você se aproxima das pessoas; no Lugar Santo você se aproxima do Senhor.



A passagem que citamos enfatiza a necessidade de nos achegarmos a Deus, se quisermos ministrar a Ele. Também fala de permanecer diante Dele para ministrar. Parece-me que hoje todos estamos querendo nos movimentar; não conseguimos permanecer quietos. Há tantas coisas reclamando nossa atenção que estamos constantemente ocupados, não conseguimos parar por um instante. Uma pessoa espiritual, entretanto, sabe como permanecer quieta. Ela consegue permanecer diante de Deus até que Ele torne Sua vontade conhecida. Ela consegue ficar quieta e esperar as ordens.

Quero dirigir-me especialmente a meus cooperadores. Posso perguntar-lhes: todo o seu trabalho não é invariavelmente organizado e executado de acordo com um cronograma? E ele não tem de ser feito com grande pressa? Vocês podem ser persuadidos a fazer uma parada e não se mover por algum tempo? Isso é o que se menciona aqui: “chegarão (…) para Me servirem”.





Ninguém pode realmente ministrar ao Senhor e não conhecer o significado desta expressão: “Se chegarão a Mim, para Me servirem”. Tampouco pode alguém ministrar a Ele e não entender também esta expressão: “Estarão diante de Mim, para Me oferecerem”. Irmãos, vocês não acham que todo servo deve aguardar as ordens de seu amo antes de procurar servi-Lo?

Há somente dois tipos de pecado diante de Deus. Um é o pecado de rebelar-se contra os Seus mandamentos, isto é, recusar-se a obedecer quando Ele dá ordens. 0 outro é o pecado de avançar quando o Senhor não deu as ordens. 0 primeiro é rebelião; o segundo é presunção. Um é não fazer o que o Senhor exigiu; o outro é fazer o que o Senhor não exigiu. Ficar diante do Senhor trata com o pecado de fazer o que Ele não ordenou.





Irmãos e irmãs, quanto do trabalho que vocês fizeram foi baseado numa ordem clara do Senhor? Quanto vocês fizeram por causa de Suas instruções diretas? E quanto vocês fizeram simplesmente porque aquilo que fizeram era bom de se fazer? Deixem-me dizer-Ihes que nada prejudica tanto os interesses do Senhor como uma “coisa boa”. “Coisas boas” são o maior empecilho para o cumprimento de Sua vontade. Quando nos deparamos com qualquer coisa maligna ou impura, imediatamente reconhecemos nisso algo que o cristão deve evitar, e, por essa razão, as coisas que são evidentemente malignas não são tanto uma ameaça ao propósito de Deus como as coisas boas. Vocês podem pensar: “Isso não seria errado”, ou: “Aquilo é a melhor coisa que poderia ser feita”. Assim, vocês vão em frente e agem sem parar para perguntar se isso é a vontade de Deus. Oh, todos nós que somos Seus filhos sabemos que não devemos fazer nenhum mal, mas pensamos que uma vez que nossa consciência não proíbe tal coisa, ou se algo nos parece positivamente bom, isso é motivo suficiente para irmos em frente e fazê-lo.



Aquilo que vocês pensam fazer pode ser muito bom, mas vocês estão permanecendo diante do Senhor, aguardando Sua ordem a respeito daquilo? “Estarão diante de Mim” envolve permanecer na Sua presença e recusar a mover-se até que Ele dê Suas ordens. Ministrar ao Senhor significa isso. No átrio exterior é a necessidade humana que governa. Simplesmente permita que alguém venha para sacrificar um boi ou uma ovelha, e há trabalho para você fazer. No Santo dos Santos, entretanto, há completa reclusão. Alma nenhuma entra. Aqui, nenhum irmão ou irmã nos governa, nem alguma comissão determina nossas ações. No Santo dos Santos há somente uma autoridade – a do Senhor. Se Ele me designa uma tarefa, eu a realizo; se Ele nada me designa, eu nada faço.





Algo, porem, é exigido de nós quando permanecemos diante do Senhor e ministramos a Ele. Requer-se de nós que Lhe ofereçamos “a gordura e o sangue”. 0 sangue responde às exigências de Sua santidade e justiça; a gordura vai ao encontro de Sua glória. O sangue trata com a questão de nosso pecado; a gordura trata com a questão de Sua satisfação. O sangue remove tudo o que pertence à velha criação; a gordura introduz a nova. E isso é algo mais do que doutrina espiritual. Nossa vida da alma foi envolvida no derramamento de Sua alma até a morte. Quando derramou Seu sangue eternamente incorruptível, Ele não só estava derramando a própria vida, mas também toda a vida que o homem tinha por nascimento natural. Ele não só morreu, mas ressuscitou dentre os mortos e “a vida que agora vive, vive para Deus”. Ele vive para a satisfação de Deus. Ele oferece “a gordura e o sangue”. Nós também, que queremos ministrar ao Senhor, precisamos oferecer a gordura e o sangue. E o impossível é possível com base no que Ele fez.





Tal ministério, porém, está confinado a certo lugar: “Eles entrarão no Meu santuário, e se chegarão a Minha mesa, para Me servirem, e cumprirão as Minhas prescrições” (v. 16). 0 ministrar que é “a Mim” é no santuário interior, no lugar oculto, não no átrio exterior, exposto à vista pública. As pessoas podem pensar que não estamos fazendo nada, mas o serviço a Deus dentro do Lugar Santo transcende em muito o serviço ao povo no átrio exterior. Irmãos e irmãs, aprendamos o que significa permanecer diante do Senhor aguardando Suas ordens, servindo somente sob Seu comando e sendo governados por nenhuma outra coisa senão a Sua vontade.





A mesma passagem nos fala como devem se vestir os que ministram ao Senhor: “Usarão vestes de linho; não se porá lã sobre e1es, quando servirem nas portas do átrio interior, dentro do templo. Tiaras de linho lhes estarão sobre as cabeças, e calções de linho sobre as coxas”. Os que ministram ao Senhor não podem usar lã. Por que não? A razão é dada a seguir: “Não se cingirão a ponto de lhes vir suor” (vv. 17,18). Nenhuma obra que produz suor é aceitáve1 ao Senhor. Afinal, que significa suor? Todos sabemos que a primeira vez que suor é mencionado nas Escrituras foi quando Adão foi expulso do jardim do Éden. Depois que Adão pecou, Deus pronunciou esta sentença: “Maldita é a terra por tua causa: em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida (…) no suor do rosto comerás o teu pão” (Gn 3.17,19). Está claro que suor é uma condição de maldição. Porquanto a maldição estava na terra, ela cessou de dar seu fruto sem o esforço do homem, e tal esforço produzia suor. Quando a bênção de Deus é retirada, torna-se necessário o esforço carnal, e isso causa suor.



Toda obra que produz suor é positivamente proibida àque1es que ministram ao Senhor. Ainda hoje que dispêndio de energia há em obras feitas para Ele! Ah! poucos cristãos hoje podem fazer qualquer obra sem suor. A obra deles envolve planejamento e esquematização, exortações e instâncias, e muita correria.





Não pode ser feita sem grande zelo carnal. Hoje em dia, se não houver suor, não poderá haver obra. Antes de ser empreendida qualquer obra para Deus, há muita correria para lá e para cá, fazendo-se muitos contatos; há consultas e discussões, obtendo-se, por fim, a aprovação de diversas pessoas antes de ir em frente. Quanto a esperar quieto na presença de Deus e buscar Suas instruções, isso está fora de questão. No entanto, numa obra espiritual, o único fator a ser levado em conta é Deus.



A única Pessoa que se deve contatar é Deus. Oh! esta é a preciosidade da obra espiritual: ela está relacionada com Deus. E em relação a Ele há uma obra a ser feita, mas é obra que não produz suor. Se tivermos de divulgar a obra e utilizar grande esforço para promovê-la, então, é óbvio que ela não brota da oração na presença de Deus. Por favor, acompanhe-me quando digo que toda obra que é realmente espiritual é feita na presença de Deus. Se você trabalhar realmente na presença de Deus, ao entrar na presença dos homens, eles responderão. Você não terá de usar meios sem fim para ajudá-los. Obra espiritual é obra de Deus, e quando Deus trabalha, o homem não precisa despender muito esforço, a ponto de suar.





Irmãos e irmãs, vamos, com toda honestidade, examinar a nós mesmos diante de Deus hoje. Vamos perguntar-Lhe: “Estou servindo a Ti ou estou servindo à obra? 0 meu ministério é ‘para o Senhor’ ou é ‘para a casa’?” Se você está suando o tempo todo, então, você mesmo pode chegar à conclusão de que está servindo à casa e não ao Senhor. Se toda a sua atividade está relacionada com a necessidade humana, você pode ficar ciente de que está servindo a homens, não a Deus. Não estou desprezando o trabalho de imolar sacrifícios no altar; é uma obra para Deus e alguém tem de fazê-la, mas Deus quer algo mais do que isso.





Deus não pode garantir todos para o serviço a Si mesmo, porque muitos dos que são Seus relutam em abandonar a emoção e a excitação do átrio exterior. Eles são propensos a servir às pessoas. Mas, e quanto a nós? Oh, que digamos hoje ao Senhor: “Eu estou disposto a renunciar às coisas; eu estou disposto a renunciar à obra; eu estou disposto a renunciar ao átrio exterior e quero servir-Te no santuário interior”.





Quando Deus não conseguiu trazer todos os levitas ao local onde deviam ministrar a Ele, Ele escolheu os filhos de Zadoque dentre eles para este serviço especial. Por que Ele selecionou os filhos de Zadoque? Porque, quando os filhos de Israel se desviaram, eles reconheceram que o átrio exterior ficara irreparavelmente corrompido e por isso não procuraram preservá-lo, mas encarregaram-se de preservar a santidade do Lugar Santo.





Irmãos e irmãs, vocês conseguem suportar a idéia de abandonar a estrutura externa ou persistirão em montar uma proteção para preservá-la? É o Lugar Santo que Deus deseja preservar – um lugar totalmente separado para Ele, um lugar em que o padrão é absoluto. Oh! eu lhes suplico, diante de Deus, que ouçam Seu chamado para renunciar ao átrio exterior e a se devotar a Seu serviço no Lugar Santo.





Gosto de ler em Atos 13 sobre os profetas e mestres na igreja em Antioquia: “Servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado”. Ali vemos o único princípio que governa a obra para Deus na dispensação do Novo Testamento. 0 Espírito Santo comissiona homens para a obra somente quando eles estão ministrando ao Senhor. Se o ministrar ao Senhor não for a única coisa que nos governa, a obra ficará em confusão. No início da história da igreja em Antioquia, o Espírito Santo disse: “Separai-Me agora a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado”. Deus não quer voluntários para Sua obra; Ele quer convocados. Ele não terá você pregando o evangelho só porque você quer. A obra do Senhor hoje está sofrendo sério dano nas mãos de voluntários; faltam aqueles que podem dizer como Ele: “Aquele que Me enviou”. Oh, irmãos e irmãs, a obra de Deus é Sua própria obra e não uma obra que você pode abraçar a seu bel-prazer. Nem igrejas, nem sociedades missionárias, nem equipes de evangelização podem enviar homens para trabalhar para Deus. A autoridade para comissionar homens não está nas mãos de homens, mas tão-somente nas mãos do Espírito de Deus.





Servir ao Senhor não significa que não servimos ao nosso próximo, mas significa que todo serviço a homens tem o serviço ao Senhor como sua base. É o serviço a Deus que nos impele a servir ao homem.

Lucas 17.7-10 nos diz claramente o que o Senhor quer. Há dois tipos de obra mencionadas aqui: arar o campo e guardar o gado. Ambas são ocupações muito importantes, ainda que o Senhor diga que, até mesmo quando um servo retorna de tal trabalho, espera-se que ele providencie a satisfação de seu amo antes de sentar-se para desfrutar sua própria comida. Quando voltamos de nossa labuta no campo, estamos aptos para complacentemente meditar no muito trabalho que executamos, mas o Senhor poderá dizer: “Prepara-Me a ceia, cinge-te”. Ele exige o ministrar a Ele. Podemos ter labutado num campo bem grande e cuidado de muitas ovelhas, mas toda a nossa labuta no campo e junto ao gado não nos isenta de ministrar à própria satisfação pessoal do Senhor. Essa é a nossa suprema tarefa.





Irmãos e irmãs, estamos realmente atrás de quê? Somente trabalhar no campo? Somente pregar o evangelho aos incrédulos? Somente cuidar do gado? Somente cuidar das necessidades dos salvos? Ou será que estamos cuidando a fim de que o Senhor coma para Sua plena satisfação e beber até que Sua sede seja saciada? Realmente, é-nos necessário também comer e beber, mas isso só deve acontecer após o Senhor estar satisfeito. Nós também precisamos ter nosso desfrute, mas isso jamais poderá ocorrer antes que o gozo do Senhor seja pleno. Perguntemo-nos: nosso trabalho ministra para nossa satisfação ou para a satisfação do Senhor? Temo que, ao trabalharmos pelo Senhor, freqüentemente ficamos satisfeitos antes que Ele fique satisfeito. Muitas vezes ficamos tão felizes com nossa obra enquanto Ele não encontra prazer algum nela.





Irmãos e irmãs, quando fizemos o melhor, ainda temos de admitir que somos servos inúteis. Nosso objetivo não é ministrar ao mundo, nem à igreja, mas ministrar ao Senhor. E bem-aventurados aqueles que conseguem diferenciar entre ministrar aos pecadores ou aos santos e ministrar a Ele. Tal discernimento não é facilmente adquirido. Somente mediante um tratamento drástico aprenderemos a diferença entre ministrar ao próprio Senhor e ministrar à casa.





No entanto, se o Espírito Santo tiver Seu caminho em nossa vida, Ele proverá de acordo com a necessidade. Busquemos a graça de Deus a fim de que Ele nos revele o que realmente significa ministrar a Ele!





(Doze Cestos Cheios, vol. 2)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Eram os apóstolos ricos?

Os defensores da teologia da prosperidade advogam a causa de que a prosperidade e as riquezas são caracteristicas inquestionáveis àqueles que seguem a Cristo. Para estes, o fato do cristão não experimentar prosperidade em sua vida aponta de forma exclusiva para a ausência da bênção de Deus. Segundo os adeptos desta funesta teologia, o sinal de que a graça do Senhor está sobre o crente é a sua prosperidade. Nesta perspectiva, quanto mais rico, mais abençoado, ou quanto mais abençoado, mais rico.




Pois é, fico a pensar como seria se Pedro, Paulo e Tiago e os demais apóstolos vivessem entre os apóstolos do século XXI. Possivelmente seriam estigmatizados, desqualificados e repudiados por sua incapacidade em realizar ou decretar atos sobrenaturais de fé, como também confrontados pelos profetas da confissão positiva pelo fato de terem fracassado financeiramente.



Caro leitor, por favor, pare, pense e responda: Por acaso eram os apóstolos ricos? Possuíam eles as riquezas deste mundo? Advogaram o ensino de que todo discipulo de Cristo deve ser rico? Ora, se fosse realmente verdade o que ouvimos e lemos dos bispos, apóstolos, paipostolos e mercadores da fé que Deus quer que os seus filhos tenham sucesso e riquezas, então porque Ele não fez que Jesus nascesse numa família extremamente rica? Porque então Ele não escolheu doze apóstolos milionários, ou pelo menos não lhes conferiu riquezas? Não seria muito mais fácil conquistar o mundo assim?



Caro leitor, vamos combinar uma coisa? Os apóstolos modernos fundamentam suas doutrinas em pressupostos absolutamente anti-bliblicos. Para justificarem seus gastos pomposos, afirmam que Jesus era rico, que suas roupas eram nobres, que o burrinho usado na entrada de Jerusalém era novo, e que tinha muito dinheiro na bolsa do tesoureiro.



Infelizmente diferentemente dos apóstolos do primeiro século estes falsos profetas gloriam-se de suas megas igrejas, de suas riquezas, sucessos e popularidade. Lamentavelmente essa corja religiosa se comporta como celebridades desfilando por esse "Brasil de meu Deus" com seus carros blindados, cercados de seguranças, pregando um evangelho absolutamente mercantilista.



Pois é meus amados irmãos, dias complicados os nossos! Diante do exposto acredito piamente que os conceitos pregados pelos reformadores precisam ser resgatados e proclamados a quantos pudermos. Sem sombra de dúvidas necessitamos desesperadamente de uma nova reforma, por que caso contrário a vaca vai para o brejo.



Soli Deo Gloria

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Salomão e a Sulamita

"Um diálogo entre nós e o SENHOR"


No hebraico temos que saber que os nomes “Salomão” e “Sulamita” vêm da mesma raiz no hebraico que significa “paz”; isto significa que “Sulamita” é o feminino de “Salomão”.





O livro de Cantares apresenta um diálogo entre nós e o SENHOR. Esse livro descreve os dias mais felizes da terra. Todo aquele que ama o SENHOR, de certa forma tem um vazio muito grande. É um vazio que nada pode preencher. Sentimos a falta do nosso SENHOR. Sabemos que no ESPÍRITO Ele está conosco. Mas não vemos Sua face; não podemos sentir o seu corpo. Mas se O amamos, aguardamos ansiosamente aquele dia! Necessitamos da comunhão com o SENHOR porque se muitos não têm essa comunhão com Ele, quando Ele chegar, talvez não iremos reconhecê-Lo.





Vamos estudar no livro de Cantares – A Progressão do nosso amor na Comunhão com o SENHOR.





1º - o foco é ela = Ct 2.16: “O meu amado é meu, e eu sou Dele”. Os primeiros ímpetos do amor, eles são possessivos. Ela viu naquele noivo que ele é inigualável. Ela viu naquele noivo que ele é único. Ela diz assim. O meu amado é meu.O centro do seu amor é o próprio eu. Ela está dizendo: o meu amado é meu. Ele é minha possessão. Depois ela coloca: eu sou dele - o foco está no “meu amado é meu”.





2º - O foco é Ele = Ct 6.3: “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu”. Quem tem a posse aqui? O Amado. Ela está dizendo: não pertenço a mim, eu sou Dele. Veja que mudou o foco. Na primeira declaração o foco é ela, e na segunda o foco é ele.





3º - O foco é todo Dele = Ct 7.10: “Eu sou do meu amado, e ele tem saudades [“E é para mim que tende o seu desejo”]de mim”. Ela mais passiva e ele mais ativo. Seu amor aqui não aparece, só o amor Dele. É Ele quem me possui. Ela diz:eu sou do meu amado, e agora ela não vai falar dela. Ela vai continuar falando dele, como se ela descobrisse algo mais. Na medida em que caminhamos com o Senhor, é assim que nós nos sentimos. Quando nós amamos ao Senhor de forma muito dividida o Senhor se torna um alvo entre tantos alvos.